Feira sobre uso medicinal da cannabis é destaque em São Paulo

Por João R. Negromonte* A primeira edição do Medical Cannabis Fair, maior feira sobre o uso medicinal da cannabis do Brasil, reunirá nos dias 3 e 6 de maio deste ano, especialistas e empresas do setor canábico brasileiro. O evento que acontece no Expo Center Norte, em São Paulo, tem entrada gratuita e debaterá temas como saúde, legislação e negócios dentro do ecossistema da planta.   A feira é uma ótima ocasião para aprofundar os conhecimentos e abrir novas oportunidades de negócios através do contato direto com esses especialistas. Além disso, diversas empresas do ramo estarão divulgando seus produtos, serviços e soluções em mais de 30 estandes espalhados pelo local, levando oportunidade para aqueles que desejam ingressar nesse mercado ou mesmo entender um pouco mais sobre os benefícios dessa terapia. Os eventos são promovidos pelo Sechat, portal dedicado à Cannabis Medicinal – Saúde e Negócios, em paralelo com a Medical Fair Brasil, maior feira do setor de equipamentos e soluções para a saúde do mundo, com estrutura organizacional da Messe Dusseldorf e Medica e realização e execução da Emme Brasil. Quem pode participar? A pandemia de Covid-19 inviabilizou que as feiras ocorressem em 2020/2021, mas as expectativas para a edição deste ano são as melhores. O evento é conhecido por reunir milhares de pessoas ao redor do mundo, contando com a participação de profissionais de saúde, empresas do ramo e pessoas interessadas em soluções alternativas. Teremos expositores de diversos países como Brasil, Estados Unidos, Israel, Uruguai, entre outros, que irão apresentar soluções para o uso medicinal da Cannabis para diferentes necessidades patológicas, além de serviços para profissionais da saúde que atuam no setor. Mas a feira é para quem? Para todos os profissionais que estão interessados no mercado da cannabis medicinal.  Os ingressos são gratuitos! Faça já a sua inscrição e garanta o seu lugar na feira clicando na imagem abaixo:  Congresso Brasileiro da Cannabis Medicinal Juntamente com a feira, o Sechat está organizando o Congresso Brasileiro da Cannabis Medicinal, evento que contará com a participação de diversos especialistas do universo da cannabis falando sobre regulamentação, uso medicinal da planta, legislação, negócios, mercado nacional e internacional, dentre outros.  Através de uma curadoria minuciosa, estamos reunindo os maiores especialistas do Brasil e do mundo para compartilharem seus conhecimentos com nosso público. Os debates trarão perspectivas sobre o presente e o futuro da planta, a importância social, econômica, política e sustentável da pauta, além claro da desmistificação de ideias que norteiam o tema.  Para Malu Savieri, CEO da Emme Brasil, representante da Messe Düsseldorf, e diretora da Medical Fair Brasil: “Não se pode olhar para as feiras de negócios apenas com a perspectiva de vendas. Elas representam uma ferramenta eficaz para aprofundar e consolidar relacionamentos comerciais e conquistar a necessária confiança para concretizar mais negócios.” Ficou interessado(a) em participar do Congresso? Então compre o seu ingresso agora mesmo! Para mais informações: www.medicalcannabisfair.com.br *Jornalista do Sechat.

Campanha para o número 1 do Brasil em engajamento cidadão

As Eleições deste ano vão te “Envolver”. A corrida eleitoral de 2022 precisa ter o mesmo engajamento e a mesma participação que a população brasileira, principalmente o público jovem, teve para colocar a música da cantora Anitta em primeiro lugar no Spotify.  E o que a cantora tem a ver com isso?  Tuuudo! Além da artista ter alcançado o topo da plataforma de streaming de músicas, Anitta usou sua visibilidade para incentivar os adolescentes a tirarem o título de eleitor.  Reconhecendo seu poder de influência com o público jovem, a “garota do Rio” quer mudar a atual situação do alistamento para as próximas eleições: segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o número de eleitores com idade entre 16 e 18 anos é o menor em duas décadas.  “Os Vingadores do Voto” Como Anitta, outros famosos entraram nessa campanha para incentivar os jovens a participarem das eleições. Luisa Sonza, Juliette, Gkay, Whindersson Nunes, Bruna Marquezine, Casimiro, Felipe Neto, Zeca Pagodinho, Taís Araújo e até o Hulk (não o jogador, mas o ator americano Mark Ruffalo, conhecido por interpretar o personagem nos filmes da Marvel) fizeram postagens em suas redes sociais falando sobre a importância de tirar o título. Não deixem que escolham por vocês   O laboratório de comunicação e mobilização para causas, Quid.id, fez uma pesquisa buscando respostas para os motivos que têm afastado os adolescentes das eleições.  Autoestima: o jovem achar que não sabe o suficiente para votar;  Ceticismo: acreditar que votar não importa, que não muda nada. Responsabilidade: não querer ter a responsabilidade de escolher alguém sem saber o suficiente. Não querer carregar “o peso do voto”. Essa percepção é comprovada nos números, já que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) registrou, no primeiro bimestre de 2022, o menor número de adolescentes com título de eleitor da história.  De acordo com o último levantamento, consolidado em 28 de fevereiro, apenas 835 mil  jovens tiraram o documento até o momento. Nas últimas eleições gerais, em 2018, foram mais de 1,4 milhão de pessoas dessa mesma faixa etária aptas para votar no mesmo mês. Considerando que, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil tem mais de 6 milhões de pessoas com idades entre 16 e 17 anos, o número de jovens com título de eleitor em 2022 representa, até agora, cerca de 13,6% do total de habilitados para tirar o documento. Em fevereiro de 2018, o percentual era de 23,3%. 5 dúvidas sobre as Eleições  Quais cargos serão disputados nas eleições 2022? O eleitor vai escolher em outubro o presidente da República, os governadores dos estados, senadores e deputados federais, estaduais e distritais.  Quando serão as Eleições 2022? O primeiro turno das eleições será realizado no dia 2 de outubro. O segundo turno está marcado para o dia 30 de outubro. Neste ano, o horário de início de votação será uniformizado em todo o país pelo horário de Brasília. O pleito ocorrerá entre 8h e 17h. Qual o prazo para solicitar ou regularizar o título de eleitor? Os eleitores têm até 4 de maio para regularizar o cadastro ou tirar o seu primeiro título de eleitor e conseguir participar da votação deste ano. Quem tem mais de 18 anos e ainda não possui título eleitoral também tem até esse dia para solicitar a emissão do documento. Todos com mais de 16 anos estão aptos a votar.  Como transferir o título de eleitor e qual é o prazo? Quem mudou de cidade, estado ou país e precisa transferir o título pode fazer a solicitação pelo site do TSE. O prazo vai até 4 de maio, 150 dias antes do pleito. Quem não regularizar a situação no prazo terá que esperar o fim das eleições para realizar o procedimento. De acordo com o órgão, é preciso residir há pelo menos três meses no novo município. Para realizar o atendimento a distância é necessário digitalizar ou tirar fotografia da documentação necessária. Perdi o prazo para tirar o título; e agora? O eleitor que não tirar a primeira via ou regularizar o título até 4 de maio não poderá votar em outubro.   Bora, jovens, eleitores! People power, pô!!!

A diversidade como motor das transformações sociais

Por José Papa Neto* Nos últimos 10 anos, acompanhei em um lugar de privilégio, as transformações do tecido social global. Primeiro, como CEO da WGSN, em Nova Iorque, maior consultoria de tendências do mundo, e, em segundo, pela liderança de Cannes Lions, o maior ecossistema de criatividade global.  Acompanhar de perto algumas das principais tendências de transformação de nossa sociedade me permitiu observar um dos movimentos mais relevantes da história do Brasil. Enquanto cidadão do maior país negro fora da África, reconhecer nossas raízes reais era algo mais que necessário. A ideia de um projeto como a Trace Brasil não deveria ser nova ou mesmo pioneira.  A beleza das diferenças Com uma população afro urbana e em diáspora, que forma a maioria de nosso país, mergulhar na belíssima história de conexão com o continente africano e explorar as riquezas culturais profundas que nos unem era algo mais que necessário – era de grande urgência. Dito isso, destaco que não há projeto de país sem refletir de forma ampla a diversidade que o representa e para além disso, não há como consolidar efetivamente o nosso lugar enquanto todos e todas não veem suas histórias reconhecidas e vozes propagadas. Foi o sonho de um país equânime, contemporâneo e a frente do tempo que trouxe a Trace para o Brasil.  Dar espaço para os movimentos que definem cultura, transgridem o status quo e projetam um Brasil moderno e justo, pela ótica da  diversidade e tamanho do país, são múltiplas as histórias para contarmos.  Construindo um novo reinado Inúmeras trajetórias inspiraram gerações e mostraram que, independente dos obstáculos, todos os limites podem ser superados e configurados. Os movimentos de conscientização global de 2020 vieram para validar e legitimar nosso movimento.  Estamos mostrando aos céticos e incrédulos que as transformações de nossa sociedade não são passageiras e inspiram toda uma nova geração. Geração esta que definirá os caminhos deste novo mundo de pensamento exponencial que viveremos.  Mas como sou um otimista nato, vejo que os movimentos que eclodiram e estão redefinindo as peças de nossas relações vieram para ficar e principalmente transformar. *Zizo Papa é CEO e sócio da multiplataforma de cultura afrourbana Trace Brasil.

Brasil é o país do futebol, do samba e da água

“Bebeu água? Tá com sede?” Não tem problema, pois moramos “em um país tropical abençoado por Deus” e que tem a maior reserva de água do mundo!  Isso mesmo, se colocarmos toda água potável do planeta em um copo americano gigantesco, somente as reservas brasileiras representam 1 ⁄ 8 desse copo.  A maior parte da superfície terrestre é coberta de água, mas um volume pouco maior que 2% é doce. E o que faz nosso país ser tão especial? Além de sermos pentacampeões mundial em futebol, somos também os maiores quando o assunto é água.  O Brasil possui a maior reserva de água doce do mundo, com 12% do total disponível no planeta. De acordo com a Food and Agriculture Organization of the United Nations (FAO), esse percentual representa o dobro de todos os rios da Austrália e da Oceania – superior em 42% do que o da Europa e 25% maior do que os do continente africano. Porém, nem tudo são flores e água fresca. Se você tivesse com muita sede e bebesse apenas 12% de um copo americano, essa quantidade mataria sua sede?   No Brasil é mais ou menos isso que acontece. Uma velha conhecida nossa, chamada desigualdade, também dá as caras por aqui. Apesar de existir muita água disponível, 20% da população urbana não dispõe de rede de água/esgoto e 65% das internações pediátricas são causadas pela poluição da água.  Embora haja, em tese, 34 milhões de litros de água para cada habitante do nosso país, o sistema de saneamento básico e o tratamento de esgoto, por exemplo, torna parte da água imprópria para o consumo humano.  “De toda água doce que existe no mundo, 12% está no Brasil, porém a má distribuição gira muito em torno das políticas públicas, que precisam ser redesenhadas para que essa água possa chegar de fato nessas pessoas, que precisam”, alertou Felipe Gregório da Florescer Brasil, empresa social membro da Comunidade CIVI-CO. As águas brasileiras Segundo estudo da Fundação SOS Mata Atlântica, o Brasil é a maior reserva hidrológica do planeta. Porém, existe uma má distribuição geográfica dessa divisão da água doce, que se encontra da seguinte forma: 70% na região norte, 15% na região centro-oeste, 6% no sudeste, 6% no sul e 3% no nordeste.  Confira o top 5 dos rios mais importantes para a vida dos brasileiros:                          Rio Amazonas Localizado na região amazônica, conhecida mundialmente por sua quantidade de água doce que oferece para os brasileiros, ele apresenta a capacidade de abastecer 74% de toda a demanda do país. Rio São Francisco Nascendo na Serra da Canastra, o Rio São Francisco fica localizado em Minas Gerais, e corta todo o Nordeste do país. Atualmente, o rio sofre em alguns trechos com a poluição e o desmatamento das matas ciliares. Rio Tocantins O Rio Tocantins está localizado no planalto de Goiás e abriga a principal usina elétrica da região, a de Tucuruí. O rio abastece o consumo de energia de 16,6 milhões de pessoas e é um dos maiores rios brasileiros que nasce dentro do território nacional, com 2.699 km de extensão. Rio Paraná Ele compõe a bacia do Paraná, uma das mais importantes do país. A Usina de Itaipu, que está localizada no Rio Paraná, gera cerca de 15% de toda a energia consumida no Brasil.  Rio Tietê Paulista de nascimento, o Tietê, com seus mais de mil quilômetros, atravessa todo o estado de São Paulo e deságua no Rio Paraná. Esse rio tem grande importância desde a época da colonização do Brasil, tanto pela produção de água, quanto pela geração de energia.  Vidas secas  Em todo o país, quase 35 milhões de pessoas não têm acesso a serviços de água tratada. Aí você deve pensar que essas pessoas são moradores de regiões áridas no interior e nordeste do país, né? Muito bem, erroooooou! Aproximadamente 5,5 milhões das pessoas que não têm acesso a água própria para consumo moram nas maiores cidades do país.  “Nós vemos uma série de privatizações acontecendo, e é preciso cobrar para que essas concessionárias também atendam as classes vulneráveis e não só o ‘filé mignon’ alí das classe média e alta ter faturamento, essa é uma questão vital”, acrescentou Felipe Gregório.  As estatísticas divulgadas pelo Instituto Trata Brasil, que possui um ranking de saneamento, apresentou os dados das 100 maiores cidades brasileiras e do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS) em 2021.  Na prática, aproximadamente 100 milhões de brasileiros não contam com acesso à coleta de esgoto (22 milhões nas 100 maiores cidades do país) e metade desses resíduos não são tratados (49%). Isso é o mesmo que jogar na natureza 5 mil piscinas olímpicas de esgoto sem tratamento, todos os dias. Um oásis CIVI-CO De acordo com o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 6 (Água Potável e Saneamento), para garantir a universalização do saneamento básico é necessário a disponibilidade da oferta de água limpa para todos e todas.  Em nossa Comunidade temos duas empresas sociais que trabalham a questão da água e o saneamento básico voltados, principalmente, para a população que não tem fácil acesso a esses bens:  O Instituto Iguá busca contribuir para a universalização do saneamento no Brasil, por meio da promoção da inovação e da educação para o desenvolvimento sustentável.   A empresa promove o acesso à água tratada e ao saneamento para comunidades em situação de vulnerabilidade e estimula a criação de soluções inovadoras para água e saneamento.  Conheça o Instituto Iguá   A Florescer Brasil é uma empresa social que nasceu com o propósito de contribuir com a universalização do acesso à água e esgotamento sanitário, sobretudo em áreas de alta vulnerabilidade social.  Atuando como um hub, ela conecta parceiros e organizações a fim de solucionar as dores destas localidades, buscando sempre agir em conjunto a pequenos prestadores de serviços das áreas de intervenção, em prol também do desenvolvimento de economias locais. Conheça a Florescer Brasil  Um exemplo de solução é o projeto dos totens de água, realizado pela Florescer com o apoio do Instituto Iguá. A

Oportunidade e qualificação para quem precisa

FOTO: Reprodução

Por Vitor Cavalcanti Aumentar substancialmente o número de jovens e adultos que tenham habilidades relevantes, inclusive competências técnicas e profissionais, para emprego, trabalho decente e empreendedorismo até 2030. Esta é uma das metas integrantes dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável preconizadas ao Brasil pela ONU – e seu cumprimento não é tarefa fácil.  Principalmente quando pensamos na grande massa de jovens que pertencem a famílias de baixa renda, sem condições de arcar com os custos de uma formação de ponta, incluindo faculdade ou cursos profissionalizantes e extracurriculares. Ao mesmo tempo em que vemos a dificuldade desses jovens acessarem o mercado de trabalho, algumas áreas sofrem com a carência de profissionais especializados, como é o caso da Tecnologia da Informação (TI). O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) estima que, até 2024, o setor de TI terá cerca de 290 mil vagas em aberto. Porém, esse número é muito maior.  A Brasscom, em seu dado mais atualizado, já fala em 800 mil profissionais demandados em três anos. Dura realidade: num país com 12 milhões de desempregados vivemos o paradoxo da falta de mão de obra qualificada para ocupar essas posições.  Faltam oportunidades Sabemos que uma das respostas para essa contradição é a educação. Mas também sabemos que, infelizmente, esse é um caminho trilhado por poucos brasileiros. Dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) apontam que somente cerca de 20% das pessoas com idade entre 25 e 34 anos concluíram o ensino superior. O jovem pobre e periférico dificilmente consegue ingressar numa universidade pública, ainda um privilégio das classes mais altas, mesmo com todos os mecanismos de cotas e melhoria de alguns indicadores sociais. Recorrer ao ensino superior privado também não é uma opção devido ao preço das mensalidades.  É bastante comum ao jovem de baixa renda sustentar a própria casa, além de arcar com despesas básicas, como alimentação e transporte. Nessa realidade não há orçamento para investir em um curso técnico ou superior. Por isso, incluir esses jovens na educação é tão necessário. A conquista não é somente para quem é contemplado, mas também para toda a sua família, que tem a oportunidade de ver o filho, neto ou sobrinho, por exemplo, dentro da sala de aula de uma universidade – muitas vezes o primeiro familiar a chegar tão longe.  Essa vitória também é compartilhada pelo mercado de trabalho ao contratar mão de obra especializada. Mas, no fundo, ela é uma conquista para toda sociedade, já que a educação é um componente fundamental na empregabilidade e ataca diretamente os tristes indicadores de violência do nosso país. O poder da Educação Acreditamos que a educação é capaz de transformar vidas. E não é por acaso que o propósito do Instituto IT Mídia é transformar vidas por meio da educação e tecnologia. Foi o projeto “Profissional do Futuro”, destinado a jovens de baixa renda egressos de programas sociais, que deu início a nossas atividades.  De lá para cá, foram concedidas mais de 600 bolsas de estudos entre cursos de pós-graduação, graduação, cursos técnicos e complementares. Recentemente ampliamos nossa atuação com projetos como o “Eu Capacito”, uma porta de entrada para formar talentos para economia digital e que já beneficia mais de 400 mil pessoas.  O problema da formação de mão de obra especializada não é uma equação simples de resolver e tende a se acentuar na medida em que a digitalização e automação avançam. Novas tecnologias chegam ao mercado todos os dias e demandam talentos com um mix de habilidades totalmente diferentes.  Aposte na juventude A inclusão é uma longa jornada a ser percorrida, e por meio dos nossos projetos damos nossa parcela de contribuição à sociedade para transformar esse cenário. Nossos jovens precisam de acesso à educação de qualidade e oportunidades no mercado de trabalho.  Fica aqui o convite para que as empresas de base tecnológica e impacto social também contribuam para essa transformação, seja por meio de bolsas de estudo ou mesmo dando oportunidades de estágio ou de emprego para jovens oriundos de programas sociais.  O Instituto IT Mídia está à disposição para ajudar nessa construção. *Diretor-geral do Instituto IT Mídia

Por que precisamos de um acordo do plástico?

Em um dia comum, como todos os outros, parece que nada de diferente vai acontecer, mas… neste exato momento você está cometendo um crime ambiental.  Sim, hoje você vai despejar no meio ambiente cerca de 170 gramas de lixo plástico. Pois é, todos nós estamos matando a biodiversidade do planeta a cada segundo.  Sei que você deve estar pensando:  – “Nossa, 170 gramas é bem menos do que o prato de comida que almocei no self-service. Não tem nada de criminoso nisso, e me julgo inocente desta acusação.” Porém, o problema é mais sério. Vamos raciocinar juntos. Para nos ajudar, vou recorrer aos dados apresentados pelo relatório “Solucionar a Poluição Plástica – Transparência e Responsabilização” apresentado pelas Nações Unidas em 2019:  O Brasil produz 11 milhões de toneladas de lixo plástico por ano Cada brasileiro produz 1 kg de lixo plástico por semana Somente 145 mil toneladas de lixo plástico são recicladas 2,4 milhões de toneladas de plástico são descartadas de forma irregular 7,7 milhões de toneladas ficam em aterros sanitários Mais de 1 milhão de tonelada não é recolhida no país Ficou assustado?! Espera aí que ainda piora. Um estudo publicado na revista PLOS ONE estimou que 5 trilhões de peças de plástico, grandes e pequenas, pesando 269 mil toneladas, podem ser encontradas em todos os oceanos do mundo, mesmo nos lugares mais remotos.  Segundo os dados apresentados pela Campanha Mares Limpos no Brasil, em todo o mundo os plásticos matam cerca de 100 mil animais por ano, causando US$ 13 bilhões em danos.  Calcule o seu uso de plástico diário. Não vale mentir, hein?!  https://www.omnicalculator.com/ecology/plastic-footprint    Alguém me socorre!  Então, pensando em frear esse tsunami de plástico, as Nações Unidas (ONU) criaram no último 2/3 um plano para estabelecer o primeiro pacto global contra a poluição por plástico, descrevendo-o como “o tratado verde mais significativo desde o Acordo de Paris de 2015”.  Representantes de Estados integrantes da ONU (são quase 200 no total) conversaram por mais de uma semana em Nairóbi, no Quênia, para editar o esboço de um pacto mundial em prol de ações efetivas que busquem não só despoluir, mas também diminuir o consumo do material.  Então eu posso ficar despreocupado?!  Óbvio que não! O problema é que esse material está aqui hoje e ainda estará amanhã. No próximo ano. E nos quatro séculos seguintes. O plástico que tanto usamos demora cerca de 400 anos para entrar em decomposição. Até porque você mora em um país tropical que é o 4º maior produtor de lixo plástico do mundo, atrás apenas de Estados Unidos, China e Índia, segundo a ONU. O Brasil também é um dos que menos recicla este tipo de lixo: apenas 1,2% é reciclado, ou seja, 145 mil toneladas.  Lutando contra o inimigo Então agora é a hora de arregaçar as mangas e fazer sua parte. Você pode começar adotando práticas saudáveis e sustentáveis, como:  Recuse descartáveis em pedidos delivery;  Prefira utilizar sacolas retornáveis;  Leve uma garrafa reutilizável na bolsa;  Diga não aos canudos de plástico; Use um saco de pano ou coloque as frutas, legumes e vegetais direto na cestinha. E você, pratica o que está dizendo?  O CIVI-CO sim! Aqui na nossa Comunidade temos uma parceria com a MUSA, empresa que nos ajuda a fazer a gestão de resíduos eficiente a partir do uso inteligente da tecnologia que permite 100% de reuso do lixo. Estamos unindo forças para melhorar o impacto econômico, cívico e socioambiental ao nosso redor, garantindo a subsistência do nosso planeta.                         Conheça a MUSA!  Os resíduos do prédio do CIVI-CO são separados em 3 categorias: orgânicos, recicláveis e outros. A coleta é realizada diariamente e o lixo é levado ao destino de reuso mais adequado. E podemos acompanhar todo esse processo pelo aplicativo da MUSA. Com o Selo Musa, nossa empresa assegura que todo resíduo retorne para uma cadeia produtiva de reuso e evidencia o nosso compromisso ambiental. Venha conhecer essas e outras iniciativas da Comunidade CIVI-CO. Tome um café aqui com a gente – no copo de papel, claro!

Mulheres incríveis na Educação

Por Adriana Castro Dia 08 de março é comemorado o Dia Internacional da Mulher, uma data marcada pela luta por direitos iguais. Para celebrar as vitórias dessas batalhas, homenagearemos mulheres que nos inspiram de alguma forma em nosso dia a dia como educadoras, compartilhando bons exemplos e belas histórias.  Há séculos, as mulheres travam lutas, vencem desafios e contribuem para pensar e transformar a Educação. A presença feminina é marcante em todos os níveis de formação educacional, mas vale ressaltar que isso foi sendo conquistado paulatinamente, pois nem sempre foi assim.  As mulheres tiveram acesso à escola tardiamente e, na época, a formação era voltada para os cuidados com o lar e a família. Consegue imaginar que nós, mulheres, éramos consideradas “sexo imbecil”?  De acordo com as leis portuguesas, o sexo feminino fazia parte do imbecilitus sexus, uma categoria à qual pertenciam mulheres, crianças e doentes mentais. Faremos uma retomada rápida no contexto histórico do papel feminino na educação para evidenciar a força da mulher nesta trajetória. Nos tempos do Imperador Com a vinda da família real portuguesa para o Brasil em 1808, a educação feminina, de forma geral, continuou a mesma. Se soubéssemos cuidar do lar e pudéssemos aparecer em público sem causar vergonha ao marido ou aos pais já estava de bom tamanho. Nosso martírio estava lançado. Queríamos mais: queríamos aprender a ler, escrever e interagir com o mundo intelectual. Porém, só durante o período do Império brasileiro, as mulheres começaram a ter acesso à instrução das primeiras letras, ficando desobrigadas de cursarem o ensino secundário. Curso esse que servia para preparar os homens para o ensino superior. A Constituição de 1824, a primeira do Brasil, propunha o ensino primário gratuito extensivo a “todos” os cidadãos. Percebam que colocamos entre aspas a palavra todos. Será que sabiam o conceito etimológico, já que não consideravam as populações negra e indígena? Após a Independência surge a primeira legislação específica sobre o ensino primário, a Lei Geral de 15 de outubro de 1827, que marcou a criação de escolas de primeiras letras em todo o país, e que foi referência para a escolha da data comemorativa do Dia do Professor.   A lei tratou dos mais diversos assuntos, como a remuneração dos mestres e mestras, o currículo mínimo, a admissão de professores e as escolas para meninas. Todavia, as mulheres seguiram sendo discriminadas: não tinham acesso a todas as matérias ensinadas aos meninos, sobretudo as consideradas mais racionais, como a geometria, e deveriam aprender as “artes do lar”.  Tudo começou com elas A história continua sendo contada. Conheça algumas destas mulheres extraordinárias da Educação, que foram disruptivas para a sua época e essenciais para as nossas conquistas atuais. Nísia Floresta Brasileira Augusta (1810 – 1885)  Escritora potiguar, fundou o Colégio Augusto em 1838, no Rio de Janeiro, um dos primeiros na instrução para as meninas. Adélia Sigaud (1840 – tempo de vida desconhecido)  Cega desde criança, foi a primeira mulher brasileira a ler pelo método Braille. É triste constatar que ainda hoje seja um grande desafio em nossas escolas por falta de recursos didáticos. Ela defendeu os direitos de mulheres, indígenas e escravos, o que acabou motivando a ação de Dom Pedro II a fundar o Instituto dos Meninos Cegos (Instituto Benjamin Constant), onde tornou-se a primeira professora.  Maria Augusta Generoso Estrela (1860 – 1946)  Primeira médica brasileira, formou-se nos EUA em 1881. Por ser mulher, não poderia estudar na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, mas submeteu-se aos exames nela para validar seu diploma, conforme determinava a Reforma de 1832. Falava quatro idiomas (inglês, francês, espanhol e alemão) e estava preparada para a arguição. Sua atitude e êxito contribuíram para as mulheres ingressarem na graduação em 1879. Armanda Álvaro Alberto (1892 – 1967)  Lutou pela educação pública, gratuita e laica para todos e todas. Sendo uma mulher de atitudes, fundou a Escola Proletária de Meriti em 1921. A primeira do Brasil a ter uma biblioteca e a oferecer merenda.  Rosalina Coelho Lisboa Larragaiti (1900 – 1975)  Poeta, jornalista, ela foi a primeira brasileira enviada ao exterior em missão intelectual em 1932 e a única mulher a integrar o comitê responsável pela aprovação da radiodifusão educativa no Brasil em 1933. Nilceia Freire (1952 – 2019)  Primeira mulher a ocupar o cargo de reitoria de uma Universidade pública no Estado do Rio – Uerj, entre os anos 2000 e 2003. Durante sua gestão, implantou o projeto pioneiro de cotas para alunos de escolas públicas e afrodescendentes. Dorina Nowill (1919 – 2009)  Foi uma professora e ativista brasileira cega. Fundou a primeira imprensa Braille criou uma Organização sem fins lucrativos que promove o acesso de cegos à educação. Emília Ferreiro (1937) Psicóloga e pedagoga argentina, radicada no México, doutora pela Universidade de Genebra, e teve a orientação de Jean Piaget. O trabalho desenvolvido por Emília Ferreiro difundiu-se no Brasil por meio do Projeto Ipê, organizado por Instituições do estado de São Paulo, e pela publicação do livro “Psicogênese da Língua Escrita” (1985), obra que influenciou muitos educadores brasileiros e também os Parâmetros Curriculares Nacionais. Maria Montessori (1870 – 1952)  Primeira mulher a se formar em Medicina na Itália, foi também pioneira no campo pedagógico ao enfatizar à autoeducação do aluno frente ao papel do professor como fonte de conhecimento. Criou o método Montessori, que defende o desenvolvimento da criança por seus próprios esforços, no seu ritmo e seguindo seus interesses.   Marie Curie (1867 – 1934)  Formou-se em Matemática e Física na Universidade de Sorbonne, na França. Foi uma das mulheres a mudar a história e os rumos do estudo da radioatividade. Ganhou o prêmio Nobel duas vezes, mostrando ao mundo o valor intelectual e a contribuição que as mulheres podem fornecer à Ciência, o qual era, nessa época, de caráter quase exclusivo dos homens.  Escrevendo novas páginas Após conquistarem o acesso aos cursos superiores, as mulheres continuaram progredindo no campo da Educação, tornando-se mestras e doutoras em diferentes áreas do saber. Durante a segunda metade do século XX, a presença delas cresceu

É preciso ouvir as mulheres

Entre rosas e respeito, todo ano temos as mesmas discussões em torno do 08 de março, Dia Internacional das Mulheres. Porém, antes de tentar adivinhar o que elas querem, temos uma pergunta: você escuta as mulheres ao seu redor?  Diariamente as mulheres lutam para serem ouvidas e infelizmente são silenciadas em todos os espaços. Mesmo com pouca representatividade política, corporativa e econômica, elas resistem e mostram que o mundo contemporâneo exige uma urgente mudança de comportamentos.  Muitas atitudes e falas que eram normalizadas no passado, hoje já não são aceitas mais. Pensando nisso, o coletivo feminino do CIVI-CO se uniu para levantar o coro “não queremos mais”. Chegou a hora de entender não só o que as mulheres desejam, mas principalmente o que elas não aceitam mais.   “#NãoQueremosMais” é uma série de vídeos produzida pelo CIVI-CO para relembrar as lutas em torno do Dia Internacional da Mulher e para promover transformações no ambiente corporativo. A produção audiovisual traz depoimentos de mulheres empreendedoras de impacto cívico socioambiental da nossa Comunidade, relatando as suas experiências pessoais e profissionais em um mundo dominado pelo patriarcado. Seu objetivo é instigar uma reflexão e propor a igualdade de direitos dentro e fora das empresas, onde atitudes machistas não existam mais e as mulheres consigam exercer suas atividades com respeito e segurança. O conteúdo dos vídeos colabora para o cumprimento das metas do ODS 5, estipuladas pela ONU com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, cujo propósito é alcançar a igualdade de gênero e empoderar todas as mulheres e meninas. Acompanhe e aprenda com essas narrativas e vivências através do nosso canal do YouTube, o “CIVI-CO Play”.   ASSISTA AQUI  Leia também o nosso Manifesto “Não Queremos Mais” escrito pela Ana Luiza Prudente, diretora de Comunicação e Relacionamento do CIVI-CO: “Mesmo no dia 24 de fevereiro de 2022 celebramos os 90 anos do voto feminino no Brasil, mas nossa representatividade política hoje se resume a 15% de mulheres na Câmara Federal e 12,4% no senado federal.  No ambiente corporativo o disparate se repete. Um estudo da FGV,  Fundação Getúlio Vargas, apontou que 67% das empresas não têm mulheres diretoras. Por conta do racismo, as mulheres negras ocupam apenas 0,4% dos cargos de liderança.  Pesquisa realizada pela Pearson aponta que 74% das mulheres ainda enfrentam discriminação no mundo corporativo. E, para piorar,  76% das mulheres brasileiras já foram vítimas de violência ou assédio no trabalho, segundo estudo divulgado pelo Instituto Patrícia Galvão. No ecossistema empreendedor, menos de 5% das startups brasileiras foram fundadas somente por mulheres,  de acordo com o Female Founders Report de 2021.  Mas, ainda assim, resistimos e avançamos.  Empresas com líderes femininas têm resultados até 20% melhores.  Países liderados por mulheres responderam melhor à Covid-19.  Empreendedorismo feminino cresceu 40 % na pandemia.  O mundo mudou e a pauta da igualdade de gênero ganhou força tornando-se o Objetivo 5 da Agenda 2030 da ONU.   Os desafios são muitos, mas nós somos mais. Somos a maioria! Nós, mulheres, representamos 52% da população brasileira. E é deste lugar que me uno a todas no grito #nãoqueremosmais!  Não queremos mais sermos desrespeitadas, caladas, ignoradas, minorizadas e forçadas a abrirmos mão dos nossos direitos. Não queremos mais uma sociedade patriarcal, muito menos a desigualdade de gênero!”.

O ESG em tempos de Guerra

A guerra é uma das formas mais antigas de alavancar a economia de um país, enquanto pessoas morrem lutando nas trincheiras ou sendo vítimas inocentes. Muito dinheiro é movimentado de forma legal e ilegal. A guerra é um símbolo do velho capitalismo, fundado na exploração e no acúmulo.  Novamente o mundo está em alerta. Os conflitos ocorridos pela invasão russa na Ucrânia se intensificaram e esse acontecimento passou a ser um dos mais importantes do século XXI. Resta saber como a chamada “nova economia” irá se comportar diante deste fato.  A Nova Economia é uma expressão que define uma lógica de mercado diferente, que deixa de se concentrar em produtos para priorizar serviços. Ela se caracteriza com uma cultura centrada em pessoas, junto a impactos expressivos da tecnologia, mudanças velozes e colaboração.   Esta guerra no leste europeu será uma prova de fogo para esta tendência, que inseriu parâmetros e métricas para o ambiente corporativo e econômico.   Como os stakeholders vão reagir diante deste cenário? Será que continuarão lucrando com o terror da guerra ou irão se posicionar e propor soluções humanas e sustentáveis?  ESG de Guerrilha  “As empresas terão de tomar uma decisão. Essa é a epítome do ESG, que as empresas dizem ser a prioridade agora. Assim como as pessoas não queriam seu dinheiro investido na África do Sul durante o apartheid, você gostaria de vê-lo investido na Rússia durante a invasão brutal da Ucrânia?”, disse Fiona Hill, especialista em relações exteriores que estuda Vladimir Putin há mais de duas décadas e ex-funcionária do Conselho de Segurança Nacional dos EUA. Os parâmetros ESG podem ser um balizador determinante neste cenário. As empresas que colaborarem e lucrarem diretamente com a chamada “indústria da guerra”, certamente irão sofrer duras sanções do mercado global, que já não aceita diversas práticas.      Você sabe o que é ESG? Aprenda com o nosso ebook “ESG na Prática: o futuro do seu negócio”. Quem ganha com a guerra?  Apesar das notícias não serem muito boas, o cenário empresarial, principalmente a indústria petrolífera, tem se mostrado animador e vem pressionando a Rússia para cessar o fogo na Ucrânia.  Os pronunciamentos feitos por companhias internacionais de petróleo, antes do conflito na Ucrânia completar uma semana, indicam que a guerra vai entrar na agenda ESG. Para algumas empresas, já entrou. A primeira grande corporação a se mobilizar foi a BP (antiga British Petroleum), que anunciou a venda da sua participação de cerca de 20% na Rosneft, uma das estatais russas de gás natural. Depois foi a vez da Shell, maior empresa de petróleo da Europa, trazer a público a decisão de encerrar suas joint-ventures com a Gazprom, maior produtora de gás do mundo. A norueguesa Equinor também vai deixar a Rússia. Além de envolver reputação e cifras de bilhões de dólares, os anúncios dessas empresas atingem diretamente a exploração de combustíveis fósseis, responsável por mais de 40% das receitas do governo russo. Antes mesmo de ordenar a invasão no país vizinho, a Rússia vinha fechando a torneira de seus gasodutos que passam, justamente, pela Ucrânia. Isso fez disparar o preço do gás e gerou uma crise energética na Europa, uma vez que a Rússia é responsável por um terço do gás utilizado pelos europeus. Porém, essa é uma manobra arriscada, já que mais de dois terços da receita proveniente da venda de gás natural do país vem da Europa, de acordo com dados da Bloomberg.  Corrida por energia sustentável  A crise energética gerada pelas sanções russas tem pressionado as nações europeias a investirem em fontes renováveis. Com a alta do petróleo, como resultado da guerra, as fontes de energia solar e eólica tendem a ficar economicamente mais competitivas.  Existe também uma necessidade dos países da Europa Ocidental de reduzir a dependência energética da Rússia. A meta da União Europeia é diminuir 55% das emissões de gases de efeito estufa até 2030 (em comparação com os níveis de 1990) e atingir a neutralidade de carbono em 2050. O velho continente esbarra em condições climáticas para conseguir sua independência dos combustíveis fósseis. Mesmo sem o gás russo, a combustão continua sendo a principal fonte energética da Europa.  As importações de carvão do continente aumentaram 56% em janeiro, em relação ao mesmo mês de 2021. As termelétricas europeias estão estocando o mais sujo dos combustíveis fósseis dada a incerteza em relação ao fornecimento de gás russo. Contudo, algumas medidas estão sendo tomadas no sentido de “limpar” o consumo energético europeu:  Alemanha  Na Alemanha, uma das novas fontes energéticas prioritárias é o hidrogênio verde. O país anunciou, em dezembro passado, um programa para garantir encomendas e viabilizar a instalação de plantas de produção pelo mundo. O plano prevê investimentos de 900 milhões de euros, com contratos de fornecimento de dez anos. Inglaterra Já a Inglaterra irá apostar na energia que vem do deserto. Isso mesmo, a Xlinks está montando uma das maiores usinas renováveis do mundo no Marrocos, norte da África. Com uma área total de 1.500 quilômetros quadrados, a planta de painéis solares e cataventos ficará numa área desértica do sul do país. A eletricidade gerada pelos painéis fotovoltaicos será transmitida para a ilha por um par de cabos de 3.800 quilômetros, submersos no Atlântico Norte. Esforços em vão  Especialistas afirmam que  mesmo com a guerra provocando a aceleração do processo de adesão à energia limpa, a meta anunciada na Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas em 2021 (COP26), de atingir a chamada ‘neutralidade de carbono’ até 2050, não será alcançada. “Atualmente, o mundo não está em linha com a meta de atingir neutralidade de emissões até 2050. Muitos países ainda não estão alinhados a esta meta, incluindo China, maior emissor do mundo, com meta de neutralidade em 2060, Austrália (2060) e Índia (2070)”, pontuou Rodrigo Sauaia, presidente da Absolar. Os interesses de algumas nações ainda são obscuros e não sabemos como cada uma vai se comportar caso a guerra ganhe proporções maiores.  A redução de carbono deve ser um esforço global, onde todos os egos e interesses financeiros

O Carnaval das algas

Por Isabel Portugal No mês passado, a Devolverde, empresa que fornece serviços e produtos relacionados à horta contemporânea para reconectar as pessoas ao espaço em que vivem e à natureza, conheceu o espaço físico da Comunidade CIVI-CO na cidade de São Paulo. A visita foi um convite do Pedro Campos, CEO da The Question Mark e coordenador do Hub de Alimentação Consciente. Nossa conversa foi super produtiva e gerou alguns questionamentos sobre como criar ambientes mais sustentáveis e ressignificar o valor do alimento e da natureza. Defensores das algas Um dos objetivos da Devolverde é aproximar todes das metas estipuladas pela Organização das Nações Unidas (ONU) nos seus Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Por este e outros motivos, acreditamos que a nossa empresa está alinhada com os propósitos transformadores da Comunidade CIVI-CO.  Como especialista em Biotecnologia de Algas, fico feliz em compartilhar meu conhecimento sobre esses organismos que podem contribuir para uma alimentação mais consciente, quando utilizados de forma inovadora, no que se refere a proteínas sustentáveis e regenerativas. Você sabia que a spirulina pode ter até 57g de proteína? Que as cianobactérias são os organismos mais ancestrais do planeta Terra? E que no Brasil temos uma rede para popularizar o uso das algas?  Pois é! Esta rede de co-criação se chama PopAlgae e o seu objetivo é divulgar e tornar o conhecimento sobre as algas mais acessível, para democratizar o acesso à informação e estimular o uso destes organismos que são a base da cadeia alimentar nos ambientes aquáticos. Carnaalgas Durante o mês de fevereiro aconteceu o “Carnaalgas”, campanha que visa promover conteúdos sobre as algas e impulsionar as discussões em torno da pauta. Já existe o Dia Mundial das Algas (12 de outubro), mas o Carnaalgas foi uma forma criativa de trazer esse movimento para o Brasil. A relação das algas com o Carnaval vai desde uma bebida funcional até a possibilidade de reduzir o impacto negativo na vida dos seres aquáticos. Como, por exemplo, a cachaça feita com microalgas!  Conhecida como “Verdinha”, a bebida alcóolica funcional produzida a partir de uma microalga comercial (cloroficea) protege o cérebro contra os efeitos do álcool, por causa da ação de compostos antioxidantes presentes na alga. Somado a isso, a cachaça possui um sabor e aroma únicos e com um paladar final mais suave. A “cachaça de microalgas” foi desenvolvida pela professora Danielli Matias de Macedo Dantas da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), em parceria com o departamento de Nutrição da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).  Glitter biodegradáveis Outra relação das algas com o Carnaval é o glitter, aquelas micropartículas de plástico que deixam os foliões brilhando nas festas. O glitter tradicional impacta diretamente no acúmulo de microplástico nos oceanos e, consequentemente, na vida dos seres aquáticos.  Mas tenho uma boa notícia para vocês: já existem bioglitter disponíveis no mercado! O bioglitter tem o mesmo efeito brilhante do glitter tradicional, porém são biodegradáveis – e possuem algas na sua composição! Ou seja, o bioglitter não destrói a biodiversidade aquática. O mundo das algas é mais interessante e diverso do que podemos imaginar. Então, acompanhem as nossas redes sociais para conhecerem melhor o potencial sustentável das algas. Sigam @devolverde_of e @pop_algae lá no Instagram. *Co-fundadora da Devolverde e idealizadora da PopAlgae