Meio Ambiente x Marco Temporal

O Dia Mundial do Meio Ambiente, comemorado em 5 de junho, é uma oportunidade de refletir sobre a importância da preservação ambiental e as soluções que precisamos desenvolver nessa área para garantir a existência das próximas gerações. Neste contexto, a discussão em torno do PL 490/07, que propõe um marco temporal para a demarcação das terras indígenas no Brasil, torna-se necessária especialmente nessa data, porque ele tem implicações diretas na preservação ambiental e nos direitos dos povos indígenas. O Dia do Meio Ambiente é um momento de conscientização sobre a necessidade de proteger e preservar o meio ambiente para promover um futuro sustentável. O PL 490/07 suscita preocupações importantes, uma vez que propõe limitar a demarcação das terras indígenas apenas às áreas ocupadas até 5 de outubro de 1988, data da promulgação da Constituição Federal. Essa proposta coloca em risco os direitos territoriais das comunidades indígenas que foram deslocadas de suas terras após 1988. Ao limitar o reconhecimento das terras indígenas a um marco temporal específico, corre-se o risco de negar a importância de áreas que, embora não ocupadas naquela data, são essenciais para a preservação ambiental. Demarcação = preservação  As terras indígenas desempenham um papel crucial na conservação da biodiversidade e na proteção de ecossistemas frágeis. São áreas onde a relação harmoniosa entre comunidades indígenas e meio ambiente se desenvolve há séculos, resultando em uma convivência sustentável e na preservação de práticas tradicionais de manejo ambiental. Ao limitar a demarcação apenas às terras ocupadas até 1988, o PL 490/07 ignora o conhecimento ancestral indígena e sua contribuição para a preservação ambiental. A manutenção dos direitos territoriais indígenas é essencial para garantir a continuidade dessas práticas sustentáveis e a proteção de áreas estratégicas para a biodiversidade. A demarcação de territórios indígenas é fundamental para evitar a exploração indevida desses territórios, que muitas vezes também são ambientes de preservação ambiental. Locais esses que são alvos constantes de madeireiras e garimpos clandestinos. Um exemplo é a incessante busca pelo ouro na Amazônia Legal que ameaça mais de 6 milhões de hectares em Terras Indígenas e Unidades de Conservação naquela região.. Confira o estudo publicado pelo Instituto Escolhas Todes contra o Marco  É fundamental considerar a importância da consulta prévia, livre e informada das comunidades indígenas em qualquer decisão relacionada à demarcação de terras. Essa consulta é um direito reconhecido internacionalmente e garantido pela Constituição brasileira. Ela permite que as comunidades indígenas expressem suas preocupações e contribuam com sua sabedoria ancestral na tomada de decisões que afetam diretamente seus territórios e modos de vida. Ao relacionar o Dia do Meio Ambiente com o PL 490/07, torna-se evidente a necessidade de uma abordagem equilibrada e sensível, que considere tanto a preservação ambiental quanto os direitos dos povos indígenas. A proteção do meio ambiente e a garantia dos direitos indígenas não são objetivos contraditórios, mas, sim, complementares. É possível promover o desenvolvimento sustentável, respeitando e valorizando a cultura e o conhecimento desses povos.

Paraisópolis no centro do debate sobre a cannabis

Enquanto o mercado brasileiro cresce e se prepara para uma abertura seguindo os passos mundiais, a periferia se depara com a desinformação, criminalização e desconhecimento sobre os benefícios da cannabis. Discutir a planta em território periférico, levar conhecimento de qualidade e de forma simples é o foco do Legado Talks, que acontece no dia 24 de junho, na favela de Paraisópolis. Organizado por Renata Alves, líder comunitária e conselheira de saúde, o evento tem a meta de abrir o debate sobre a cannabis deixando de lado preconceitos e vieses tão reconhecidos por quem vive na periferia, como maconha ser sinônimo de crime e encarceramento. “É mais que necessário falar sobre cannabis em territórios periféricos. Muitos moradores escutam a notícia que vai ter remédio de cannabis no SUS e não fazem ideia de como isso pode estar presente em sua vida, já que maconha é droga e ponto final. Além de toda parte medicinal, a planta  tem um potencial enorme de empreendedorismo. São esses nossos objetivos”, afirma Renata. Construindo um legado Esta é a primeira edição do Legado Talks, evento que pretende levar o modelo para outros territórios periféricos, sempre abordando as dúvidas e necessidades de cada comunidade. Já estão confirmados nomes como: Caio França (deputado estadual autor da lei que inclui cannabis medicinal no SUS), Tabata Amaral (deputada federal), Cris Guterres (jornalista), Filipe Sabara (secretário de desenvolvimento social do estado de São Paulo), André Lozano (advogado criminalista), Danilo Biu (historiador e vice-presidente de torcidas Gaviões da Fiel), Tatiane Cruz (empreendedora social), Ticiana Santana (empreendedora), Lih Vitória (cientista periférica) e representantes da CAPS Einstein. Outro ponto importante do evento é a inclusão do empreendedorismo no debate sobre os vários usos da planta. Para falar sobre o tema, a co-idealizadora do evento e fundadora da Galáxia Beauty, Tatiane Cruz, irá liderar um dos painéis ao lado de Ticiana Santana, fundadora da CBeDifferent. Legado Talks é fruto da colaboração dessas duas mulheres empreendedoras, que tem como foco a geração de renda, empreendedorismo feminino e reparação histórica. “A parceria entre Galáxia Beauty e CBeDifferent permitiu levar a discussão do empreendedorismo canábico para dentro de Paraisópolis. A cannabis quebra barreiras com seu  potencial inovador, possibilitando geração de renda e fomentando o empreendedorismo sustentável para locais que sempre sofreram com a criminalização da planta”, afirma Ticiana. “Essa colaboração entre as nossas marcas para promover um evento tão disruptivo é muito potente. Falar sobre desenvolvimento, geração de renda e reparação histórica dentro de uma comunidade tão expressiva como Paraisópolis é ser acessível e promover a inclusão real”, afirma Tatiane. O evento também marca a  inauguração do Legado Hub, primeiro coworking de Paraisópolis. Um ecossistema de membros engajados que atuam em áreas diversas do empreendedorismo social, cultural e ambiental encorajando soluções de desenvolvimento, geração de renda, reparação histórica e legado de impacto positivo em territórios periféricos. SERVIÇO Legado Talks Quando: 24 de junho (sábado) Onde: Legado Hub (R. Melchior Giola 77 – 6º andar – Paraisópolis | SP) Horário: 10h às 15h Imprensa Adriana Cardillo (11) 99364-3373 | [email protected] Parcerias e patrocínio Tatiane Cruz (11) 98865-6656 | [email protected] Ticiana Santana (11) 61 99118-0822 | [email protected]

É necessário descriminalizar já!

Segundo o direito penal, a palavra “descriminalização” é o “ato legal de excluir da criminalização fato abstrato antes considerado crime.” O termo judicial ganhou grande repercussão na última semana, quando o Supremo Tribunal Federal (STF) adiou mais uma vez o julgamento que trata da possível descriminalização do porte de drogas para consumo pessoal. O processo sobre o tema estava na pauta de julgamentos da quarta-feira (24), mas não foi chamado, já que os ministros utilizaram toda a sessão para analisar uma ação penal contra o ex-presidente Fernando Collor. Havia expectativa de que a descriminalização pudesse ser chamada no dia seguinte, mas o recurso foi retirado de pauta. Quer saber mais sobre os termos ligados à cannabis?  Baixe agora o nosso “Dicionário da Cannabis” A discussão em torno da descriminalização das drogas tem ganhado relevância no contexto sociopolítico contemporâneo. Nesse debate é importante considerar não apenas as questões de saúde e segurança pública, mas também o impacto que as políticas de drogas têm sobre as comunidades marginalizadas. O racismo sistêmico está profundamente entrelaçado nas políticas de drogas, resultando em disparidades sociais e raciais significativas. A chamada “guerra às drogas” e seu viés racial: as políticas de drogas têm sido historicamente utilizadas como ferramentas de opressão e controle social das comunidades negras e latinas. Discriminação racial x Impacto da descriminalização das drogas Prisões em massa: a criminalização das drogas tem contribuído para o aumento das prisões em massa, afetando negativamente as minorias étnicas e aprofundando as desigualdades raciais no sistema de justiça criminal. Redução das taxas de encarceramento: a descriminalização das drogas pode reduzir significativamente as taxas de encarceramento, beneficiando principalmente as comunidades racialmente marginalizadas. Enfoque em abordagens de saúde pública: ao invés de tratar os usuários de drogas como criminosos, a descriminalização permite que sejam vistos como pessoas que precisam de assistência médica e suporte social, abrindo espaço para abordagens mais humanitárias e inclusivas. Oportunidades de investimento: a regulamentação e legalização de algumas substâncias podem criar oportunidades econômicas para comunidades historicamente prejudicadas pelo racismo, promovendo a inclusão social e o empoderamento econômico. A realidade escancarada Entidades de defesa dos direitos das pessoas negras argumentam que a atual lei de porte de drogas leva à discriminação e escancara o racismo nas decisões judiciais. A maioria dos presos por tráfico são negros, ainda que boa parte tenha sido flagrada com quantidades menores de droga do que réus brancos enquadrados como usuários. Questionada, a assessoria do Supremo disse apenas que a presidente da Corte, ministra Rosa Weber, é a responsável por administrar a pauta e remarcar uma nova data para o julgamento do caso. Iniciado há oito anos, quando foi interrompido por um pedido de vista, o caso não voltou a ser discutido em plenário desde então. Até o momento, três ministros (Luís Roberto Barroso, Edson Fachin e Gilmar Mendes) votaram a favor de algum tipo de descriminalização da posse de drogas. O recurso sobre o assunto possui repercussão geral e provavelmente servirá de parâmetro para todo o Judiciário brasileiro. Novos caminhos A descriminalização das drogas apresenta-se como uma alternativa viável e necessária para enfrentar o racismo sistêmico presente nas políticas de drogas. Ao desafiar a narrativa punitiva e repressiva, é possível abrir caminho para uma abordagem mais justa, equânime e baseada na saúde pública. É crucial reconhecer que o racismo e a discriminação são intrínsecos às políticas de drogas e que a descriminalização representa um passo importante para a construção de uma sociedade mais igualitária, onde a cor da pele não seja um fator determinante para a criminalização e marginalização.

Empreendedoras da beleza dominam as favelas

por Galáxia Revendedoras O potencial de consumo anual das favelas brasileiras é de 180 bilhões de reais. Quem afirma esse dado é a pesquisa Persona Favela do Outdoor Social, realizada em 2021. Segundo o estudo, as 15 maiores comunidades periféricas do Brasil gastam anualmente 436 milhões de reais com produtos de beleza e higiene pessoal. Número bastante superior a shoppings, lojas e farmácias “do asfalto”. Ainda de acordo com a pesquisa, mais de 50% dessas vendas são feitas através de revendedoras das próprias comunidades, as chamadas “revendedoras porta a porta”. Por outro lado, mesmo com esse volume expressivo de vendas, usando apenas sua rede de contatos, grande parte dessas mulheres ainda vê esse trabalho apenas como uma segunda fonte de renda. “A insegurança é o motivo principal para que elas considerem a revenda somente como uma atividade complementar. Insegurança de investirem no seu sonho por serem, na maioria das vezes, a principal ou única fonte de renda da família, pela falta de capacitação, baixa autoestima, entre outros”, explica Tatiane, fundadora da Galáxia Revendedoras. Seguindo o movimento de grandes marcas multinacionais do setor da beleza, a Galáxia Revendedoras foi criada para ser um ecossistema que potencializa esse modelo de negócio, levando acessos e novas possibilidades para mulheres periféricas. Incubada dentro da favela de Paraisópolis (SP), em pouco mais de 1 ano de operação, a Galáxia já impactou diretamente a vida de 80 mulheres – e mais de 320 pessoas indiretamente. Legenda: A Galáxia promove o empoderamento de mulheres da periferia através da capacitação Uma galáxia de oportunidades A partir do desejo de ter um produto próprio e competitivo para revenda, a Galáxia Revendedoras, junto com as revendedoras de Paraisópolis (SP), criaram a “Galáxia Beauty”, uma marca de perfumes e dermocosméticos desenvolvida para gerar renda e resgatar a autoestima dessas mulheres. Um dos casos de sucesso dentro da Galáxia é a Márcia Jesus, mãe, avó, mulher preta, cadeirante que viu nas vendas a possibilidade de continuar mantendo financeiramente a sua família e trabalhar com dignidade, mesmo diante de todas as dificuldades. No ecossistema desde o início, Márcia será a primeira revendedora a ter uma franquia social física da Galáxia. A loja, que já existe em um dos becos de Paraisópolis, passará por uma reforma completa para vender os produtos da marca Galáxia Beauty. Legenda: Márcia será a primeira revendedora a ter um loja física da Galáxia Compre os produtos Galáxia

Piadas ruins, o futebol e o ESG

O que uma defesa da “liberdade de expressão” no humor e um estádio lotado na Espanha ecoando cantos e falas racistas têm em comum? Aparentemente podem parecer fatos isolados, mas em uma análise não muito profunda transparecem um lado da sociedade que ainda não está preparada para lidar com a diversidade. A pauta racial movimentou as redes sociais brasileiras nos últimos dias. Os casos do jogador Vinícius Jr. e do humorista Fábio Porchat tematizaram a mídia – e com razão! Em um país onde 56% da população se identifica como preta ou parda (IBGE) é natural que esses temas pautem a sociedade. Principalmente quando há figuras públicas envolvidas. Porém, quanto dessa discussão consegue furar bolhas da comoção e inconformismos instantâneos e se manter como um fenômeno permanente enfrentando uma estrutura hétero, branca e cisgênera? Craque do Jogo Diversas formas de engajamento da sociedade nos temas pertencentes à diversidade e no combate aos preconceitos já estão sendo utilizadas. Entre elas, podemos destacar as práticas ESG. A relação entre essa sigla (Environmental, Social and Governance) e a diversidade é um assunto cada vez mais relevante nas esferas públicas e privadas. O ESG refere-se a como os ecossistemas devem considerar suas práticas e decisões. A diversidade, por sua vez, envolve a inclusão de pessoas de diferentes origens, gêneros, etnias e habilidades em todos os níveis da organização. Esses dois conceitos estão interligados e desempenham um papel fundamental no sucesso e na sustentabilidade do planeta. Ainda muito ligado ao meio corporativo, o ESG tem um impacto direto no aspecto social dos sistemas econômicos. Promover a diversidade dentro das organizações transforma  um ambiente inclusivo, onde todos os colaboradores são valorizados e têm igualdade de oportunidades. Isso só fortalece a cultura empresarial: aumenta a satisfação dos funcionários, melhora a colaboração e promove um senso de pertencimento. Com a consolidação dessas práticas, novas ações podem se propagar para além do ambiente corporativo e chegar em outros espaços. A diversidade também contribui para a criação de equipes mais inovadoras e criativas, já que diferentes perspectivas e experiências trazem novas ideias e soluções. Um exemplo prático simples: se times e ligas de futebol adotassem as práticas ESG nas suas organizações, as ações de combate ao racismo seriam mais constantes e efetivas. Da mesma forma, as empresas patrocinadoras se distanciariam dessas equipes vinculadas aos discursos preconceituosos. Hoje as empresas reconhecem a importância de contribuir para o desenvolvimento e o bem-estar da sociedade como um todo. Isso inclui a promoção da igualdade de oportunidades e o respeito pelos direitos humanos. Ao abraçar a diversidade, as empresas demonstram seu compromisso com a construção de uma sociedade mais justa e inclusiva, onde todos e todas têm chance de prosperar. Bons exemplos importam Um grande exemplo de movimento que conseguiu romper a efemeridade das redes sociais e se tornar concreto e mundialmente conhecido foi o “Black Lives Matter” (Vidas Negras Importam). O movimento teve origem nos EUA em 2013 com o uso da hashtag #BlackLivesMatter nas mídias sociais, após a absolvição de George Zimmerman, responsável pela morte do adolescente afro-americano Trayvon Martin. O BLM continua organizando protestos em torno da morte de pessoas negras causada por policiais e contra questões mais amplas de discriminação racial, como a brutalidade policial e a desigualdade racial no sistema de justiça criminal dos Estados Unidos. Aqui na nossa Comunidade de impacto temos algumas iniciativas alicerçadas em práticas ESG que combatem preconceitos e opressões estruturais, buscando uma transformação social: A Piraporiando propõe essas mudanças através de uma educação anti bullying e antipreconceito. O Instituto DaCOR utiliza uma base de dados para apontar a desigualdade existente nessas estruturas. Trace utiliza a produção de conteúdos afrocentrados como forma de pertencimento, informação e luta. Conheça outras iniciativas do CIVI-CO que possuem práticas ESG e venha transformar o mundo com a gente!

Empreender é um ato de coragem

por Tarse Cabello* Rupi Kaur levou 20 anos para conseguir escrever seu primeiro livro. “O primeiro projeto artístico que você dá à luz é assim. É uma soma de todos os anos que você viveu antes dele”, define a autora. Quando eu decidi abrir minha consultoria, sabia que ela não seria um projeto artístico. A CosmoBrasileira é um negócio de impacto socioambiental porque fortalece propostas agregando valor a marcas comprometidas com o desenvolvimento sustentável. Mas, para mim, que durante anos acordei com ideias pipocando na cabeça sem uma clareza exata do destino reservado a elas, enxergo a coragem que precede a abertura de um negócio como uma catarse autoral, uma transformação a partir de tudo que precedeu aquele momento. Durante minha vida profissional pré-empreendedorismo, tive a oportunidade de atuar no reposicionamento da marca do Museu da Pessoa, como parte de um projeto financiado pelo BNDES, que catalisou o processo de autoconhecimento e de alinhamento de visão de futuro da instituição e envolveu a participação ativa de todo o time. Posicionar uma marca é uma oportunidade de transformar um punhado de intenções em uma realidade direcional. O cordel e o pixo foram inspirações gráficas para criação de uma nova marca visualmente mutável (materializada pelo sensacional Cleber Rodrigo) e que representava a pluralidade de histórias humanas. O posicionamento “somos nossas histórias” foi desenvolvido para colocar cada pessoa no centro desse museu e, como esse foi o elemento-chave do projeto, tomo a liberdade poética para traçar um mesmo paralelo com o empreendedorismo: somente um olhar diverso e decolonizado criará bases para a economia regenerativa do futuro que desejamos construir. Nossa luta é diária Empreender numa sociedade patriarcal em desconstrução é um processo difícil, delicado e cheio de desafios desanimadores que só posso atestar com plena consciência das desigualdades. Mesmo vinda de uma família de classe baixa da periferia de São Paulo, eu tive acesso à educação e a cor da minha pele não representou uma barreira na minha jornada. As interseccionalidades dentro do feminismo comprovam que, embora nossas lutas tenham pesos diferentes, uma constante permanece: sempre seremos mais questionadas e julgadas em todos os lugares que nos propusermos a ocupar. Eu acredito que uma consultoria de marca brasileira precisa se entranhar na cultura do país, ter sensibilidade para entender o cenário macro e ter pensamento crítico. A CosmoBrasileira é a materialização dessa visão porque acredito nela – e sigo em frente. O mundo precisa, urgentemente, de mulheres comprometidas com o progresso e que valorizem seus jeitos únicos de liderar e empreender para criar modelos mais sustentáveis de negócios. Estamos prontas e esta é a hora certa! *Fundadora e Líder de Estratégia da CosmoBrasileira. Conheça a CosmoBrasileira

Comunicando com propósito no Meetup CIVI-CO

Falar, digitar, explicar, registrar, fotografar… Afinal, o que é comunicação para você? Somos bombardeados diariamente por ondas de informações por todos os lados, mas quanto desse conteúdo “involuntário” é relevante para a sua vida? Quanto dele você realmente absorve e como faz isso? Já parou para pensar que você também interage como um meio de comunicação que influencia as pessoas ao seu redor? Então, para combater a desinformação é necessário ter o domínio de determinadas técnicas e consciência do impacto gerado pela mensagem disseminada. Leia: Fake News: A força da (des)informação na rede Pensando nesse potencial que cada pessoa tem de ser um(a) comunicador(a) e na necessidade de uma comunicação transparente no mundo dos negócios de impacto, no último dia 12 de maio, o CIVI-CO realizou um Meetup com o tema “Comunicação com Propósito”. O encontro entre comunicadores(as), empreendedores(as) e a sociedade civil dialogou sobre a importância de transformar através da informação. O evento proporcionou um dia de reflexões e aprendizados, além de um painel com a presença de especialistas em Comunicação, como: Jairo Malta (jornalista e colunista da Folha de S.Paulo), Cris Guterres (jornalista e apresentadora da TV Cultura) e Ana Claudia Ferrari (editora-chefe da SSIR Brasil). Comunicação aliada  Nesta conversa onde o princípio de “Comunicação com Propósito” se materializou e ganhou forma, os(as) comunicadores(as) partilharam experiências sobre como a informação com responsabilidade socioambiental pode ser uma aliada para as causas de impacto e para difundir as métricas ESG e os ODS. “Nosso principal objetivo é proporcionar um protagonismo das pessoas pretas, periféricas, LGBTQPAI+. A gente conseguiu conquistar esse espaço dentro de uma TV pública e aberta, que tem sinal para todo Brasil, o programa tá no ar há dois anos, em seis meses de programa nós ganhamos o troféu mulher imprensa como melhor programa com temática diversidade na televisão brasileira”, afirmou Cris Guterres, sobre o seu programa “Canal Livre”. Ao decorrer do dia aconteceram oficinas com Robson Rodriguez (fundador da Influência Negra) e Luciene Antunes (fundadora da Oficina de Impacto). A programação também incluiu os pitches de membros da Comunidade CIVI-CO e um almoço delicioso com a comida afetiva preparada pela chef Thayná Negreiros da Alimento. Conheça nossos canais e conteúdos audiovisuais de Mídia e Comunicação!

O Novo e o De Novo

Por Carlos Beltrão*  Sempre pensamos em nós como um povo que tem história, passado, ancestralidade… mas nunca como um que tem futuro. Afinal, ele nunca nos pertenceu. Antes, pelo fato de nascermos apenas para trabalhar, sofrer e morrer escravos; Depois, devido à estigmatização de uma abolição que conseguiu tornar a nossa liberdade (tão sonhada e desejada) em algo pior que a própria escravidão. Mas eis que a mais recente mudança de gerações nos traz o alento de um horizonte não mais apenas distante e inalcançável. Ventos da mudança começam a soprar como brisa no rosto e podemos, talvez pela primeira vez em nossa existência, vislumbrar aquilo que não conhecemos. Apesar de ainda não enxergarmos um modelo de país sendo gestado nos corredores do poder, já nos tornamos sensíveis às pegadas de um amanhã que se aproxima. É certo que ele ainda vem furtivo, talvez evitando chamar a atenção para si, receoso pelo risco de ser esmagado antes de ganhar corpo, de deixar de ser sonho. Contudo, ele continua vindo (e isso é o que importa!), se aproximando e estabelecendo suas próprias marcas através da determinação dos jovens em não mais aceitar comportamentos tóxicos baseados em distinções de cor, raça, gênero, escolhas sexuais, idade, capacidade, peso e origem; ele se anuncia também nas pautas ESG adotadas pelas empresas como forma de atender à cartilha dos “donos do dinheiro”, como já havia sido feito antes, no fim do tráfico negreiro. E, mesmo sabendo que não é por bom senso, empatia ou humanidade do lado corporativo, aceitamos seus frutos como se realmente nos fossem oferecidos de bom grado, como se não habitassem o mesmo quadrante da reparação que nunca veio, da compensação de uma exploração linear de pais, filhos, netos, bisnetos e tataranetos… como se viesse como justiça e não apenas como interesse e oportunidade para algum novo tipo de exploração. Mas se quem nunca comeu doce, quando come se lambuza, imagine o tamanho da nossa comemoração quando a fresta de uma janela, que nunca se abriu, deixa entrar este raio de sol. O corpo já sente o calor mesmo antes dele alcançar a pele. A alma já se expande para preencher as lacunas que a exclusão, a criminalização e o medo (da ausência de futuro) ocupavam há séculos. É claro que não estamos sentados aguardando que as barreiras se rompam… isso certamente não acontecerá, não em nosso tempo. Nossa mobilização agora assume os contornos de um hub de inovação… a inovação social que traz consigo o uso de tecnologias para identificar Ambientes Seguros para a diversidade; a capacitação de colaboradores e líderes para lidar com a inclusão no local de trabalho; e robôs de software para atender simultaneamente todas as denúncias e pedidos de assistência jurídica e apoio psicológico de que as vítimas do racismo diário carecem. Assim, por meio da colaboração, da integração de times diversos e ferramentas de baixo código, nos desdobramos em milhares, estando prontos para atender milhões. Hoje, somos a força de um programa que materializa o ideal de Mandela e o sonho de Martin Luther King Jr. na busca diária da convivência pacífica e respeitosa entre as pessoas, desconstruindo as bases do racismo em suas diversas formas de manifestação. Como forma de assegurar isso, estruturamos o programa #RacismoZero – baseado em 3 pilares que operam como as políticas públicas de saúde – para eliminar a doença social conhecida como racismo: (i) promovendo a saúde através do Antirracismo; (ii) prevenindo a doença a partir de uma rede de Ambientes Seguros; e (iii) reabilitando o doente por meio da plataforma Acolhe, de atendimento gratuito às vítimas. E, com isso, acreditamos ter encontrado uma maneira de romper com um passado que nos perseguiu por gerações. E de, finalmente, poder construir O NOVO e descartar o “de novo”. Para que ele não mais se repita. Esse é o futuro que estamos construindo: desconhecido, cheio de diversidade e justiça social. Qual é a Pegada Social que você vai deixar neste mundo? Participe do movimento  *Head de Inovação da Universidade Zumbi dos Palmares e Coordenador Geral do programa #RacismoZero.

CIVI-CO na 2ª Medical Cannabis Fair

Como um grande apoiador e fomentador da cannabis medicinal, o CIVI-CO esteve presente em dois dos principais eventos do setor nos dias 4 e 5 de maio, em São Paulo. A segunda edição da Medical Cannabis Fair e do Congresso Brasileiro de Cannabis Medicinal movimentou o ecossistema e apresentou novidades e tecnologias para profissionais da área e agentes do setor. Ambos os eventos são realizados pela plataforma Sechat, com o propósito de proporcionar conhecimento e informação, e reuniram as principais empresas do mercado da cannabis medicinal do Brasil e do mundo, com expositores e participantes de países como: Argentina, Uruguai, Colômbia, Paraguai, Espanha, Israel, Canadá e Estados Unidos. Além da pluralidade de países, a Medical Cannabis Fair apresentou uma ampla gama de áreas e segmentos: Farmacêuticas; Clínicas; Educação; Têxtil; Cosméticos; Tecnologia; Agricultura; Operação Financeira; Veterinária; Dados; Genética; Institutos e Associações. Inovação e Articulação Eventos como esses, que abrangem as diversas utilidades da planta, são iniciativas estratégicas para a criação de uma frente ativa e organizada, porque difundem a pauta e a tornam mais acessível. Assim, fomenta-se o debate em torno da liberação e do acesso desse produto, que pode ser fonte de geração de renda para o país. Atualmente, mais de 95% dos insumos utilizados para a produção de remédios à base de cannabis no Brasil são importados. Ou seja, as empresas precisam trazer de fora a matéria-prima para fabricação das formulações, sendo que o nosso país possui todas as condições de plantio favoráveis. Comunidade Verde O CIVI-CO foi representado no evento através da The Green Hub, a primeira aceleradora de startups ligadas à cannabis medicinal e industrial no Brasil. A plataforma potencializa iniciativas visando o avanço da regulamentação no país através da inovação e tecnologia, pesquisas no setor e resoluções governamentais. A The Green Hub faz parte da Comunidade CIVI-CO e participou ativamente da Medical Cannabis Fair, com presença nos painéis do Congresso e stands da Feira. Eles também tiveram um momento para apresentação de pitches das suas aceleradas e divulgaram o “Dicionnabis”, ebook lançado em parceria com o CIVI-CO e o IPSEC Brasil. Conheça o Dicionnabis A empresa foi pioneira ao relacionar as métricas ESG e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU com a pauta da cannabis, lançando recentemente um relatório de compromissos com as causas socioambientais e promovendo o 4° Cannabis Thinking focado nas questões raciais. “É uma preocupação com o meio ambiente e com o social. Quando a gente faz isso tem que ser propositivo. Não faz sentido uma pessoa estar presa [por causa da cannabis] enquanto outras estão ganhando um monte de dinheiro aqui fora”, pontua Alex Lucena, sócio e Head de Inovação da The Green Hub. Baixe o “Relatório ESG” da The Green HUB

A mulher e o saneamento básico

por Renata Moraes* Não é novidade que o setor de saneamento básico é predominantemente masculino. E, diante do mês em que o calendário mundial enfatiza duas importantes datas – 8 de março, Dia Internacional da Mulher, e 22 de março, Dia Mundial da Água – convido você a fazer uma reflexão sobre esses dois temas. Em 2023, quase 35 milhões de pessoas no Brasil ainda vivem sem acesso à água tratada e cerca de 100 milhões não têm acesso à coleta e ao tratamento do esgoto. Cenário praticamente medieval, que resulta em um contexto de saúde pública com alta incidência de doenças de veiculação hídrica, que poderiam ser facilmente evitadas com o mínimo de condições dignas de habitação e saneamento. Recentemente, o Instituto Trata Brasil divulgou a segunda edição do estudo “O Saneamento e a Vida da Mulher Brasileira”. Segundo a publicação, uma em cada quatro mulheres não são abastecidas com água tratada com regularidade, além de 41,4 milhões ainda residirem em casas sem coleta de esgoto. E para nossa surpresa, indo na contramão do que se esperava com o passar dos anos, o índice de mulheres sem banheiro em casa cresceu, passando de 1,6 milhão para 2,5 milhões. Nesta segunda edição do estudo, ainda foi realizada uma análise sobre como a falta de saneamento básico impulsiona a pobreza menstrual. O relatório também reforça que o acesso universal ao abastecimento de água e coleta de esgoto poderá tirar mais de 18 milhões de mulheres da condição de pobreza. Créditos: Instituto Trata Brasil (2022) Esses números escancaram as consequências e o impacto negativo da falta de saneamento básico na vida dos brasileiros, em especial das mulheres, e aprofundam ainda mais o abismo que é a desigualdade de gênero no país, deixando evidente que a mulher é certamente a maior excluída quando o assunto é o saneamento básico. Acesso com equidade Diante desse contexto, é inconcebível a formulação de estratégias e políticas públicas e privadas para se atingir a universalização do saneamento básico que não tenham a mulher como um elo fundamental para o acesso a condições sanitárias dignas a todos os habitantes do planeta. O cenário fica ainda mais sem sentido quando passamos a constatar que é a mulher, na maioria das vezes, a protagonista nos cuidados e asseios da família e do lar. A alma feminina está essencialmente ligada a características tais como sensibilidade, criatividade e senso de cuidado, com o outro e com o meio ambiente. E para promover o desenvolvimento sustentável, esse cuidado é fundamental para a transformação do status quo. Para impulsionar esse movimento, o Instituto Iguá apoia o acesso à água tratada e ao saneamento para comunidades em situação de vulnerabilidade social; estimula a criação de soluções inovadoras e, visando contribuir com um impacto sistêmico e em maior escala, contribui com a formulação de políticas públicas para o setor. Isso tudo buscando sempre envolver outros atores e parceiros estratégicos, pois acreditamos que juntos certamente vamos mais longe. Soluções coletivas Iniciativa do Instituto Iguá leva tratamento de esgoto para comunidade do interior de SP Créditos: Luan Santos / Reprodução Uma das nossas iniciativas coletivas é o “Comunidade Lab” realizado na Vila Moraes (no município de São Bernardo do Campo, grande São Paulo), comunidade onde residem cerca de 500 famílias (boa parte delas liderada por mulheres), sem nenhuma estrutura de coleta e tratamento de esgoto. A região se trata de uma área de preservação ambiental próximo à Represa Billings. Em parceria com a Associação Biosaneamento, Scania e diversos outros parceiros, o trabalho tem sido transformar a comunidade em um laboratório a céu aberto, através da implantação de tecnologias descentralizadas, acessíveis e sustentáveis para a coleta e tratamento do esgoto, assim como do envolvimento da população local na sua implantação e manutenção. Os esgotos e resíduos domésticos são usados para a geração de biogás e biofertilizante. Essa e outras iniciativas que contribuem para a universalização do acesso ao saneamento no Brasil têm levado dignidade à população mais vulnerável, especialmente às mulheres, demonstrando que pessoas realmente importam.  Portanto, para o mês em que se comemora o Dia Internacional da Mulher, mais do que parabéns, desejo respeito, cuidado, água tratada e coleta de esgoto. Afinal, o saneamento só será básico quando for realmente para todos e todas! *Diretora Presidente do Instituto Iguá. Conheça o Instituto Iguá