Sobre escutas e culturas 

Por Janine Rodrigues* Quando eu tinha sete anos, morava numa cidade bem pequena chamada Cardoso Moreira, no Rio de Janeiro. Lembro de tudo. Da escola, da vendinha da esquina que tinha picolé de jaca. Da ponte de madeira que eu atravessava para chegar na escola. Dos desfiles de final de ano. Da folia de reis.  Lembro-me também que quase ninguém tinha telefone em casa. Tínhamos orelhões nas ruas  e associações onde as pessoas pagavam com moedas por alguns minutos para usar o ”aparelho mágico”.  Cresci, papai morreu, mudei de escola e de cidade. Muita coisa se passou. Recordo-me de ver a novela ‘’Explode Coração’’. Teve uma cena onde dois personagens conversavam usando um computador. Se viam e se ouviam e eu pensei: mas que mentira das brabas! Imagine só, conversar com alguém a partir de uma tela….  Era a 6ª série no colégio e uma amiga de descendência oriental me contou que sua prima tinha chegado ao Brasil para passar férias. Ela era japonesa e não sabia muito o português. A tal prima tinha trazido vários CDs. Naquela época tinham muitas fitas cassetes, mas nem tantos CDs  aqui no Brasil. Ela também trouxe um aparelho de som moderno que tocava os mini-discos.  Minha amiga estava toda animada, pois tinha preparado um doce de leite de presente surpresa para a prima,  impossível achar no Japão. Além disso, a gente amava pular elástico e ensinamos para a Ayume. A gente dizia para ela tirar as meias para brincar, mas ela não tirava. É costume no Japão o uso de meias. Daí, para ela não cair, saímos da varanda, que tinha um piso escorregadio, e fomos para o quintal. As meias ficaram cheias de barro. Foram dias muito felizes. As culturas influenciam nossas vidas e constroem nossos olhares sobre o mundo, sobre nós mesmos. Hábitos criam culturas. As culturas desenham nossas experiências no mundo e daí nascem nossas histórias. Nossas histórias contam ao mundo quem somos. O que valorizamos. Ao que damos importância. E acredite: é preciso ter interesse pela história do outro para que se conheça sua cultura, para que se valorize e respeite aquilo que o outro compreende como sagrado, como importante. Conectar-se com determinados elementos de uma cultura sem o interesse de conhecê-la mais a fundo pode ser algo perigoso, desrespeitoso. Você acharia estranho se uma pessoa simplesmente usasse um turbante, um guia ou um fio de contas só por achar estes elementos bonitos? Talvez não ache nada demais…  Mas você acharia estranho uma pessoa sem vínculo aparente com a cultura judaica comprar e começar a usar uma quipá (aquele ”chapéu” pequeno utilizado pelos judeus)? Usar o quipá para ir a praia, ao bar, para comer um porco assado num evento de família? Com certeza seria uma cena desrespeitosa e lamentável.  E por mais que você não saiba exatamente o significado do quipá, eu acho que, na dúvida, você não o usaria ”só para usar”. De alguma forma, ainda que inconscientemente, você provavelmente acharia estranha esta atitude. A questão, portanto, não é o uso ou não uso e sim da importância de entender o que é um determinado elemento simbólico numa cultura para que, então, se decida usar ou não.  É preciso interesse pelas histórias do outro. Ouvir a cultura do outro. Se não há escuta também não há respeito, mas se há, um universo inteiro de possibilidades se cria e podemos viver o novo. Foto: Janine Rodrigues/Acervo pessoal Sobre os turbantes Foto: Ato Aikins/Unsplash Aqui no Brasil, o turbante representa a afirmação da identidade cultural que foi trazida pelos negros que vieram de África quando foram escravizados. As peças eram usadas como símbolo de resistência da sua cultura e reafirmação da sua identidade africana. É sobre relembrar e reforçar os aspectos da cultura negra africana, resistindo e lutando contra o racismo e o preconceito.  Sobre os guias, colares e fio de contas No idioma yorubá esses colares se chamam Àkufi isiro ou Ìlèkè. Antes da invasão e extermínio realizado pelos europeus na África, os yorubás usavam colares de pedras, sementes, conchas, dentes de animais… Na colonização e escravização, os europeus trouxeram para o Brasil as missangas (ou contas artesanais) que usavam nas suas roupas. Assim, com o surgimento do Candomblé aqui no Brasil, os colares dos Orixás passaram a ser feitos com este material. Assim surgiu a expressão “fio de contas”. Cada Orixá é representado por uma cor e simboliza cargos ou nações (etnias).  Foto: Douglas Ribeiro/Unsplash Na umbanda os colares se chamam guias, pois representam a entidade ou guia espiritual de cada pessoa. Em geral o material miçangas de porcelana, sintéticas ou cristal. Sobre o quipá Foto: Levi Meir Clancy/Unsplash Quipá ou kipá (ou ainda “solidéu”) significa cobertura em hebraico. É o chapéu, boina, touca ou outra peça de vestuário utilizada pelos judeus tanto como símbolo da religião como símbolo de temor a Deus. *Escritora e educadora, especialista em diversidade e fundadora da Piraporiando.   

Fake News: A força da (des)informação na rede

O quanto de informação você recebe todos os dias? Mensagens, notícias, grupos, todos os dias somos bombardeados por uma infinidade de conteúdos para ouvir, ler e assistir. Mas o quanto disso você realmente confirma que é verídico? Com a democratização dos meios de comunicação, a forma de consumir informação mudou e novos conceitos ganharam forma. As fake news, por exemplo, foi um termo que passou a fazer parte do cotidiano dos brasileiros. As notícias fraudulentas que circulam nas mídias sociais e na internet, o conceito é aplicado principalmente aos portais de comunicação online, como redes sociais, sites e blogs, que são plataformas de fácil acesso e, portanto, mais propícias à propagação de notícias falsas, visto que qualquer cidadão tem autonomia para publicar. Partindo desse princípio e sabendo que a informação é fundamental para o exercício pleno da cidadania o e que sem a liberdade de expressão não há democracia, nós do CIVI-CO realizamos a pesquisa “Fake News: A força da (des)informação na rede”,  para entender: ● Como, na era das fake news, a população brasileira está consumindo informação? ● Quais são os canais acessados na hora de buscar notícias? ● Quais são os temas de maior interesse? ● Qual é a causa que as pessoas consideram mais importante? ● Como as notícias interferem na vida das pessoas? ● Qual é o impacto das notícias falsas no destino de um país? Como o CIVI-CO pode te ajudar?! Lançado em 2019 o estudo foi realizado entre os dias 25 e 29 de abril de 2019 e contou com uma amostra de 1000 respondentes de todo o Brasil reunidos no painel de respondentes proprietário da MindMiners, o MeSeems. Na pesquisa ficou comprovado que 66% dos respondentes usam as redes sociais para consumir informações. O que mais preocupa é que entre os temas pesquisados, com 47% está o tópico política. Em um ano eleitoral esses dados podem apontar para situações perigosas, que atacam a democracia e por isso é importante sempre frisar e combater informações maldosas ou sem fontes confiáveis. Fuja das Fakes Verifique sempre as informações recebidas e certifique-se da veracidade da notícia antes de compartilhar. Siga as dicas do Superior Tribunal de Justiça para escapar das fakes: Títulos sensacionalistas ou milagrosos? Tenha dúvida, geralmente são feitos para acumular cliques e não necessariamente passar veracidade. Procure informações em outros veículos, especialmente aqueles que você já conhece e confia.  Confira a data da publicação. Uma notícia real, porém, antiga, pode causar pânico ou criar expectativas sobre alguma situação já resolvida ou controlada.  A fonte realmente existe? É um canal com credibilidade? Há outras publicações duvidosas nesta plataforma? É sempre interessante investigar mais a respeito do site em questão.  Consulte sites de verificação gratuitos. Repassar informações falsas, ainda mais se forem de grande complexidade, é perigoso. Não alimente as fake news. Na dúvida, nunca compartilhe! Leia a nossa pesquisa completa.

A descentralização do saneamento

Por Felipe Gregório* O saneamento no Brasil é básico. O jogo de palavras comumente ouvido nas rodas de conversa sobre o setor reflete a realidade de um país que esqueceu de se preocupar com o, permita-me a redundância, básico. Números oficiais apontam 35 milhões de habitantes sem acesso à água encanada em casa e mais de 100 milhões de pessoas sem esgoto coletado no país. A temática, e suas dores, que ficaram em pauta no início de 2020, data que coincide com a chegada da COVID-19 no Brasil, evidenciou ainda mais a preocupação com questões ligadas diretamente à saúde da população. Com aprovação da Lei nº 14.026/2020, atualizou-se o chamado Marco Legal do Saneamento Básico, que tem como metas garantir que 99% da população tenha acesso à água potável e 90% à coleta e tratamento de esgoto até 2033. Não falta água, falta acesso Em um país de dimensões continentais e com histórico de desvio de recursos no mínimo duvidoso, levar redes de coleta e tratamento para quase toda a população tem sido mais um desafio no que tange a transparência das superfaturadas obras enterradas e, consequentemente que ninguém vê, de infraestrutura básica. Moradores de Congós (AP) recebem saneamento básico da Florescer Brasil Fotos: Florescer Brasil/Divulgação Somam-se a isso números que quase não chegam ao conhecimento público, como os mais de 60 mil boletins de ocorrência registrados nos últimos cinco anos por conta de disputas pela água – média de pelo menos 30 ocorrências diárias. Água esta que apesar de abundante em nosso território, uma vez que o Brasil detém a maior reserva de água doce do mundo, com 12% do volume total, vem sofrendo cada vez mais com ações irresponsáveis do próprio ser humano, sobretudo na descarga de contaminantes em corpos hídricos. Assim, a recarga de lençóis freáticos, fonte de água doce para muitas famílias brasileiras, vem sendo a cada dia mais comprometida. Estima-se que aproximadamente 70% da água do país seja destinada para atividades agrícolas, sejam elas de subsistência ou para engordar, no caso hidratar, o “pop” agro. Parte importante dessa recarga é proveniente de efluentes de esgotamento sanitário e, para ajudar a sanar este problema, o uso de tecnologias sociais para o tratamento de esgoto descentralizado vem sendo pluralizado no país. Na prática Entende-se aqui por descentralizado: tecnologias que não absorvem volumes provenientes de várias casas ou bairros ou, ainda, não conectadas às redes coletoras. É neste cenário que empresas também sociais como a Florescer Brasil vem contribuindo. Há mais de três anos atuando no setor e presente em 12 estados, a Florescer já doou e instalou mais de 200 unidades sanitárias individuais. As USI’s, como são conhecidas, contribuem efetivamente para que o volume do efluente tratado seja retornado à natureza livre de contaminantes. Foi o que se viu por exemplo em Coité, distrito de Mauriti, cidade há cerca de 90 km de Juazeiro do Norte (CE). Lá, com apoio do Magazine Luiza e da Caloi, a Florescer doou 15 unidades de tratamento para famílias dos vilarejos que são assistidos pela ONG Amigos do Bem. Florescer leva esgotamento sanitário para família de vilarejos de Coité (CE) Fotos: Florescer Brasil/Divulgação Já no Pico do Jaraguá (SP), seis núcleos de aldeias indígenas de etnia Guarani recebem regularmente as USI’s para tratamento adequado de seu esgoto. Ao todo, o projeto de reestruturação sanitária que a empresa social desempenha na região visa implantar 45 unidades, das quais 7 já se encontram in loco. E não são apenas áreas remotas que recebem a tecnologia. No recém-inaugurado Parque Linear Bruno Covas, 11 unidades dos equipamentos foram encomendadas para o tratamento descentralizado, das quais 3 já foram instaladas. No local, inacessível para a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), a tecnologia provou ser funcional não apenas em áreas remotas. A descentralização do saneamento trouxe versatilidade e esperança para nossa população. Texto publicado originalmente na Folha de S.Paulo. *Arquiteto, urbanista, ambientalista e fundador da Florescer Brasil.

CIVI-CO Mag #2: Gente de verdade

A segunda edição da CIVI-CO Mag é mais do que uma revista digital, é um convite para uma viagem por um Brasil feito por “gente de verdade”. Vamos embarcar juntes nesta jornada de impacto? Seja no meio do oceano preservando a vida marinha ou no meio da floresta aprendendo conhecimentos ancestrais amazônicos, nós queremos dar protagonismo para as pessoas que transformam positivamente o mundo. A solução para os desafios do planeta deve ser um esforço conjunto, onde todos os conhecimentos se unem de forma simbiótica, encontrando respostas que apontem para um futuro mais sustentável, diverso e igualitário. Por dentro O fio condutor desta edição é a sustentabilidade. Trouxemos histórias de agentes de transformação descentralizada, que encontraram soluções sustentáveis e estão obtendo resultados positivos. Visitamos pessoalmente a bioeconomia amazônica praticada na comunidade do povo Paiter Suruí, localizada no município de Cacoal (RO). Entrevistamos Ângela Mendes sobre soluções para a violência na Amazônia. Conversamos com as Vozes dos Oceanos e aprendemos a praticar o ESG do jeito certo com a Nossa Terra Firme. Tudo isso e muito mais com a ajuda dos nossos parceiros e colaboradores da Comunidade CIVI-CO: SSIR Brasil ; Nossa Terra Firme; Impact Beyond; Labor Educacional; Rede Reforma; Humanitas 360; G10 Favelas; Voz dos Oceanos; Instituto Escolhas; Herself; Voto em Preto e Trace Brasil. Leia a CIVI-CO Mag #2 e venha gerar impacto positivo com a gente!

Crise climática: como se preparar para o maior desafio do nosso século

Por Youth Climate Leaders Tradicionalmente inquieta e questionadora, a juventude vem, década após década, quebrando barreiras e mudando padrões de comportamento. Nos últimos anos, um assunto parece ter conquistado mentes e corações de jovens de todo o planeta que resolveram abraçar uma causa e lutar por um futuro melhor: as mudanças climáticas. A urgência por trás da crise do clima, evidenciada ainda mais pelo último relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, acendeu o alerta nos jovens. É preciso correr contra o tempo para conter os efeitos mais graves. Para ajudar a embasar essa juventude e formar uma nova geração de líderes para trabalhar com mudanças climáticas, a Youth Climate Leaders oferece o curso online “Mudanças climáticas: panorama, desafios e oportunidades para jovens profissionais”, que está com as inscrições abertas. Nas nove semanas de curso são oferecidas 30 horas de aulas sobre temas ligados à agenda do clima e da sustentabilidade. Além de participar das aulas, os alunos que se matriculam no curso também passam a ter acesso à rede internacional da YCL, que possui mais de 1.000 membros em mais de 20 países e publica diversas oportunidades profissionais nas áreas de clima e sustentabilidade. Esse é um dos grandes diferenciais da plataforma: depois dos treinamentos do curso, os jovens permanecem em contato constante com os colegas, pessoas que se formaram nas turmas anteriores, mentores, influenciadores, membros da equipe YCL, parceiros institucionais, e ainda podem visualizar diversas vagas de trabalho e estágio, bolsas de estudo, editais e competições, além de participar de eventos exclusivos para a Rede. Em 2022, a Youth Climate Leaders está comemorando 4 anos de vida conectando jovens entre si e com oportunidades de agir no enfrentamento às mudanças climáticas em um momento crucial, quando o desemprego na juventude alcança níveis cada vez maiores. Nesta caminhada, a YCL sempre buscou trazer mais diversidade para as suas turmas e gerar oportunidades também para os jovens que precisam de apoio financeiro. Quem não tiver condições de arcar com as despesas do curso pode manifestar seu interesse para uma bolsa preenchendo este formulário. Nas sete primeiras edições, a YCL ofereceu bolsas para, em média, 40% dos alunos. No curso, já palestraram alguns nomes importantes no meio ambiental, como o pesquisador do IPCC Bruno Cunha, a consultora da prefeitura do Rio de Janeiro e conselheira do Observatório do Clima Andreia Coutinho Louback e a advogada e mestre em Direito Ambiental Caroline Prolo. Os palestrantes desta nova edição serão anunciados em breve. Além das nove semanas de curso, os alunos têm acesso a uma sessão de mentoria com um especialista em clima ao final do programa. É possível também adicionar uma ou mais sessões de mentoria individual e personalizada com um dos mentores YCL espalhados pelo mundo. Nelas, os jovens podem conversar com especialistas em carreira ou clima sobre os próximos passos para a sua carreira climática. A oitava edição do curso YCL começa no dia 30 de agosto. Mais informações estão disponíveis na página oficial do curso e as inscrições podem ser feitas neste link. E quem faz parte da comunidade CIVI-CO tem desconto de 10%. USE O CUPOM: CIVI-CO10 Sobre a Youth Climate Leaders Criada em 2018, a Youth Climate Leaders (YCL) é uma ONG que tem como missão construir oportunidades para os jovens liderarem soluções para a crise climática. Somos um ecossistema que oferece soluções para fomentar a empregabilidade de jovens profissionais na área de clima e sustentabilidade, atuando através de 3 pilares: educação, ação climática em rede e oportunidades. Com sedes no Brasil e em Portugal, visamos capacitar 100 mil jovens como parte de uma rede global e lusófona. Saiba mais sobre a YCL no site redeycl.org

O papel das pessoas brancas na luta antirracista

A prática antirracista deve acontecer em conjunto e todos(as) devem participar ativamente dessa pauta. Principalmente as pessoas brancas, que devem começar a fazer uma reflexão sobre seu lugar na sociedade, aprender sobre o tema e desconstruir ideias e atitudes preconceituosas. Quanto mais poder se tem, mais se pode fazer. É importante lembrar que a sociedade brasileira foi estruturada através da desigualdade. Essas construções se devem a fatores de um sistema escravocrata enraizado no país através de um processo histórico de exploração, que criou castas sociais. O que é a branquitude?  Todas as pessoas brancas no Brasil, mesmo que de forma inconsciente, adquirem privilégios dentro dessa sociedade construída há séculos. E isso não é uma escolha. Quando se fala de ganhos e benefícios, isso vai além do campo ideológico. A branquitude no nosso país é um lugar de privilégio histórico, simbólico e material: os brancos ganharam terras logo que vieram para cá e os europeus lucraram em cima de 400 anos do sistema escravocrata. Para piorar, ainda existe no Brasil uma falsa ideia de que as instituições funcionam igualmente. Isso faz com que a branquitude se sinta confortável, pois não existem questionamentos, e continuam vivendo em bolhas, com a premissa de um país igualitário e justo. Como é ser branco no Brasil? Assista ao vídeo abaixo do AD Junior, consultor de diversidade e head de marketing na Trace Brasil: O que você achou? Dá para entender um pouco sobre como é ser branco na sociedade brasileira e como isso envolve uma série de privilégios que deveriam ser acessíveis para todos(as). Porém, por conta do racismo estrutural é designado apenas para uma parcela da população. Ou seja, se uma pessoa nasce branca no Brasil, ela já está inserida culturalmente dentro de signos positivos, tanto de confiabilidade, competência, inteligência e beleza. Enquanto isso uma pessoa negra já nasce cercada de signos negativos, pelo simples fato da cor da sua pele. E isso acontece independentemente da sua classe social ou renda financeira, como vimos no vídeo do AD Junior e também no recente caso em que os filhos do casal Bruno Gagliasso e Giovanna Ewbank foram vítimas de atos racistas em uma praia de Portugal. Os brancos no Brasil são educados e inseridos em uma sociedade privilegiada e esse é um obstáculo muito grande para acabar com as estruturas raciais. É necessário contornar e questionar democraticamente essas estruturas que parecem naturais, mas que, na verdade, não são. Elas são históricas, políticas, sociais e econômicas. 5 atitudes para pessoas brancas se tornarem aliadas: Corrigir termos e comportamentos racistas Entender seus privilégios Votar consciente (conheça o #VotoEmPreto)  Racializar todas as questões  Saber ouvir e aprender com pessoas pretas  A Trilha do Racismo Estrutural é uma aula desenvolvida pelo AD Junior, produzida pelo CIVI-CO em parceria com a Trace Brasil, sobre todo o processo histórico do racismo estrutural no país. Assista e aprenda!

Ideias e projetos podem transformar a sociedade

Por Cause* Cause, a incubadora do Inovaparq que tem como objetivo o apoio ao desenvolvimento de empresas que gerem impacto positivo na sociedade e no meio ambiente. Nossa missão é dar suporte a empreendedores que tenham ideia de novos produtos, serviços ou métodos que atendam uma necessidade social. Oferecemos aos nossos incubados: Infraestrutura Ferramentas para gerenciamento, marketing e serviços em nuvem Serviços facilitados Orientação com suporte e mentoria Networking Facilidades físicas Conheça nossos cases de sucesso A Cria Junto é uma iniciativa de crowd-design criada para conectar pessoas e organizações com ideias e soluções que impactem positivamente o meio ambiente, a economia e a sociedade. Resumindo: uma plataforma de colaboração para um mundo melhor. Para isso, usam um processo chamado crowdsourcing, que utiliza os conhecimentos da multidão para a geração de ideias e de soluções aos desafios alinhados aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU. Professores e parceiros, abordando problemas complexos da nossa sociedade, convidam estudantes e a comunidade a se engajarem na busca por soluções. Assim surgem os desafios. Estudantes e comunidade compartilham suas sugestões de solução, comentando e votando nas mais relevantes, aprendendo juntos. Assim surgem as ideias. Com o apoio de pessoas com as mais diversas habilidades, os participantes se aprofundam nos problemas e contribuem com comentários e ideias. Assim criamos soluções. Em novembro de 2021, a Cria Junto recebeu o “Design for a Better World 2021”,  promovido pelo Centro Brasil Design, um importante prêmio focado em design, inovação e impacto positivo, que reconhece ideias transformadoras e dá visibilidade aos envolvidos na criação de soluções de impacto positivo. Outro case do Inovaparq com a Cause é o Crédito Social Voluntário. A startup ainda está em fase de desenvolvimento mas propõe uma solução onde qualquer pessoa ou empresa pode apoiar instituições sociais adquirindo o Crédito Social Voluntário. Como vai funcionar? Converter horas voluntárias em crédito social, gerando recursos financeiros para organizações sociais. 1. Certificação da instituição • Todas as instituições serão auditadas para que possam operar na plataforma. • Com a certificação, será realizada a conversão das horas voluntárias em créditos sociais. 2. Compra do crédito social • Na plataforma, o usuário vai selecionar a instituição e a quantidade de créditos desejados. • De forma rápida e segura finaliza a compra do crédito social. 3. Repasse para a instituição • Com total transparência, será realizado o split automático de pagamento para a instituição. • Através de um painel, a instituição terá acesso a todas as compras e relatórios de transações. Todas essas ideias inovadoras têm como objetivo gerar impacto positivo na sociedade e no meio ambiente. Tudo isso é muito alavancado através dos nossos parceiros como o CIVI-CO, que tem como missão fomentar o empreendedorismo de impacto cívico socioambiental e promover conhecimento para engajar a sociedade civil, o poder público e a iniciativa privada nas causas alinhadas com os ODS da Agenda 2030 da ONU. CIVI-CO e Cause apostam na força da diversidade para formar uma comunidade colaborativa. Gostou? Cadastre seu projeto no nosso site ou entre em contato para tirar dúvidas. *Incubadora de inovação social do Inovaparq.

A transformação vem das favelas

As 10 maiores favelas do Brasil movimentam cerca de R$ 7 bilhões por ano, apontou o estudo Outdoor Social. Paraisópolis, segunda maior comunidade de São Paulo, monetizou R$ 706 milhões em 2019. Esse é o local repleto de inovação e oportunidades que apresentamos na primeira temporada do “Visita CIVI-CO”. No último dia 27 de julho, lançamos no YouTube a nossa nova série de vídeos gravada a partir de visitas às organizações e iniciativas de impacto cívico socioambiental pelo Brasil. E a primeira temporada vai retratar a realidade dos(as) empreendedores(as) da comunidade de Paraisópolis. Toda quarta-feira tem um novo episódio do Visita CIVI-CO: Paraisópolis! O primeiro é o fio condutor desta temporada. Nele apresentamos o Gilson RodriguesAs, líder comunitário de Paraisópolis, empreendedor social, presidente do G10 Favelas e CEO do G10 Bank Participações, que é o retrato de um Brasil potente e transformador. ASSISTA! Visita CIVI-CO: Paraisópolis | Ep. 1 – Gilson Rodrigues Conversar com o Gilson nos ajuda a desmistificar a ideia de startup como um conceito de empreendimento elitista, provando que os ecossistemas periféricos0 também desenvolvem soluções e inovações transformadoras, ainda que com baixo investimento. “Não existe um Brasil igual com Paraisópolis desigual”, Gilson Rodrigues. A primeira temporada traz as histórias do galpão do G10 Favelas, bloco de líderes e empreendedores(as) de impacto social de Paraisópolis (SP). Nela traremos os bastidores da criação de cinco negócios do bloco: Favela Brasil Express, Mãos de Maria, Costurando Sonhos, Emprega Comunidade e Agrofavela. A produção vai mostrar o diálogo entre comunidades, apresentando um conteúdo inspirador e recheado de boas histórias. Vamos conhecer melhor sobre esse ecossistema de empreendedorismo de impacto socioambiental que está gerando impacto para milhares de brasileiros(as) que habitam as periferias brasileiras. “O que vai transformar o Brasil é as favelas”, Giva Pereira. Visto internacional  Comunidades são potências e devem ser respeitadas e ouvidas. Mesmo sem grandes investimentos, elas estão começando a despontar para o mundo. Na última semana de julho, a comitiva do G10 Favelas participou de uma importante missão em Nova York. Os líderes do bloco de empreendedores das favelas brasileiras realizaram uma maratona de eventos, planejados para captar recursos e internacionalizar as atividades do grupo. Esta missão nos Estados Unidos foi denominada de “Semana das Favelas do Brasil”, uma oportunidade de promover iniciativas de apoio à economia das periferias. Nosso objetivo é contar essas histórias transformadoras através do olhar de quem as escreveram e inspirar outros(as) autores(as) das favelas a reescreverem suas próprias vidas. Não queremos romantizar os problemas dessas comunidades, mas mostrar que elas também são espaços para promover soluções de impacto. Quer acompanhar todas essas histórias com a gente? Então, inscreva-se no nosso canal do YouTube e não perca os próximos episódios!

Julho Sem Plástico: trocas positivas para o dia a dia

Por Ana Beatriz Ferreira* Se tem um material que está presente em abundância em nossas vidas atualmente, esse material é o plástico. Em embalagens, nos celulares que carregamos pra cima e pra baixo, nos copos de que bebemos, nos potes em que guardamos nossa comida… O Julho Sem Plástico, assim, surge como uma oportunidade para repensar essa presença. Segundo o Atlas do Plástico, 50% de todo o plástico fabricado até hoje foi produzido a partir dos anos 2000. Ou seja, a gente já viveu com muito menos e pode se readaptar! Para ajudar, que tal pensar em algumas trocas positivas que podem ser feitas no dia a dia a fim de reduzir o material em nossas vidas? Preparamos 5 dicas de mudanças bem simples para te ajudar. Continue lendo para saber o que você pode começar a partir de hoje! 1. Leve sempre seu copo ou garrafinha para o trabalho Parece besteira, mas o hábito de levar nossos objetos de casa para o trabalho e para todos os lugares que frequentamos faz toda a diferença. Já parou para pensar na quantidade de copinhos descartáveis que são usados em escritórios todos os dias? Para o cafezinho, para uma água e outra… Se cada pessoa usar três copos por dia, multiplique isso por dezenas, centenas de colaboradores de uma empresa ou de um coworking… Garrafinha às mãos, sempre! 2. Evite usar saquinhos plásticos no supermercado Para começar, sempre que for fazer suas compras, deixe uma ecobag às mãos para evitar a necessidade de usar sacolas plásticas. Além disso, na hora de separar as suas compras do hortifruti, nada de embalar cada tipo de fruta, verdura e legume em um saco, ok? Você pode levá-los soltos mesmo para o caixa ou, se preferir, usar saquinhos a granel feitos de redes de pesca. A positiv.a, por exemplo, tem uma linha feita de redes resgatadas do fundo do mar por uma comunidade em Santa Catarina. Os produtos são tecidos pelas mãos de artesãos, orientados por Nara Guichon, que já esteve no Civi-co e faz um trabalho especial com essa matéria-prima, incentivando um estilo de vida mais ecológico. 3. Prefira tecidos de algodão a fibras sintéticas Já parou para refletir sobre as blusinhas daquela loja que você tanto ama? Na maioria das vezes, elas são feitas de tecidos sintéticos, que liberam microplásticos a cada lavagem. E a água? Pois bem, a água repleta de pedacinhos de plástico vai parar em rios e mares, com grande chances de ser ingerida por espécies marinhas, o que faz muito mal a elas e a todos os ecossistemas ali presentes! Sempre que puder, priorize tecidos que não impactem o meio ambiente. Os tecidos de algodão orgânico, além de tudo, podem ser compostáveis e prezam por um cultivo muito mais equilibrado com a natureza em comparação à monocultura. 4. Substitua a esponja sintética pela bucha vegetal Sabe aquela esponja verde e amarela que tão comum se tornou em nossas cozinhas? Ela também está cheia de plástico! Além de se estragar em menos tempo, ela demora centenas de anos para se decompor. A bucha vegetal, por outro lado, é de origem natural, uma tradição dos tempos de nossos avós e ainda pode ser compostada após seu período de uso na limpeza. 5. Escolha produtos ecológicos Que tal refletir um pouquinho mais sobre os produtos que você compra? Fazer trocas positivas por produtos de limpeza e de autocuidado ecológicos, por exemplo, ajuda a cuidar mais da sua saúde, do seu lar e, claro, do planeta! O Julho sem Plástico é um convite para reflexão e para o primeiro passo em direção a mudanças de hábitos que podem fazer uma grande diferença no futuro. Com os exemplos de quem integra nossa comunidade, a gente se inspira e avança coletivamente! Tem alguém ao seu lado que também pensa em fazer trocas positivas? Compartilhe esse post e espalhe essa ideia com a gente! *Coordenadora de mídias sociais da Positiv.a

A importância da representatividade

O Dia da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, comemorado em 25 de julho, reforça a luta histórica das mulheres negras por sobrevivência em uma sociedade estruturalmente racista, misógina e machista e nos faz refletir sobre a vida dessas mulheres. Este dia também é dedicado a líder quilombola Tereza de Benguela, símbolo de luta e resistência da comunidade negra e indígena, que enfrentou e resistiu a escravidão por mais de 20 anos. Sabemos que existem muitas iniciativas lideradas por mulheres negras no Brasil, gerando impacto e resistindo às opressões estruturais, mas será que elas têm condições e oportunidades iguais?   O relatório do Sebrae sobre empreendedorismo negro de 2019 aponta que, no Brasil, 9,6 milhões de mulheres estão à frente de um negócio, sendo que as mulheres negras representam metade desse número, ou seja, cerca de 4,7 milhões são mulheres negras. A sub-representação da mulher negra no mercado de trabalho certamente tem impulsionado esses números. Ainda de acordo a pesquisa, quando falamos de empreendedorismo negro, as mulheres negras empreendedoras têm 1,7 ano a menos de escolaridade que as mulheres brancas, em média. E as desigualdades não param. Os negócios conduzidos pelas mulheres negras têm porte menor do que o de mulheres brancas: as empreendedoras negras ganham 49% a menos que as brancas.   Apesar disso  Vemos empreendimentos de mulheres negras despontando e ganhando visibilidade em diversos campos, seguindo uma tradição ancestral onde as mulheres africanas eram responsáveis por grande parte do comércio na Costa Ocidental da África, as quais tinham funções e ofícios desenvolvidos para o objetivo do sustento coletivo. Um exemplo é o da empresária Adriana Barbosa, CEO da Pretahub e criadora da “Feira Preta”. O encontro começou há 20 anos como um brechó e se tornou o maior evento de cultura negra da América Latina, reunindo empreendedores(as) das áreas de moda, música, gastronomia, audiovisual, design, tecnologia, entre outras. Desde 2021, a Feira Preta também é um marketplace e um programa de aceleração. Afroempreendedorismo com impacto  Aqui no CIVI-CO temos grandes exemplos de afroempreendedoras que criaram negócios focados em gerar impacto socioambiental, inspirando outras pessoas que estão começando a empreender, enquanto transformam a vida de diversas pessoas com seus produtos. Educação com afeto A Piraporiando é um negócio de impacto social criado pela educadora Janine Rodrigues, que atua em prol de uma educação antirracista, antibullying, antipreconceito e de promoção da equidade de gênero. Com formações, vivências, monitoramento, diagnóstico e avaliação de impacto alinhados ao cumprimento dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável e aos requisitos de ESG. Autoestima da mulher negra  A Makeda Cosméticos, empresa das irmãs Shirley e Sheila Makeda, tem como missão incentivar nos cuidados dos cabelos afro de forma saudável e auxiliando na construção de uma identidade positiva. A linha de produtos da Makeda Cosméticos é desenvolvida por profissionais técnicos especializados em cabelos crespos e cacheados. Referência infantil  Movida pelo desejo de apresentar uma imagem representativa para suas sobrinhas e outras crianças negras, a analista contábil Luciana Santos criou o canal de vídeos “Luttita”, onde ela dá vida a uma personagem que realiza atividades infantis, brincadeiras, cuidados com a estética e também inglês para crianças. Conheça todas as iniciativas da Comunidade CIVI-CO e não se esqueça de apoiar e consumir produtos de afroempreendedoras.