Tecnologia a favor do diagnóstico social
Por Felipe Gregório* Nunca na história da humanidade se presenciou tanta solidariedade como desde o início da pandemia de COVID-19. E mesmo que o altruísmo esteja presente no coração e nas intenções de muitos, será que podemos dizer que as entregas para a parcela mais vulnerável de nossa sociedade apresentam a assertividade necessária? No início da crise pandêmica, a Florescer Brasil, empresa socioambiental de impacto e membro da Comunidade CIVI-CO, sentiu isso na pele. Frente à demanda por distribuição de cestas básicas em áreas de alta vulnerabilidade social, seus colaboradores se depararam com a resposta para perguntas como essa. Isso porque muitas das famílias as quais eram destinadas as doações sequer dispunham de acesso à água encanada em suas residências para o devido preparo dos alimentos. E foi aí que ouvimos um click! App Florescer Após dois anos de estudo, desenvolvimento, validação, aprimoramento e cocriação junto às próprias comunidades, nasceu o projeto do aplicativo Florescer (App Florescer). Partindo da prática da escuta ativa, a aplicação apresenta-se como uma plataforma social – Social as a Service (SoaS), conceito criado pela empresa – de identificação e resolução das principais dores das comunidades. Acessível via aplicativos móveis e website, a iniciativa tem como objetivo principal escutar e entender o que de fato a favela precisa, criando assim mecanismos de conexões e apresentação de soluções para essas localidades, sempre propondo a transformação de dentro para fora. Legenda: Aplicativo da Florescer identificará as principais dores das periferias brasileiras. Foto: Florescer Brasil/Divulgação Analisando o impacto Todo o acompanhamento da plataforma, assim como transparências, métricas e afins, é apresentado em tempo real para os parceiros e stakeholders. A equipe Florescer Brasil realiza a gestão do app através de um painel administrativo (backend) onde novas comunidades e prestadores de serviços (ONG’s, Institutos, lideranças e líderes de grupos) podem ser cadastradas. Legenda: Apresentação do aplicativo para representantes das comunidades. Fotos: Florescer Brasil/Divulgação A iniciativa surge não só em um momento chave de nossa sociedade e da luta por uma maior igualdade de classes, mas também pela importância da realização de um diagnóstico social, trabalho já realizado anteriormente em todas as ações e implantações da Florescer Brasil, agora na palma da mão das pessoas. Nosso propósito é realizar entregas mais assertivas e perenes, imprimindo maior sustentabilidade em todas as etapas do processo de impacto. Isso é responsabilidade socioambiental, isso é Florescer Brasil! *Fundador da Florescer Brasil.
O poder do engajamento nas Eleições
Engajamento, palavra que ganhou força com as redes sociais, mas que já faz parte da nossa vida há tempos. Engajar significa apoiar uma causa, colaborar com um propósito. Então, as Eleições de 2022 seriam um grande exemplo desse fenômeno social tão falado nos últimos tempos. No período eleitoral os candidatos estão em busca do envolvimento dos eleitores para representar causas e, se eleitos, assegurar direitos e pensar em políticas públicas. Vocês sabem por que os políticos estão em busca do seu engajamento? Porque eles sabem que o seu voto tem poder. É através das nossas escolhas nas urnas, que o futuro poderá ser construído. E não apenas o nosso voto, mas também a capacidade de influenciar outras pessoas. Comunidade engajada Sabendo da importância do engajamento, nossa comunidade realizou a trilha de eventos “Diálogos CIVI-CO”, que promoveu o debate de diversas pautas sobre as Eleições de 2022 e os direitos cívicos, sempre abordando as questões raciais nas discussões. No próximo dia 28 de setembro acontecerá o nosso último encontro, com o tema “Promova justiça social com seu voto”. Em parceria com o Coletivo Pinheiros, queremos fomentar o engajamento cidadão nesta reta decisiva das eleições. A roda de conversa terá a participação de empreendedores sociais que estão transformando o mercado de trabalho brasileiro: Débora Paiva (fundadora da Ubuntu Labs), Jennifer Rodrigues (sócia fundadora do Empreende Aí) e Rogério Nogueira (sócio fundador da AppJusto). Além desse encontro, realizamos outros dois onde falamos sobre representatividade e direitos eleitorais, trazendo para o centro da disputa eleitoral temas como diversidade, transparência e direitos humanos. Engajamento cidadão Nestas eleições, o Brasil conquistou um marco histórico: através de campanhas nas redes sociais, em 2022 teremos o maior número de jovens eleitores da história. Do total desses jovens entre 16 e 17 anos, 55% são mulheres, segundo o levantamento feito pela Girl Up Brasil, que analisou os dados fornecidos pelo TSE. Essas campanhas também têm o intuito de aumentar a representatividade na política brasileira. Por exemplo, a cada 100 candidatos eleitos, menos de 3 são mulheres negras. Pensando nisso, diversas campanhas de apoio estão sendo realizadas para fortalecer essas candidaturas de representantes minorizados, como: #VoteNelas – apoia e ajuda a divulgar candidaturas de mulheres negras. #BancadaIndigena – com uma proposta de “aldear” o congresso a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), apresentou 30 candidaturas de todas as regiões do País. #VoteLGBT – busca aumentar a representatividade e criar uma rede de apoio para candidaturas de pessoas LGBTI+. #VotoEmPreto – iniciativa da sociedade civil, que tem o apoio do CIVI-CO, destinada a potenciar as candidaturas de afro-brasileiros nas eleições de 2022. Conheça e apoie o movimento! Faça parte da mudança Junte-se a nós nesta luta democrática para aumentar a diversidade na política brasileira, transformando o nosso país em uma nação justa e igualitária. Participe do Diálogo CIVI-CO #3
Stanford Social Innovation Review lança sua primeira edição em português
Por SSIR Brasil Sexto país a entrar para o grupo de edições globais da renomada Stanford Social Innovation Review (SSIR), o Brasil lança agora a primeira edição da revista em português. Prestes a comemorar 20 anos nos Estados Unidos, a SSIR é publicada pelo Stanford PACS, Stanford Center on Philanthropy and Civil Society da Stanford University. A Stanford Social Innovation Review no Brasil é uma iniciativa da Samambaia Filantropias e da Fundação José Luiz Egydio Setúbal em parceria com a RFM Editores. Ambas as instituições atuam também como mantenedores institucionais do projeto ao lado do Instituto Humanitas360 e do Movimento Bem Maior. O apoio a uma plataforma que fala com os mais influentes agentes de mudança no mundo, e agora no Brasil, é uma forma potente de inspirar e dar suporte a uma audiência dedicada a projetos de transformação social. Dirigido por Carolina Martinez, da RFM Editores, e com Ana Claudia Ferrari como editora-chefe, o projeto prevê contribuir para o debate e aprendizado no ecossistema de inovação social com artigos traduzidos da edição americana e materiais produzidos no Brasil por pesquisadores e atores do campo refletindo sobre desafios e a diversidade (e riqueza) das soluções gestadas e implementadas em solos brasileiros. “Temos muito a realizar e para encarar o desafio de mostrar a cara de um Brasil criativo, produtor de conhecimento, solidário, vibrante, com soluções incríveis para problemas tão complexos e estruturais quanto os nossos, sabemos que é fundamental atuar em uma rede colaborativa onde se compartilham ideias e aprendizados”, afirma Carolina Martinez. “A missão da SSIR é promover, informar e inspirar o campo da inovação social, buscando, cultivando e disseminando o que há de melhor em pesquisa e conhecimento baseado na prática. O que está em total sinergia com o propósito dos nossos parceiros e interlocutores nesse projeto tão importante, significativo e urgente”, enfatiza. Na primeira edição da revista, que já está disponível para download, os artigos de destaque discutem temas como modelos de inclusão tecnológica para comunidades excluídas, riscos da violação de direitos dos povos indígenas para empresas e investidores, estratégias de transição para economia circular e muito mais. A contribuição brasileira neste número vem da equipe de Edgard Barki, professor do Centro de Empreendedorismo e Novos Negócios da FGV (FGVcenn), que traz os resultados de uma extensa pesquisa realizada com 101 empreendedores sociais da periferia no Brasil. Além do retrato da desigualdade também neste contexto, os autores apresentam caminhos para um empreendedorismo social mais plural e diverso, com maior protagonismo de empreendedores das periferias. Evento de lançamento Com plataforma no ar desde fevereiro, o primeiro número da revista será lançado em evento no próximo dia 29 de setembro no CIVI-CO, uma comunidade de negócios de impacto social em Pinheiros, na capital paulista, onde está instalada a SSIR Brasil. O evento ocorrerá a partir das 17h30 e contará com duas mesas para discutir o campo da inovação social no Brasil. Na primeira, os mantenedores falam sobre sua atuação de impacto social e da relevância de um projeto como a SSIR Brasil no ecossistema. Na sequência, Edgard Barki apresenta o artigo e a pesquisa e conversa com DJ Bola, empreendedor social, cofundador de A Banca e da Anip, a Articuladora de Negócios de Impacto da Periferia. Para garantir sua participação gratuita no evento de lançamento da Stanford Social Innovation Review Brasil, basta se inscrever no link abaixo. As vagas são limitadas. SYMPLA – Lançamento Stanford Social Innovation Review Brasil Sobre a SSIR A SSIR é uma revista e site premiados que cobrem soluções intersetoriais para problemas globais. A SSIR é escrita por e para líderes de transformação social de todo o mundo e de todos os setores da sociedade – organizações sem fins lucrativos, fundações, empresas, governo e cidadãos engajados. Com artigos online, revista, webinars, conferências, podcasts e muito mais, a SSIR une pesquisa, teoria e prática em uma ampla gama de tópicos, incluindo direitos humanos, investimento de impacto e modelos de negócios sem fins lucrativos. A SSIR Brasil tem como objetivo se tornar uma plataforma em português que aproxime a comunidade acadêmica e profissionais do terceiro setor, investimento social privado, movimentos sociais e o público mais amplo interessado em inovação social no Brasil. Com uma forte base de conhecimento e linguagem acessível, a SSIR Brasil publicará a tradução dos artigos mais inovadores da SSIR USA, SSIR edições globais, bem como artigos nacionais em diferentes formatos.
Protagonismo antirracista no 4º Cannabis Thinking
As vozes das pessoas negras foram o legado mais importante da quarta edição do Cannabis Thinking. As mesas e painéis dialogando com a proposta de tornar acessível os impactos socioambientais gerados pela cannabis trouxeram a diversidade necessária para se repensar e questionar a guerra às drogas, que mata e encarcera muitos jovens negros. As falas potentes chamaram a atenção para o caráter racista existente no proibicionismo da cannabis e apontaram, principalmente, para um futuro onde as pessoas pretas sejam incluídas e protagonistas nesse cenário de uma possível legalização, podendo ter acesso aos produtos e também empreender neste segmento. Mesmo existindo uma forte ligação na disseminação da cannabis pelo mundo, as pessoas pretas ainda sofrem com as consequências do proibicionismo. O ecossistema de negócios de cannabis ainda possui poucos negros envolvidos e em posição de liderança, estando fora até mesmo da cadeia de consumo, já que os produtos ainda são muito caros e inacessíveis para a população brasileira. “Temos avançado muito na luta contra o racismo e a desigualdade racial e não podemos deixar que essas injustiças contra jovens negros continuem acontecendo. Acredito que as regulações para o cultivo da cannabis podem gerar emprego e renda para a população negra que sofre com criminalização das periferias”, pontuou José Vicente, Reitor da Universidade Zumbi dos Palmares. A educação também foi um fio condutor destes encontros, pois é necessário repensar e utilizar a ciência e o conhecimento para desmistificar o preconceito e racismo existente em torno da cannabis. Por isso, a presença de educadores foi essencial nesta edição, que contou com nomes como o Reitor José Vicente, a pesquisadora Simone Eduardo e a educadora Janine Rodrigues, fundadora da Piraporiando. Vivência “Quando se fala de acesso no Brasil a gente ainda está falando em privilégios. Temos poucas pessoas com esse privilégio do acesso”, Janine Rodrigues. Membro da nossa Comunidade e coordenadora do Hub de Educação do CIVI-CO, Janine mediou um painel com a presença de Marcelo D2, músico, ativista e empreendedor da cannabis, que compartilhou sua vivência e sobrevivência em uma sociedade preconceituosa. “Falo como jovem favelado que sentiu na pele as dores da ilegalidade e montou uma banda para falar sobre isso e, na época, não sabia onde eu estava me metendo. Nunca pensei estar aqui hoje debatendo esse assunto. Mais do que um defensor ou ativista eu sempre me coloquei no papel de usuário e é muito interessante ver o quanto a gente avançou”, comentou D2. Judiciário O evento também foi um solo fértil para demandas legislativas e judiciais, com a presença de grandes figuras políticas e advogados, mostrando como essa luta da descriminalização da cannabis deve acontecer em múltiplas frentes. “A palavra maconha ainda tem essa carga ideológica, em um país extremamente conservador onde não se abre para discussão. Nas esferas do poder também há essa limitação. Não vemos no poder legislativo esse debate, não vemos o poder judiciário uma disposição para vencer esse preconceito”, ressaltou o Rogerio Schietti, ministro do Superior Tribunal de Justiça. Função social e acesso A parceria do Cannabis Thinking com a Universidade Zumbi dos Palmares rendeu duas grandes inovações e ferramentas para o combate ao racismo na nossa sociedade, utilizando o potencial mercado natural para seguir as metas de sustentabilidade corporativa, atualmente representadas pela sigla ESG (Environmental, Social and Governance). A Universidade falou sobre alguns projetos que já estão em prática. O primeiro deles é o programa Racismo Zero, ferramenta de combate do racismo através da educação. O segundo é a plataforma Acolhe, que busca identificar e ajudar as vítimas do racismo, inclusive com um projeto de utilização dos benefícios da cannabis para auxiliar nos traumas de vítimas de preconceito racial. O legado da quarta edição do Cannabis Thinking vai ecoar pela história, pois olhamos para o passado, buscando não repetir os erros e assim construir, juntos, soluções para um futuro transformador, mais inclusivo e com acesso à direitos iguais para todos e todas.
3 dicas para adotar produtos ecológicos em comunidade
Você talvez já tenha tido seu interesse despertado para começar a usar produtos ecológicos em casa, mas ainda esbarra na limitação de quantidade ou até mesmo na adesão das pessoas que fazem parte da sua comunidade? Esse é um desafio comum, mas dá para resolver! Começar uma jornada positiva rumo ao uso de mais produtos ecológicos na rotina, seja na limpeza ou no autocuidado, é mesmo desafiador, mas é um daqueles caminhos que despertam consciência ambiental e podem inspirar de verdade as pessoas ao redor. Está em dúvida de como fazer com que essa prática se multiplique em comunidade? Vem ver algumas dicas que a gente preparou! 1. Faça trocas aos poucos Sabe aquela esponja de plástico na cozinha da família que fica uma eternidade na pia, bem suja? Além de ela não ser higiênica, essa esponja tem microplástico e demora centenas de anos para se decompor. Em um período de apenas uma semana, as esponjas acumulam milhares de microrganismos e são destinadas ao lixo comum. Se sua família troca a esponja sintética uma vez por semana, são cerca de 52 por ano. Multiplique isso pela população da cidade, do estado, do país… É um número bem alto, certo? Que tal trocar pela bucha vegetal? Feita de um fruto e totalmente orgânica, ela pode ser compostada após o seu uso. Enquanto estiver em utilização, para tirar os restos de comida, é só fervê-la! Aos poucos, passe a trocar o detergente por um lava louças ecológico. Introduza sua família ou seus companheiros de casa a um lava roupas natural e resgate também a sabedoria de outros produtos que a gente já conhece bem, como o sabão de coco. 2. Escolha tamanhos grandes Um dos argumentos mais utilizados para dizer que é inviável trocar produtos tradicionais pelos ecológicos é o fator preço. Essa explicação, no entanto, não se sustenta. Ao pensar no custo-benefício, na durabilidade e no bem proporcionado à natureza, só se tem a ganhar! Para incentivar a comunidade e, claro, economizar, a dica é escolher tamanhos grandes. Em vez de embalagens de 1L, que tal optar por um galão de 5L? Em vez de unidades, que tal buscar por caixas com mais produtos, de acordo com a demanda que sua comunidade tem? Sem exageros, claro! 3. Compartilhe conhecimento A jornada ecológica é um caminho imperfeito, de aprendizado e de trocas que acontecem pouco a pouco, mas que visam sempre o benefício da natureza e da comunidade com que a gente convive. Pensando nisso, compartilhar conhecimento faz toda a diferença! Dar bons exemplos em relação à reciclagem, demonstrar os impactos que pequenas atitudes podem ter e, claro, consumir conteúdo de fontes confiáveis, dividindo esses saberes, faz com que a escolha por produtos ecológicos seja cada vez mais coletiva. Sozinhos somos gotas. Juntos somos oceano. E você, tem alguma dica para adotar produtos ecológicos em comunidade? *Coordenadora de mídias sociais da Positiv.a
Caridade, filantropia e voluntariado: entenda a diferença
“Enquanto a caridade se vira para os sintomas, a filantropia se ocuparia das causas”. A frase de Benjamin Soskis tenta, em poucas palavras, diferenciar duas importantes ferramentas para a redução das desigualdades no planeta, gerando impacto e criando redes de apoio em prol da igualdade e justiça social. A caridade e a filantropia aliadas ao voluntariado são motores de transformação, onde cada um desses termos cumpre uma função específica. Mas, afinal, você sabe o que eles significam? Muitas vezes é confuso delimitar e classificar cada uma dessas palavras. Porém, é fundamental entender as suas diferenças. Caridade Inicialmente, a caridade é incentivada por um impulso sentimental, que busca eliminar o sofrimento causado pelos problemas sociais. Filantropia Já a filantropia mira na eficiência do processo de transformação social, focando na eliminação ou redução dos problemas em si através de estratégias de mudança efetiva e investimentos sociais. A filantropia ainda é um conceito em desenvolvimento no Brasil. Voluntariado No serviço voluntário, a pessoa dedica seu tempo, de maneira espontânea, executando uma atividade não remunerada. O voluntariado pode ser focado tanto na redução dos sofrimentos (caridade) quanto nas mudanças estruturais (filantropia). De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), “voluntário é o jovem ou o adulto que, devido a seu interesse pessoal e ao seu espírito cívico, dedica parte do seu tempo, sem remuneração alguma, a diversas formas de atividades, organizadas ou não, de bem estar social, ou outros campos”. Voluntariado no Brasil A Pesquisa Voluntariado no Brasil é um mapa elaborado pelo Datafolha e o Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (IDIS), que faz parte de uma série histórica traçando o panorama das últimas duas décadas de voluntariado no país. De acordo com esse estudo, lançado em 2021, 56% dos brasileiros realizam ou já realizaram alguma atividade voluntária. Isso representa mais que o dobro de 2011, quando o índice era de 25%. O mapa levantou diversos dados sobre o trabalho voluntário no país. Veja o perfil do voluntário brasileiro: A maioria continua para as mulheres, ainda que com uma diferença ligeira, elas permanecem na frente, e fica a provocação para discutirmos o voluntariado dentre os outros gêneros minoritários que cada dia ganham mais representatividade. A maioria se autodeclarada: 36% branca – 36% parda A idade média do voluntário brasileiro está entre 39 e 43 anos. Em termos de escolaridade, nos últimos anos o percentual de voluntários com ensino médio completo e com ensino superior cresceu, enquanto o número de voluntários com ensino fundamental e médio incompleto caiu pela metade. A renda média da maioria dos voluntários é de até 2 salários mínimos, sendo 76% pessoas economicamente ativas. Filantropia nas favelas A Iniciativa PIPA tem como principal missão contribuir para democratizar o acesso ao investimento social privado, transformando a filantropia no Brasil a partir da potência e pluralidade das nossas favelas e periferias. A estratégia da iniciativa é construir um mundo em que os recursos filantrópicos e privados sejam acessíveis às organizações, aos coletivos e aos movimentos de base favelada e periférica de maneira ampla e equitativa em termos de raça, gênero e classe. Conheça a Iniciativa PIPA Protagonismo feminino O Fundo Agbara foi criado em 2020 para apoiar mulheres negras, grupo demográfico mais afetado pela crise econômica gerada pela pandemia, e se tornou o primeiro fundo desse tipo no Brasil. A organização sem fins lucrativos, de impacto social, tem como missão lutar por dignidade humana e equidade racial e de gênero, e acaba de entrar para a Comunidade CIVI-CO. Promovendo emancipação, geração de renda, inclusão produtiva e desenvolvimento comunitário, o fundo não realiza ações de caridade, uma vez que sua concepção teve como premissa a elaboração de ações contínuas de combate ao racismo institucional e estrutural. Toda a articulação acontece por meio da criação de editais que contemplem, com aportes financeiros, capacitações técnicas e políticas-cidadãs para as mulheres negras de todo o Brasil, bem como a mensuração e avaliação dos impactos sociais gerados pelos programas. A cada ano, o Fundo Agbara realiza quatro programas que atendem mais de 300 mulheres. Em alguns casos, o acompanhamento é feito de forma mais próxima com duração de até seis meses. Conheça e participe dos programas do Fundo Agbara Uma filantropia Maior Fundado em 2018, o Movimento Bem Maior é uma organização social sem fins lucrativos, membro da Comunidade CIVI-CO, que tem como objetivo fortalecer o ecossistema filantrópico do Brasil. Investindo, apoiando e capacitando iniciativas que atuam nas raízes da desigualdade social brasileira, o movimento cria parcerias e tece redes para promover a cultura de doação e multiplicar o impacto positivo em causas da nossa sociedade. O Futuro Bem Maior é o programa de fortalecimento de iniciativas de impacto comunitário do Movimento Bem Maior. Neste quarto edital, serão selecionadas 45 organizações sociais e coletivos de todo o Brasil, com o objetivo de impulsionar os processos de gestão e ampliar o impacto nos territórios onde atuam. Saiba mais sobre o Futuro Bem Maior
Saúde mental e voluntariado corporativo
A pandemia causou muitos impactos na saúde mental das pessoas. A Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que, globalmente, a depressão e a ansiedade aumentaram mais de 25% apenas no primeiro ano da pandemia. As mudanças nos modelos de trabalho, como a alteração brusca para o home office, foram um dos diversos fatores que influenciaram a saúde mental dos trabalhadores. Muitas pessoas enfrentaram desafios com o novo modelo, como: falta de contato humano; dificuldade em separar momentos de trabalho e de lazer e, consequentemente, trabalhar mais; necessidade de conciliar novas responsabilidades. Os casos de Síndrome de Burnout, caracterizada por sintomas decorrentes de um esgotamento profissional, também cresceram muito recentemente. De acordo com uma pesquisa da LHH do Grupo Adecco, 38% dos entrevistados dizem ter sofrido Burnout ao longo de 2021. Esse aumento no número de casos de Burnout vem preocupando as empresas, que buscam soluções para melhorar a saúde mental de seus colaboradores. Como as empresas podem ajudar a prevenir problemas de saúde mental? Quando os colaboradores da empresa estão mentalmente saudáveis, a equipe torna-se mais motivada e produtiva, e o ambiente de trabalho fica mais agradável. Existem algumas ações voltadas para saúde mental que as empresas podem e devem promover: Disponibilizar sessões de psicoterapia, além da conscientização sobre tratamento psicológico para diminuir os tabus existentes; Oferecer benefícios que incentivam a atividade física e um estilo de vida mais saudável; Garantir um canal aberto e ativo de feedback; Realizar eventos voltados para a saúde mental (de palestras a aulas de yoga); Adotar uma cultura acolhedora e treinar as lideranças; Realizar ações que movimentam a rotina de uma maneira diferente e geram intervalos saudáveis no trabalho, como o voluntariado corporativo. Uma solução alternativa: trabalho voluntário O voluntariado corporativo, além de beneficiar diretamente o público-alvo das ações, também traz benefícios para quem o pratica. E, de fato, colaboradores que dizem trabalhar com um senso de propósito possuem níveis 5 vezes mais altos de bem-estar no trabalho. “O voluntariado é um gerador de saúde física e mental em toda a sua cadeia de valor. As pessoas se desenvolvem e se sentem úteis; compartilham conhecimento e habilidades; tornam-se produtivas, pró-ativas e protagonistas de atividades para o bem comum; e relacionam-se com outras pessoas e realidades”, afirma Silvia Naccache, consultora em voluntariado. Quebra na rotina cansativa de trabalho O trabalho voluntário, mesmo que seja remoto e de perfil administrativo, simboliza uma atividade diferente do dia-a-dia corrido e de alta demanda de produtividade do ambiente corporativo. Sentimento de satisfação Fazer o bem faz bem. Dedicar-se a causas com as quais se identifica e ver o impacto que você pode causar na vida de outras pessoas traz um sentimento de pertencimento e de satisfação, até mesmo de satisfação pessoal por ter tomado a iniciativa de fazer a diferença. Interação e networking fora do ambiente de trabalho O voluntariado corporativo traz consigo a oportunidade de conhecer novos colegas de trabalho e até mesmo de interagir com conhecidos em um contexto mais informal, sem cobranças e competitividade. O voluntário coloca em prática habilidades que não são usadas no dia-a-dia O voluntariado pode ser uma ótima oportunidade para explorar habilidades que o colaborador não consegue mostrar nas demandas profissionais, aumentando a autoestima e a autoconfiança do voluntário. Reconhecimento social e no ambiente corporativo A pessoa que se engaja com causas socioambientais é vista como altruísta e com vontade de ajudar os outros, de modo que passa a ter maior reconhecimento dentro do ambiente de trabalho. A Alia acredita que o voluntariado corporativo transforma vidas. A Alia é uma solução para ampliar o impacto socioambiental das empresas através do voluntariado corporativo. Mapeamos os interesses e necessidades de cada empresa e de seus colaboradores. Através de uma rede de organizações sociais, implementamos, acompanhamos e mensuramos a experiência do voluntário.
Pelo Direito ao Cultivo e à Saúde
A Cultive – Associação de Cannabis e Saúde realizou a sétima edição do “Curso de Plantio e Extração de Canabinoides para Fins Medicinais” nos dias 3 e 4 de setembro, no teatro Sérgio Cardoso, em São Paulo. O evento teve o objetivo de suprir as carências provocadas pelo proibicionismo acerca da cannabis medicinal, que provoca a privação do direito à saúde dos pacientes. A iniciativa buscou compartilhar conhecimentos e informações sobre a cannabis e o seu uso terapêutico. O curso reuniu diversos profissionais da área como médicos, farmacêuticos, pesquisadores, neurocientistas, profissionais do setor de ciências sociais, além de advogados, agrônomos e cultivadores, que conversaram e construíram conteúdos com responsabilidade para aqueles que necessitam desta terapia. Cultivando esperança Nascida em 2016 na luta pelo acesso aos medicamentos à base da planta, a Cultive é formada por pessoas que se uniram solidariamente. A associação realiza atividades educativas e pedagógicas com o objetivo de disseminar os benefícios terapêuticos da cannabis e ampliar o acesso para aqueles que poderiam se beneficiar da planta para o tratamento de suas enfermidades. A entidade não possui fins lucrativos e tem a missão de favorecer a produção de cannabis por seus integrantes, a fim de assegurar o direito ao acesso pleno à saúde através do autocultivo. Cidinha Carvalho, fundadora da associação, conta que a Cultive foi a primeira instituição em São Paulo a ministrar cursos sobre cannabis para pacientes, familiares e profissionais da saúde: “Com a UNIFESP (Universidade Federal de São Paulo) queremos mostrar que é possível ter a autonomia de produzir nosso próprio remédio, além de construir uma regulamentação justa para todos.” O evento teve o apoio de diversas organizações e empresas que lutam pelo antiproibicionismo e com o fim da guerra às drogas no Brasil, a exemplo: Instituto Humanitas 360, Rede Reforma, CIVI-CO, Revivid Brasil e a Flower Made Co. Cronograma do curso – Etnobotânica da Cannabis – Farmacocinética e Farmacodinâmica da Cannabis – Controle de qualidade dos extratos do óleo de cannabis e extração – Cuidados em psicologia e práticas de Redução de Danos – – Transparência, uso dos recursos – Aplicações terapêuticas – Cannabis na Dor, prescrição e dosagem – Apresentação de estudo: Canabinoides para Alzheimer – História da Política de Drogas – Regulação e Reparação: novos rumos para a política de drogas – O Caminho da Justiça Social: cultive seus direitos – Cannabis, agroecologia e Farmácias Vivas – Aspectos agronômicos do cultivo da Cannabis – Cultivo em ambiente externo; doméstico e em pequenos espaços Outros eventos O Cannabis Thinking 2022 acontecerá nos dias 16 e 17 de setembro, no prédio do CIVI-CO, e reúne a maior comunidade de pensadores da cannabis. O evento é promovido pelo The Green Hub, ecossistema de negócios voltados à indústria da cannabis medicinal e industrial e membro da Comunidade CIVI-CO. Veja como foi a edição passada: A quarta edição do Cannabis Thinking traz o tema “Legado”, abordando os impactos do mercado da cannabis ao redor do mundo. A proposta é dialogar sobre como o mercado da cannabis pode apoiar lideranças e negócios que promovem impacto positivo. Você poderá acompanhar tudo através da transmissão ao vivo nas redes sociais.
Caminhando em seus sapatos
Por Intermuseus A partir de 27 de agosto, os paulistanos podem visitar uma das exposições que emocionou milhares de pessoas em todo o mundo. Em cartaz na Casa das Rosas, instituição da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo, gerenciada pela Poiesis – a mostra “Caminhando em seus sapatos” convida o público a se colocar no lugar de outras pessoas, conhecendo a sua história e especificidade das experiências e visões de mundo de cada indivíduo como parte de uma cultura democrática e pluralista. A instalação fica no jardim do museu, que será ocupado por uma grande caixa onde cada um escolhe uma caixa de sapatos real e, calçando-os, será direcionado para uma caminhada imersiva durante a qual escuta o depoimento da pessoa a quem o acessório pertenceu. Para a edição brasileira, foram captados 26 depoimentos – produzidos pelo Intermuseus, com curadoria realizada em conjunto com o Fundo Brasil de Direitos Humanos, o Instituto Alana e o Núcleo de Antropologia Urbana da USP e o programa Criamundi –, que refletem dilemas e questões representativas de pessoas de diferentes idades, origens, classes sociais, gêneros e etnias. Dentro desse contexto, provoca o público a exercitar a empatia e sua conexão com os direitos humanos e o reconhecimento e respeito às diferenças. A instalação propõe a ressignificação de valores pessoais por meio de histórias e dilemas reais – incluindo-se perdas, superação, luto, amor, preconceitos, exclusões, desigualdade social –, que muitas vezes passam despercebidas no cotidiano do participante. Dentre os depoimentos, surgem histórias como a de Adriana, jovem mulher que luta contra a gordofobia, assim como a de um pai de uma jovem transexual que relata a sua trajetória de sofrimento e aceitação diante do fato, e a de um refugiado político congolês que compartilha suas dificuldades e aflições em relação à família e seu processo de adaptação no Brasil, abordando temas como reinserção profissional, multiculturalismo e amizade. Questões sobre maternidade, adoção e família são levantadas no depoimento de uma mãe que resolve adotar uma criança, como também adversidades enfrentadas por uma líder do movimento por moradia em São Paulo ou por uma mãe que perdeu o filho assassinado pela polícia, e por um ex-presidiário sobrevivente do Pavilhão 9 do Carandiru, também são reveladas nessa caminhada em direção a empatia e o sentimento de coletividade. Segundo Andréa Buoro do Intermuseus, “mais do que nunca o incentivo ao exercício da empatia nos parece imprescindível pois, ao provocar uma escuta atenta do outro, nos provoca a reconhecermos que somos parte de um universo maior, de nossa humanidade “. “Este é o princípio dessa exposição que procura provocar o público a olhar o mundo a partir dos olhos (e sentimentos) de outras pessoas. É um convite a pensar de maneiras diversas a realidade em que vivemos para, cada vez mais, estabelecer o diálogo entre diferentes indivíduos, experiências de vida e grupos sociais diversos”, completa Andréa. A exposição ocorrerá na Casa das Rosas, de quarta a domingo, das 10h às 19h, com visitas agendadas pelo Sympla. Às terças-feiras, o coletivo de educadoras “Oquecabeaqui?” irá circular com uma unidade móvel levando parte da instalação para escolas da cidade. Sucesso na última edição realizada no Parque do Ibirapuera em 2017, a instalação recebeu 9 mil pessoas durante seu período de exposição. Este é um projeto que conta com o benefício da Lei Federal de Incentivo à Cultura. Patrocínio Grupo Carrefour Brasil, WTW, BrPartners e ICC, realização Empathy Museum e Intermuseus, apoio Casa das Rosas, Poiesis Gestão Cultural e Secretaria Especial de Cultura e Ministério do Turismo. Colagem como expressão No dia 21 de setembro, das 14h às 15h, o Núcleo de Ação Educativa do museu Casa das Rosas realizará uma oficina que pretende dialogar com a exposição Caminhando em seus sapatos. “A Colagem como Movimento de Ruptura e Expressão”, iniciará com uma roda de conversa sobre o assunto da empatia e o tema estará presente durante todo o desenvolvimento da atividade. Os interessados poderão se inscrever no site do museu. Sobre o Intermuseus O Intermuseus é uma associação civil, sem fins lucrativos, que idealiza, desenvolve, estimula e fortalece ações no campo museológico, cultural e social que visam impacto positivo e transformação social. Defendendo a atuação das organizações culturais como estratégica no enfrentamento dos desafios da sociedade contemporânea na construção de uma cultura democrática com o desenvolvimento social, ético e sustentável, seus projetos buscam o reconhecimento da diversidade e o diálogo por meio da participação e criação coletiva. Sobre a Casa das Rosas A Casa das Rosas – Espaço Haroldo de Campos é um museu dedicado à poesia, à literatura, à cultura e à preservação do acervo bibliográfico do poeta paulistano Haroldo de Campos, um dos criadores do movimento da poesia concreta na década de 1950. Localizada em uma das avenidas mais importantes da cidade de São Paulo, a Avenida Paulista, o espaço realiza intensa programação de atividades gratuitas, como oficinas de criação e crítica literárias, palestras, ciclos de debates, exposições, apresentações literárias e musicais, saraus, lançamentos de livros, performances e apresentações teatrais. O museu está instalado em um imponente casarão, construído em 1935 pelo escritório Ramos de Azevedo, que na época já tinha projetado e executado importantes edifícios na cidade, como a Pinacoteca do Estado, o Teatro Municipal e o Mercado Público de São Paulo. Sobre o Museu da Empatia / Empathy Museum O Empathy Museum é um projeto internacional, sediado em Londres, concretizado por meio de uma plataforma virtual na internet, de diversos planos participativos e de ações artísticas pautadas em histórias de vida. Lançado em 2015 como uma série de instalações expositivas circulantes, o museu foi idealizado pela artista e curadora Clare Patey, em colaboração com o filósofo e escritor Roman Krznaric, e produzido pela Artsadmin. Entre as experiências concebidas pelo Empathy Museum constam as ações Human Library, A Thousand and One Books e A Mile in my Shoes, esta última sendo a instalação a ser apresentada no mês de agosto no Brasil. Serviço: Caminhando em seus sapatos… Local: Jardim da Casa das Rosas
Política só existe com diversidade
“Em um país onde mais de 50% da população é negra, deveria ser natural que a maioria dos candidatos não fossem brancos, mas quando isso acontece aqui no Brasil vira um fenômeno”, alerta Simone Eduardo, coordenadora da plataforma “Acolhe” e pesquisadora na Universidade Zumbi. O segundo evento “Diálogo CIVI-CO” foi uma aula social e histórica sobre a representatividade nas eleições no Brasil. A chamada “democracia racial” foi exposta e discutida pelos presentes que apresentaram diversos fatores explicando a falta de diversidade na política brasileira. A conversa entre os membros da Comunidade CIVI-CO e os convidados, Giovanni Harvey (diretor-executivo do Fundo Baobá) e Simone Eduardo (pesquisadora na Universidade Zumbi dos Palmares), apontou para questões estruturais que afetam a falta de representação racial e de gênero na política brasileira. Essa discussão surgiu em um momento importante, pois essa foi a primeira vez que o número de pedidos de registro de candidatos negros junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) superou o de candidatos brancos, de acordo com a classificação do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Segundo o TSE, foram registradas 14.015 candidaturas negras (49,57%) e 13.814 brancas (48,86%) para as eleições gerais deste ano. Entre os negros, são 3.936 pretos (13,92%) e 10.079 pardos (35,65%). Novos rumos Ainda segundo os dados de registro de candidaturas do TSE, este ano tivemos um aumento no número de mulheres que se candidataram. A porcentagem é a maior em 2022 na comparação com 2018 e com 2014. Número de mulheres candidatas: 2014 = 8.139 2018 = 9.221 2022 = 9.353 Percentual da participação de candidatas mulheres nas últimas eleições gerais: 2014 = 30,99% 2018 = 31,6% 2022 = 33,27% Candidatas pretas O número de candidatas autodeclaradas pretas também cresceu em comparação a 2018 e 2014, ano em que a autodeclaração racial foi instituída. Candidatas que se autodeclararam pretas: 2014 = 835 2018 = 1.238 2022 = 1.696 Nesta eleição, 18,13% das candidaturas femininas serão de mulheres autodeclaradas pretas e 0,88%, de mulheres autodeclaradas indígenas. Candidatas indígenas O maior aumento aconteceu entre candidatas indígenas. Comparado às eleições de 2018, o número de candidatas indígenas cresceu 67,35%, passando de 49 para 82. Já em relação a 2014, o número atual é quase o triplo: a alta foi de 182,76% (foram 29 naquele ano). Fortalecendo campanhas Existe, sim, uma grande importância desses números. Porém, por si só, eles não asseguram uma maior diversidade na política. É preciso pensar onde estão distribuídos esses candidatos e candidatas, como são realizadas essas campanhas e qual a visibilidade que eles e elas têm dentro de partidos e legendas. Por exemplo, a cada 100 candidatos eleitos, menos de 3 são mulheres negras. Pensando nisso, diversas campanhas de apoio estão sendo realizadas para fortalecer candidaturas de representantes minorizados, como: #VoteNelas – apoia e ajuda a divulgar candidaturas de mulheres negras. #BancadaIndigena – com uma proposta de “aldear” o congresso a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), apresentou 30 candidaturas de todas as regiões do País. #VoteLGBT– busca aumentar a representatividade e criar uma rede de apoio para candidaturas de pessoas LGBTI+. #VotoEmPreto – iniciativa da sociedade civil, que tem o apoio do CIVI-CO, destinada a potenciar as candidaturas de afro-brasileiros nas eleições de 2022. Apoie o movimento! Faça parte da mudança A trilha de eventos “Diálogos CIVI-CO” promove o debate de diversas pautas sobre as Eleições de 2022 . Os encontros são realizados pelo CIVI-CO, em parceria com o Coletivo Pinheiros, e têm objetivo de fomentar o engajamento cidadão. Junte-se a nós nesta luta democrática para aumentar a diversidade na política brasileira, transformando o nosso país em uma nação justa e igualitária.