Assista ao Visita CIVI-CO: Paiter Suruí

“Vamos transformar o Brasil em um grande líder em sustentabilidade!” – Almir Suruí, Cacique Geral dos Paiter Suruí. A segunda temporada do “Visita CIVI-CO” desembarcou no território Indígena Sete de Setembro, em Cacoal (RO). Nessa jornada pela Amazônia, conhecemos e aprendemos com o impacto gerado por essa comunidade que possui uma extensa articulação na bioeconomia. Os Suruí de Rondônia se autodenominam Paiter, que significa “gente de verdade” na língua tupi-mondé. Atualmente ocupam uma área de 247 mil hectares. A comunidade liderada pelo Cacique Almir Suruí precisou se reinventar para garantir e assegurar sua existência ao longo dos anos e hoje é referência em inovação. [embedyt] https://www.youtube.com/embed?listType=playlist&list=PLOufRo26TWGvDJACeyHEaZ7dr2rstmK4p[/embedyt]   Venha visitar com a gente “Visita CIVI-CO” é uma série produzida a partir de visitações às organizações e iniciativas de impacto cívico socioambiental pelo Brasil invisibilizado. Após a primeira temporada gravada no G10 Favelas em Paraisópolis, a segunda traz as narrativas da comunidade do Povo Paiter Suruí e a relação deles com a natureza e a bioeconomia. Nosso objetivo é desmistificar a proposta de negócio de impacto como um modelo elitista, provando que os ecossistemas indígenas também desenvolvem soluções e inovações transformadoras. Em três episódios publicados semanalmente no YouTube, vamos ampliar essa conversa e conhecer mais essas iniciativas. Metareilá “local de reunião” O povo Paiter Suruí só teve contato oficial com os não-indígenas em 1969. Essa aproximação trouxe profundas mudanças sociais na comunidade.  Antes do contato, existiam mais de 5 mil Paiter Suruí. Depois, esse número foi reduzido para aproximadamente 290 indígenas e quase foram extintos. Em 1989, preocupados com a longevidade da comunidade, as lideranças criaram a Organização Metareilá para combater a atividade madeireira ilegal, escolhendo representantes compromissados com a defesa do meio ambiente. Metareilá significa “local de reunião”. A Organização incentiva alternativas econômicas sustentáveis, faz articulações com organizações nacionais e internacionais e busca apoiadores que se identificam com as causas socioambientais. Em 2007, os Paiter Suruí também implementaram um Projeto de Crédito de Carbono Florestal para preservar a floresta e desenvolver um Plano de Vida para os próximos 50 anos. O Projeto irá financiar atividades de proteção e fiscalização através de pagamentos por serviços ambientais, como a comercialização de créditos de carbono. Assista ao Visita CIVI-CO! Descubra mais: www.paiter-surui.com

Ressignificando traumas

Por Natureza Conecta Todos os anos milhares de crianças e jovens passam por experiências traumáticas. Elas sofrem abusos, violências domésticas, opressões étnicas e são torturadas. Aliás, você leitor, deve se perguntar: quem nunca viveu um trauma? Vamos começar pela definição. É importante dizer aqui, que vamos abordar traumas psíquicos e não físicos. A psicologia clínica define um trauma ou psicotrauma como uma agressão externa à integridade psíquica. A definição não se refere ao estado de risco à vida, mas sim ao dano emocional causado pela experiência. O que nos leva a pensar que, não é o fato que ocorreu que define os efeitos do trauma, mas a intensidade subjetiva com a qual foram vivenciadas. Isto é, cada indivíduo tem a sua interpretação do trauma. Há elementos que contribuem para o impacto causado por um trauma, como quando, por exemplo, quem ocasionou é alguma pessoa muito próxima. Existe uma rede de apoio para o pós-traumático e as habilidades internas de enfrentamentos de cada um. Dados esses elementos, sabemos que a maior preocupação é com crianças e jovens, uma vez que ainda estão em fase de desenvolvimento e são muito mais vulneráveis a situações como essas. Mesmo após anos, os traumas não superados podem desencadear sintomas graves e prejudicar o desenvolvimento da criança, podendo gerar tanto distúrbios psíquicos, quanto dificuldades no aprendizado. Especialmente na adolescência, os traumas infantis não superados podem ocasionar problemas comportamentais. Neste momento, a vítima pode se tornar um AGRESSOR. A natureza cura Com o objetivo de apoiar crianças e jovens no processo de superação de traumas nasceu o Natureza Conecta. Nosso trabalho é trazer o poder de cura da natureza e dos animais por meio de um programa terapêutico pedagógico que compreende na terapia assistida por animais e na pedagogia do trauma. Nossa missão é combater a desigualdade social oferecendo a população em situação de vulnerabilidade social tratamento para saúde mental, possibilitando a melhoria de seu bem-estar, diminuindo transtornos mentais e apoiando a ressignificação das vivências para uma mudança positiva perante à vida. Saiba mais sobre a gente lá no nosso site e nos acompanhando nas redes sociais @_naturezaconecta.

A articulação brasileira na COP 27

Começou no último domingo (06) a conferência da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre mudanças climáticas, a COP 27, sediada em Sharm el-Sheik, no Egito. E o Brasil estará no centro das pautas debatidas. A comitiva brasileira desembarca no evento em grupos distintos e levantando bandeiras importantes nessa luta climática. Desta vez, o Brasil entra com expectativa de chegar à mesa de negociações com foco no diálogo, em busca de ser reinserido nas soluções climáticas mundiais, atuação da qual ficou afastado politicamente nos últimos anos. Mas para acompanhar esta articulação precisamos ficar atentos a três grupos brasileiros específicos que estarão na COP 27: Brazil Climate Action Hub – o pavilhão inclui ambientalistas e cientistas e busca dar visibilidade para ações que esses grupos propõem contra a mudança climática, na contramão do discurso oficial. Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) – associação nacional de entidades que representam os povos indígenas do Brasil e que busca mobilizar os povos e organizações indígenas do país contra as ameaças e agressões aos direitos indígenas. Comitiva do Presidente Luís Inácio Lula da Silva – acompanharão o presidente eleito, a deputada federal eleita e ex-ministra do Meio Ambiente de governos petistas anteriores, Marina Silva (Rede Sustentabilidade) e a senadora Simone Tebet (MDB-MT), além de outros aliados que irão compor o futuro governo. Afinal, o que é a COP 27?  Criada em 1995, a Conferência das Partes (COP) chega à 27ª edição em 2022. Ela é uma reunião entre países-membros da ONU voltada à mudança climática, em que os participantes debatem soluções comuns para os desafios do clima, podendo criar novos acordos e acertos ambientais e buscando combater o aquecimento global. Chefes de Estado, ministros e diplomatas que se envolvem nas principais negociações sobre o tema são convidados para o evento. Mais de 90 estadistas devem ir ao encontro no Egito. Também costumam participar representantes do setor privado e da sociedade civil, ativistas e estudiosos que comparecem a reuniões e debates paralelos. A COP é realizada pela UNFCCC, a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças do Clima, grupo de 196 países, criado em 1992, com o objetivo de estabelecer compromissos globais para o combate ao aquecimento global, diante da intensificação do problema e de seus efeitos nas últimas décadas. Confira a programação completa da COP 27 Participação brasileira Mesmo sendo um encontro de estadistas, e o Brasil estando no centro das atenções principalmente por conta da Amazônia, o presidente Jair Bolsonaro não comparecerá à COP pelo segundo ano consecutivo. O Governo Federal deverá marcar presença apenas com o ministro Joaquim Leite. Em contrapartida, o Consórcio da Amazônia Legal, grupo oficial composto pelos governos estaduais do Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins e Maranhão, estará presente na edição deste ano. Veja os destaques da COP do ano passado O público esperado para a COP 27 é de 20 mil pessoas. Além das representações governamentais, ao todo serão 12 dias de debates com ampla participação brasileira em todos eles. Acompanhe alguns perfis que farão a cobertura da COP27: 🌏 @youthclimateleaders 🌏 @imazonoficial 🌏 @plataformacipo 🌏 @cop27_egypt 🌏 @souamandacosta

Economia Circular: entenda sua importância

Por Ana Beatriz Ferreira* Pensar os processos de relacionamentos entre seres humanos, consumo, meio ambiente, sociedade e economia de forma cíclica, que tenha a preservação dos recursos e o bem-estar como objetivos finais, é o que caracteriza a economia circular. Diferentemente de uma economia linear, como o modelo com que a sociedade está mais habituada hoje, em que os processos de extração, transformação, consumo e descarte geram um volume gigantesco de resíduos no planeta, a circularidade busca o reaproveitamento dos recursos, que se tornam matéria-prima para novos produtos e materiais. Quer saber mais sobre o conceito e entender a importância dele diante dos desafios climáticos e ambientais que enfrentamos em comunidade? Continue a leitura a seguir! Vantagens da economia circular em relação à economia linear Ao falar em economia linear tradicional, o incentivo ao consumo desenfreado, sem pensar em soluções para reaproveitamento dos materiais e reciclagem, faz com que o meio ambiente sofra impacto direto, tornando-se reservatório de lixo e de embalagens que não tiveram planejamento para integrarem uma cadeia cíclica. A economia circular, por outro lado, de acordo com informações da Ellen Macarthur Foundation, “constrói capital econômico, natural e social”, baseada na eliminação de resíduos desde o início da produção, na manutenção de produtos em uso e na regeneração de sistemas naturais. Ela funciona, assim, como um convite à reflexão e à mudança de perspectivas para gerar novas oportunidades econômicas e assegurar um espaço socioambiental equilibrado, em que as atuais e futuras gerações possam se desenvolver em sinergia com o meio ambiente.   Ação ligada ao “Novembro Consciente”, em que cada compra na nossa loja representou uma nova muda plantada na Mata Atlântica. Fotos: Positiv.a/Acervo Como colocar a economia circular em prática Pensar em circularidade envolve também temáticas como bioeconomia e Cradle to Cradle, uma ideia que, traduzida para o português, pode ser chamada de “do berço ao berço”. Concebida pelo arquiteto americano William McDonough e pelo engenheiro químico alemão Michael Braungart, ela preconiza a lógica em ciclo de criar e reutilizar produtos, um desafio para empresas que começam a se desenvolver e buscam um modelo de negócios viável, apoiado por impacto positivo. Para quem não está à frente de um negócio, ainda assim, é possível apoiar iniciativas circulares e consumir delas a fim de mudar comportamentos de mercado e multiplicar práticas de consumo consciente. Para isso, listamos algumas dicas: Evitar ou minimizar o consumo de produtos que usem plástico virgem, na composição ou em suas embalagens. Dar preferência a pequenos produtores e a negócios locais, que tenham logística é uma forma de operar ainda mais circular. Conhecer as origens do que consome, buscando por certificações da empresa, a fim de se informar sobre suas práticas e garantir que seja um negócio transparente. Na positiv.a, algumas certificações de relevância, nesse caso, são o selo de Agricultura Familiar, certificação juntamente ao Sistema B e o compromisso com a Ellen Macarthur Foundation. Informar-se a respeito das políticas afirmativas de diversidade, assegurando que não somente a empresa tenha um compromisso ambiental, mas também responsabilidade social. Dar os primeiros passos rumo a essa mudança pode ser desafiador, mas é certo que é imprescindível para garantir que a transformação esteja em curso. Para convidar mais pessoas a conhecerem e a refletirem sobre economia circular com você, não deixe de compartilhar esta publicação em suas redes sociais! *Coordenadora de mídias sociais da Positiv.a.

Halloween dos negócios de impacto

Assombrações não existem somente em filmes de terror. Apesar de temas como ESG e ODS estarem cada vez mais presentes nas pautas organizacionais, muitos dos desafios mal assombrados precisam ser debatidos e exorcizados nesses espaços durante o ano todo, não só no Dia das Bruxas. O mais recente Mapa de Negócios de Impacto, lançado em 2021 pela Pipe.Social, analisou um total de 1.272 negócios de impacto operacionais no Brasil. A pesquisa revelou que 60% têm até cinco anos de existência e se encontram nas etapas iniciais de desenvolvimento. Essas assombrações atrapalham o crescimento e a longevidade de negócios de impacto, descredibilizando instituições, pulverizando boas ações e reduzindo muitas vezes só à ganhos financeiros, além de esvaziar todo o propósito por trás dessa construção. O CIVI-CO vai te guiar por essa jornada fantasmagórica e ajudar a identificar e combater alguns desses monstros. Vem com a gente! Greenwashing Verde assim como o monstro do pântano, o greenwashing é um termo em inglês que pode ser traduzido como “lavagem verde”. Ele é praticado por empresas, indústrias públicas ou privadas, organizações não governamentais e até governos. É uma estratégia de marketing de promover discursos, ações e propagandas sustentáveis que não são executados na prática. Funciona como uma maquiagem para esconder, disfarçar ou aumentar os dados e resultados do impacto gerado. Exemplo:  o clássico aviso “não contém CFC”, que pode ser observado em várias marcas de aerossol. O CFC é realmente um gás perigoso para a camada de ozônio, mas foi comercialmente proibido e, portanto, não é mais utilizado por nenhum fabricante. Social Washing Ele é irmão do greenwashing, mas não é menos assustador. A prática do social washing abrange todo tipo de maquiagem social e é utilizada para disfarçar as atividades éticas, ou melhor, inatividades, para além da proteção dos recursos naturais. Incluindo direitos humanos e trabalhistas, igualdade de gênero, escravidão, direitos civis e questões raciais. Exemplo: empresas que vendem produtos de empoderamento feminino, como roupas e cosméticos, mas não possuem mulheres em cargos de liderança e exploram a mão de obra feminina pagando baixos salários e longas cargas horárias. Baixo engajamento Para manterem a longevidade, as empresas precisarão ter um compromisso destacado com o impacto ambiental e social. Os empreendedores já causam impacto por si só, fomentando ideias e com incentivo financeiro. Mas quando o impacto social é a essência do negócio, a missão fica mais complexa, pois é preciso motivar o time e engajar todas as pessoas envolvidas em um propósito maior. Principalmente os consumidores – e até simpatizantes. Um ecossistema de impacto onde os  valores não são defendidos por toda a comunidade está fadado a cair em um limbo. Exemplo: empresas que realizam campanhas de financiamento coletivo, mas que não  conseguem a arrecadação necessária. Desinformação Assim como uma manifestação zumbi, existe uma circulação orgânica de desinformação acontecendo no mundo. Muitas vezes bancadas por interesses políticos ou econômicos e que acabam atingindo diretamente causas socioambientais. Existem diversos exemplos de como as fake news são usadas para ganhar dinheiro levando tráfego a determinados conteúdos, produtos e até posicionamentos políticos. Existe toda uma indústria que se move com a monetização de informações falsas e que acaba também priorizando e desestabilizando empresas e organizações. Exemplo: a venda de Cloroquina e outros medicamentos sem eficácia comprovada, durante a pandemia de COVID-19, com a falsa promessa de ajudar no tratamento da doença BAIXE O EBOOK “Fake News: A força da (des)informação na rede” Não tenha medo Para se livrar desses monstros não adianta usar alho, bala de prata ou água benta. Mas não se apavore! Proteja-se com muita informação verídica, estudos, pesquisas e fique ligado nas métricas ESG. Se possível, busque também pela responsabilização das empresas e organizações que praticam alguns desses atos. Por isso, fique atento, não pratique esses atos e denuncie!

Um Brasil de lutas e esperanças

Por Amanda Vargas* Representação indígena no poder político. Este é o espaço que Sonia Guajajara e Célia Xakriabá irão reforçar no Congresso Nacional brasileiro. Estas duas mulheres indígenas foram eleitas Deputadas Federais nas eleições políticas que aconteceram em 2 de outubro. Perante a possibilidade da reeleição de Jair Bolsonaro, ambas apelam a uma força tarefa para sensibilizar os brasileiros sobre o futuro fascista que se prevê. Para as duas líderes indígenas, a eleição do candidato Lula no segundo turno é a esperança de que a democracia seja mantida, e que as questões ambientais e dos povos indígenas sejam honradas. Leia abaixo a entrevista com as duas deputadas eleitas: Sonia Guajajara é originária da Araribóia, Terra Indígena no Maranhão. No entanto, ela se candidatou a Deputada Federal pelo estado de São Paulo por sua enorme responsabilidade na preservação dos biomas brasileiros, especialmente da Amazônia, devido ao seu poder econômico. A sua candidatura foi estrategicamente alinhada com a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil – APIB, que viu nela a oportunidade de ter uma representante dos povos nativos num lugar de destaque na política nacional. Esta é a primeira vez que São Paulo elegeu uma mulher indígena, e Sonia sabe da responsabilidade que tem nas suas mãos. Como se sente agora que foi eleita Deputada Federal? Estou extremamente feliz e orgulhosa por ver que São Paulo respondeu ao apelo por aldear a política. Os meus eleitores elegeram-me para honrar a missão de trazer ao Congresso a força e a ancestralidade dos povos indígenas. Farei com que todos os votos tenham valido a pena, e não pouparei esforços para garantir a demarcação das terras indígenas, a proteção da Mata Atlântica, da Amazônia e de todos os biomas brasileiros, defendendo a agroecologia para combater a fome e garantir alimentos sem veneno no prato de cada brasileiro. Finalmente, sinto-me muito feliz e orgulhosa por saber que hoje faço parte do grupo de mulheres que ocupam um lugar no Congresso Nacional lutando pela mãe de todas as lutas: a luta pela Mãe Terra! A minha candidatura teve sempre o objetivo de cumprir este papel que a história nos atribuiu – o de não realizar um projeto pessoal, mas sim trabalhar como um agente histórico empenhado num projeto coletivo. Faz parte dele aumentar o número de representantes indígenas no Congresso Nacional. E nosso objetivo é trazer nossas vozes, reivindicações e contribuições para a construção de um futuro mais democrático, plural e verdadeiramente comprometido com as necessidades reais do povo brasileiro. Por que a representatividade política dos povos indígenas é mais relevante do que nunca? Respeito os diferentes modos de vida, mas compreendo que o modelo econômico atual, feito por não indígenas, é completamente predatório. Por isso é importante respeitar os direitos indígenas, que são intrinsecamente ligados ao meio-ambiente. Só assim podemos garantir o futuro, porque os povos nativos são 5% da população que cuidam de 80% dos biomas do planeta. Estes são dados da ONU, subestimados mesmo por especialistas. Temos uma emergência climática! Trata-se de lutarmos hoje, de nos envolvermos hoje, porque a representação indígena nos partidos políticos é necessária para termos uma voz na mesa de decisão. Quais projetos de regenerabilidade ambiental você pretende aprovar no Congresso? Temos muitas ideias, mas primeiro precisamos enfrentar o Congresso Nacional, que é altamente conservador e desenvolvimentista. Sabemos que a grande maioria dos senadores e deputados eleitos continuarão a aprovar a legalização da destruição através do acesso e exploração dos territórios indígenas. O que é necessário agora não são ideias, mas sim a articulação contrária a esta postura. É fortemente necessária a criação de um espaço que promova uma nova consciência política e ambiental – seja no Congresso, seja na sociedade. O resultado das eleições nos mostra que a sociedade brasileira ainda não está preparada para essa mudança, que é também necessária fora do Parlamento. Percebo a necessidade de que a sociedade se torne mais consciente e mais responsável pela vida e pelo futuro. Estamos apenas plantando uma semente, e não adianta sonhar que vamos mudar esta situação a curto prazo. Estamos plantando uma semente, para que no futuro possamos colher uma nova consciência humana sobre o que é realmente urgente e destrutivo para o planeta e para os seres humanos. Nós, povos indígenas, fomos eleitos para enfrentar e contrapor o atual Congresso, que é completamente retrógrado, e precisamos do apoio da sociedade brasileira. Sabemos que você apoia o candidato Lula e, se ele for eleito, estas questões certamente serão discutidas. Mas que cenário você prevê para o Brasil se o candidato Jair Bolsonaro vencer as eleições presidenciais? Estarei no Congresso, portanto, continuarei plantando a semente da Bancada do Cocar e enfrentaremos no Palácio do Planalto. Não tenha dúvidas sobre isso. Mas não temos como prever se poderemos ou não validar projetos com impacto socioambiental positivo, caso Jair Bolsonaro vença. Descobriremos no caminho. Sabemos que no Congresso há uma base aliada a ele com grande força, à qual certamente nos oporemos traçando caminhos para uma maior consciência e responsabilidade socioambiental. Mas não há como prever o que pode ou não acontecer. Continuaremos a defender aquilo que acreditamos. Qual é o seu maior envolvimento no apoio a Lula neste segundo turno das eleições presidenciais? Nosso comitê já está organizado para servir de apoio à eleição de Lula como Presidente e Fernando Haddad como Governador do Estado de São Paulo. As Casas Cocar estão organizando atos públicos com parlamentares eleitos do PSOL, a fim de sensibilizar a população para se engajar nesta campanha política em prol de uma verdadeira democracia. Vemos isto como uma co-responsabilidade para um novo projeto governamental. Qual é sua mensagem para as pessoas que estão escolhendo votar em Bolsonaro? É essencial que o povo brasileiro vá às urnas neste segundo turno para eleger Lula. É urgente pôr um fim a este período tão sombrio da história da nossa democracia. A luta dos povos indígenas vai além do processo eleitoral, nossa luta é permanente. É por isso que apoiamos fortemente votar em Lula, para garantir nosso direito de permanecer mobilizados sem que

Diálogo é a base das democracias

“O poder nunca é propriedade de um indivíduo; pertence a um grupo e existe somente enquanto o grupo se conserva unido”. A frase da filósofa e escritora Hanna Arendt define os princípios das relações políticas e também faz um mal presságio sobre o futuro delas. Talvez essa seja uma realidade muito próxima de nós brasileiros. Pode parecer pessimismo, mas analisando esta frase podemos ver o quanto o nosso estado Brasil, enquanto nação, está desmoronando. Muito disso se deve a pensamentos extremistas e antidemocráticos. Todavia, a falta de diálogo também tem grande parcela de culpa desses acontecimentos. Esse fenômeno conhecido como bolhas ideológicas ganhou destaque no período eleitoral, porém já existe há tempos. Consolidou-se através das redes sociais, onde os espaços são cada vez mais segmentados e controlados, impossibilitando o debate de ideias divergentes, que também são importantes para a construção conjunta de transformação. Você já se sentiu em uma bolha?  Mesmo que não perceba, certamente você deve estar em uma neste exato momento. Por mais que você converse com diversas pessoas todos os dias, que possuem opiniões diferentes das suas, ainda assim existe uma tendência que faz você se aproximar de pessoas alinhadas com seus ideais. Essa situação está sendo acentuada pelos chamados algoritmos, utilizados como ferramentas para direcionar e aumentar o engajamento nas redes sociais. Analisando este cenário, a agência de comunicação “ODojo investigou a fundo as “bolhas do Brasil” e publicou um estudo para entender como elas se formam no país. Estamos deixando o diálogo morrer  O resultado da pesquisa foi surpreendente, apontou que 69% dos brasileiros só se relacionam e convivem com pessoas de posicionamentos iguais ou muito semelhantes. Ou seja, compartilham e criam espaços onde há desmotivação podpara ter contato e debater ideias diferentes. O estudo considerou o contexto político brasileiroe, que culminou na eleição 2022, e o avanço das redes sociaisr. A conclusão do estudo remonta ao pensamento de Hanna Arendt, ao dizer que fenômenos aparentemente fáceis e simples, como se comunicar cordialmente e manter relações, acabaram se tornando coisas complexas. O medo Muitas dessas relações de afastamento e de criação de bolhas se devem pela falta de habilidades sociais e, principalmente, pelo medo. As relações extremistas criam ambientes onde a expressão ou posicionamento contrário causam constrangimento, assédios e até mesmo o risco à integridade física. Por conta disso, as bolhas acabaram sendo espaços de segurança, zonas de conforto onde as pessoas se blindam e podem abertamente construir realidades alternativas sem serem questionadas ou contrariadas. Uma aliada para desinformação  A criação dessas bolhas, tanto em ambientes virtuais ou físicos, trazem diversos malefícios. Entre eles, uma grande ameaça à democracia e que vem definindo eleições pelo mundo, as fake news. A ferramenta de desinformação fica mais difícil de ser combatida quando propagada em espaços sem contradição. O compartilhamento das notícias falsas acontece justamente dentro das bolhas, principalmente em ferramentas digitais de propagação rápida, como o WhatsApp. As mensagens sem fonte confiável e sem comprovação são espalhadas como verdades, à exemplo do movimento antivacina formado na pandemia de COVID-19. Como furar bolhas  Mesmo em uma realidade desencorajadora, ainda existem soluções possíveis para romper essas barreiras imaginárias. A disputa eleitoral é esse espaço, pois ainda que exista uma polarização, o candidato eleito governará para um país inteiro. Por isso, exercer seu dever cidadão é fundamental. Para te motivar nesta luta contra a desinformação, separamos algumas dicas de como furar bolhas: Faça conexões reais Tenha curiosidade Estude sobre assuntos desconhecidos Consuma conteúdos de pessoas e veículos com opiniões diferentes Respeite opiniões diferentes E lembre-se sempre: preconceito, ofensa e discurso de ódio não é diálogo!

A importância da Educação Política

Por Leonardo Sales* Há dez anos, a frase “política não se discute” encontraria um lar na maioria da população brasileira. No entanto, desde as Jornadas de Junho de 2013 e com a massificação das redes sociais, percebe-se um significativo aumento do interesse pelos temas da política institucional do país. Não importa se o debate é predominado por argumentações baseadas em estudos ou opiniões advindas de fake news de correntes de Whatsapp: a política virou um tema recorrente do nosso cotidiano. Embora o desinteresse e a apatia pelo que ocorre no mundo da política institucional ainda existam, é evidente que as pessoas (em maior ou menor grau) querem externalizar seu pensamento e emitir sua opinião sobre o assunto. No entanto, interesse e conhecimento não são sinônimos. Nem sempre aquilo que nos desperta interesse é algo que nós dominamos. O conhecimento de um tema, um saber, uma técnica ou uma prática não se dá de um dia para o outro, mas sim por um processo gradual e contínuo: é uma construção. A mesma coisa acontece com a política. Se pensarmos que a educação é um conjunto de processos de ensino-aprendizagem visando compartilhar saberes entre os membros de uma sociedade, é possível, portanto, nos educarmos politicamente. É aí que entra a Educação Política. Em uma sociedade multicultural e multiétnica, atravessada por marcadores sociais de raça, gênero e classe, entender o que é política e como ela funciona é de extrema importância. Esse tipo de educação pode se iniciar desde a infância, tanto no âmbito familiar quanto no escolar. Não é raro escutarmos de nossas crianças indagações sobre o que é um/a deputado/a ou o que a/o presidenta/e faz (sobretudo em época de eleições). Essas indagações podem ser vistas como faíscas disparadoras de reflexões um pouco mais amplas, por exemplo, o que caracterizaria uma boa governança; quais valores são fundamentais em uma democracia; quais atitudes não podem ocorrer em um governo democrático… Veja, uma das coisas mais interessantes na educação é que o processo de ensino-aprendizagem é uma via de mão dupla: quem ensina, aprende e quem aprende, ensina. Dessa forma, independente da nossa faixa etária, a educação política sempre terá um lugar na nossa vida. E se essa formação for iniciada desde cedo, o desenvolvimento cognitivo e intelectual ocorrerá com muito mais fluidez quando os temas mais embaraçados começarem a surgir. Assim, podemos começar indagando o que faz um/a vereador/a, passar pelas regras e normas do jogo institucional para depois entender a política de forma ampla e não apenas localizada nos gabinetes dos/as políticos/as. Ou seja, enxergar a política como a forma que organizamos e entendemos as nossas múltiplas relações de poder presentes no nosso cotidiano. Essa constatação é tão poderosa que nos faz enxergar política em tudo a nosso redor: o preço dos alimentos, o local onde moramos, com quem nos relacionamos, a vida que vivemos… Qual a consequência direta dessa potencialidade toda? Entender que a realidade em que vivemos não foi naturalmente concebida, mas resultado das múltiplas atuações dos seres humanos ao longo da história. Essa conclusão nos permite compreender que os direitos (desiguais) que temos são frutos das lutas de gerações de pessoas e que do mesmo jeito que eles foram conquistados pela participação política e pelo exercício da cidadania, eles podem ser ameaçados ou destituídos. Por fim, podemos dizer que a educação política guarda uma relação direta com o próprio regime democrático: se o poder emana do povo, é necessário formação e informação para que a participação política seja efetiva e responsável. Texto publicado originalmente no Blog da Piraporiando. *Educativo da Piraporiando.

Demissões, lideranças disruptivas e o engajamento

Saúde mental, estresse e burnout, qual a relação disso com lideranças disruptivas? Em 2022, a síndrome do esgotamento profissional passou a ser reconhecida como uma doença relacionada ao trabalho pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Nosso modelo de gestão está preparado para os novos tempos? A OMS descreve o burnout como “uma síndrome resultante de um estresse crônico no trabalho que não foi administrado com êxito” e que se caracteriza por três elementos: sensação de esgotamento, cinismo ou sentimentos negativos relacionados a seu trabalho e eficácia profissional reduzida De acordo com a Organização, a síndrome é caracterizada por três dimensões: Sentimentos de exaustão ou esgotamento de energia. Aumento do distanciamento mental do próprio trabalho, ou sentimentos de negativismo ou cinismo relacionados ao próprio trabalho. Redução da eficácia profissional. Dinheiro já não é o suficiente  A consequência desse fenômeno é que milhares de brasileiros estão pedindo demissão dos empregos, levando as estatísticas trabalhistas a baterem recordes. Segundo os estudos feitos pela LCA Consultores nos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), em agosto aconteceu o recorde de pedidos de demissão em um único mês desde 2020, início da série atual de contagem de vagas. Em um total de 1.773.161 de desligamentos oficiais registrados em agosto, 632.798 deles foram voluntários, ou seja, equivalente a 35,7% de demissões voluntárias. O recorde até então era de março deste ano, com 603.136 pedidos. O que as lideranças têm a ver com isso? “Precisamos repensar todo o sistema de gestão e reavaliar o papel dos líderes. A essência da liderança irá fazer toda a diferença”e ment, Sandro Magaldi, escritor, especialista em Gestão Estratégica e membro do Conselho Consultivo do CIVI-CO. A OMS explica que a síndrome de burnout se refere especificamente a um fenômeno diretamente relacionado à saúde mental e às relações de trabalho, es, por isso é tão importante o empenho dos líderes para um movimento de mudança. As novas lideranças devem estar preparadas para enfrentar desafios que vão além do financeiro. Precisam dialogar e saber gerir e oferecer benefícios para motivar sua equipe de forma consciente e efetiva. “Observe o tamanho dos novos desafios impostos às organizações e seus líderes. No passado, a maioria das pessoas pedia demissão voluntária devido a melhores oportunidades salariais. O que esses novos estudos demonstram é que não adianta ancorar sua estratégia de atração e engajamento de colaboradores apenas com uma política salarial agressiva”, alerta Sandro Magaldi. Para aprender sobre modelos disruptivos de liderança, realizamos o Meetup CIVI-CO com o Sandro Magaldi na nossa Comunidade. Na ocasião, ele lançou o seu novo livro “Liderança Disruptiva”, e fez uma interessante conversa sobre modelos mais inclusivos de gestão adaptados à uma nova economia. Confira como foi esse encontro! 💛 “É necessário refletir sobre quais são as condições de trabalho oferecidas em seu projeto e, sobretudo, qual é a filosofia, o conjunto de crenças, a cultura de sua empresa adaptando-a a esse novo mundo”, conclui Magaldi.

ESG: o que a Geração Z quer?

O que você procura em um emprego? Bons salários, benefícios, saúde mental, status… Essas preocupações são válidas, mas hoje em dia já não são suficientes. Trabalhar numa organização alinhada às pautas ESG é o objetivo de 88% dos jovens brasileiros entre 15 e 39 anos. Segundo o estudo do Pacto Global das Nações Unidas e da Accenture 2021, empresas alheias a temas como ESG e impacto se tornarão cada vez menos relevantes e, consequentemente, terão dificuldade de atrair talentos.  A pesquisa também mostra que 53% das lideranças reconhecem que práticas sociais e sustentáveis atraem gerações mais novas; jovens corroboram estudo ao escolher empresas de acordo com práticas de ESG.  Novos trabalhadores Esta tendência influencia positivamente na atração e na retenção de talentos da Geração Z, que tem um perfil mais ligado à tecnologia, porém são mais engajados em causas socioambientais. Eles também se identificam com a métricas ESG, principalmente nas relações trabalhistas.  Dentro desse grupo, 60% almejam alcançar oportunidades em empresas com esse direcionamento nos próximos dez anos, além de desejarem um salário compatível com a função e estabilidade. Mas quem é a Geração Z?  Geração Z é um conceito sociológico para significar pessoas que nasceram entre 1995 a 2010 e que tiveram um amplo acesso ao desenvolvimento tecnológico e virtual. Nascidos em um planeta globalizado, essa geração foi a primeira a crescer com novas ferramentas como o computador e a internet.  Nesse contexto, observamos que a primeira parcela desses jovens estão saindo da faculdade agora, e suas experiências de vida têm grande influência no tipo de trabalho que procuram e que consideram importante, se tornando também referências para as próximas gerações.  Capacitação  Um mundo onde o conhecimento é mutável cria uma nova realidade de trabalho, que vai exigir desses jovens aprendizado constante e resiliência. Além de uma nova maneira de pensar, consumir e produzir, essa geração também enfrenta os impactos socioambientais negativos de outras gerações Especialmente no contexto do chamado Mundo VUCA, conceito criado na década de 1990 cuja sigla traduzida para o português significa “volátil, incerto, complexo e ambíguo”. Essa geração é a responsável por buscar soluções e não repetir erros. Precisa estar preparada para novos desafios, e a capacitação na área é um ambiente de ebulição para novas ideias.  Conheça alguns cursos que abordam esses temas:  Negócios de Impacto A corrida para o mercado de impacto cresceu nos últimos anos junto com o interesse em termos como ESG, negócios de impacto, ODS e Agenda 2030. Pensando nisso, as organizações Movimento Choice, Pipe.Social e Intr3s criaram o curso “Introdução a Negócios de Impacto e ESG”.  O curso é indicado para quem pensa em empreender, para quem quer trabalhar no mercado com o tema e para quem está atuando em empresas que começam a se relacionar com esses conceitos.  Saiba mais Mudanças Climáticas O curso “Mudanças climáticas: panorama, desafios e oportunidades para jovens profissionais”, da Youth Climate Leaders, é voltado para pessoas que buscam aprender mais sobre clima e conhecer as possibilidades de atuação na área. Ao longo de 9 semanas e 30 horas de conteúdo, você terá a oportunidade de aprender conceitos introdutórios sobre a mudança do clima e se aprofundar em temas setoriais relacionados à crise climática, além de se juntar a uma rede de profissionais do clima. Saiba mais ESG Neste curso da Exame Academy, “Introdução ao ESG”, você conhecerá as origens da sigla, o que é o capitalismo de stakeholder e a necessidade das empresas fazerem a transição para uma economia de baixo carbono. Também verá a importância da inovação e os desafios que as novas gerações têm trazido para que as empresas abracem pautas como a diversidade e a inclusão. Saiba mais Siga o CIVI-CO nas redes sociais, pois sempre postamos dicas e conteúdos para que você possa aprender mais sobre o mundo de impacto cívico-socioambiental.