Entrevista com Xan Ravelli

por Trace Brasil A potência e criatividade negra é um expoente de transformação para a sociedade. No contexto audiovisual, como você enxerga os desafios atuais de produzir conteúdos com pautas étnicos-raciais? Em um país como o Brasil, que tem sua história contada por uma população branca há 500 anos, sempre esperamos uma história de exploração tendo seus abusadores como heróis. Precisamos subverter esse olhar e passar essa narrativa para o corpo preto. Não é só sobre o caráter de produção, mas também sobre o caráter de consumo, de ter uma galera consumindo conteúdos produzidos, pensados e idealizados por pessoas pretas. O grande desafio agora é realmente romper as fronteiras e deixar esse conteúdo mais atrativo e de qualidade para poder atingir o máximo de pessoas pretas que a gente conseguir. As pessoas querem se enxergar e quando você tem um produto de qualidade, com narrativas que muitas vezes trazem a nossa figura com naturalidade, é muito legal você ter a população se identificando com isso, absorvendo e consumindo cada vez mais. Qual a importância das criação de ações afirmativas no mercado da Comunicação para viabilizar projetos de alto impacto? Criar um material audiovisual de qualidade não é barato e o mercado não pede menos que isso para dar visibilidade. Quando você viabiliza projetos de alto impacto é muito importante para poder dar espaço para grandes artistas que estão escondidos por falta de oportunidades. Temos muitos artistas assim no Brasil e as periferias do nosso país são muito ricas em criatividade. Existem muitas iniciativas lideradas por mulheres negras no Brasil, gerando impacto e resistindo às opressões estruturais. Mesmo com dificuldade de ocupar determinados lugares, como o empreendedorismo feminino tem se fortalecido nos últimos tempos?  O empreendedorismo feminino é intrínseco às mulheres pretas. Iniciamos com o empreendedorismo nesse país com as nossas ancestrais, mulheres que compravam a alforria de homens pretos e a sua própria liberdade. Depois da abolição, algumas foram cozinhar, cuidar de famílias e empreender – não porque quiseram. É muito importante salientar que nós vamos para o empreendedorismo por necessidade. Lutamos para ganhar mais em um mercado de trabalho que muitas vezes não dá abertura para nossa inteligência, intelectualidade e prospecção de carreira. Um mercado que ainda é centrado na figura do homem branco. Também precisamos falar das mães pretas em especial, porque é um grupo que para mim é muito caro, pois faço parte dele, e que ocupa menos espaço em todos os lugares. Além de desenvolver nossas carreiras, temos que cuidar do nosso principal ofício: ser mãe. Agora queremos fazer os nossos próprios caminhos não apenas para ter o suficiente para sobreviver, mas para viver bem. Assista ao Trace Trends

Os dias quentes de inverno

É inverno no Brasil – e começa aquela época das disputas para saber qual é “a cidade mais fria” do país. Paulistas, curitibanos, gaúchos, todos disputam o posto, se orgulham e exibem as baixas temperaturas. Mas até quando isso será possível? O Planeta está esquentando e sentimos ter que dizer isto aos fãs do inverno: a estação está ameaçada a cada ano. A temperatura média do planeta Terra atingiu dois novos recordes esta semana. Na última segunda-feira (3), a temperatura ultrapassou 17°C pela primeira vez desde o início das medições. Os dados foram relatados pelos Centros Nacionais de Previsão Ambiental dos EUA. Já na terça-feira (4), o recorde foi batido novamente, com os termômetros marcando 17,18°C. Essas condições climáticas, aliadas ao aquecimento global, vêm prejudicando as temperaturas do inverno brasileiro, que neste ano terá temperaturas mais elevadas que o normal. O inverno no hemisfério sul começou no dia 21 de junho e terminará no dia 23 de setembro em 2023. A estação se caracteriza pela mudança na direção dos raios solares, que deixam de incidir diretamente no nosso hemisfério, causando queda nas temperaturas. Além disso, o fenômeno natural El Niño deve contribuir para que o inverno seja um pouco mais quente que o normal no Brasil, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). O fenômeno ocorre quando as temperaturas da superfície do Oceano Pacífico ficam pelo menos 0,5°C acima da média por um longo período. Mas além de atrapalhar na escolha de seus looks, essas mudanças têm consequências sérias para todo o ecossistema e também na sua vida, alterando em toda regularidade climática, ambiental e até social do país e do mundo. Veja as principais consequências: Risco de seca na faixa norte das regiões Norte e Nordeste A água da superfície do Pacífico, que está muito mais quente do que o normal, evapora com mais facilidade. Ou seja, o ar quente sobe para a atmosfera mais alta, levando umidade e formando uma grande quantidade de nuvens carregadas. Logo, no meio do Oceano Pacífico, chove muito e com frequência. Durante as chuvas, esse mesmo ar quente, agora mais seco, continua circulando e desce no norte da América do Sul, inibindo a formação de nuvens e, consequentemente, a ocorrência de chuvas. Grandes volumes de chuva na região Sul O El Niño aumenta a probabilidade de chuvas acima da média porque a circulação dos ventos em grande escala também interfere em outro padrão de circulação de ventos na direção norte-sul. Essa interferência age como uma barreira, impedindo que as frentes frias que chegam pelo Hemisfério Sul avancem pelo país. Logo, as frentes ficam concentradas por mais tempo na Região Sul do Brasil. Reservatórios de água diminuem mais rapidamente A evaporação dos reservatórios aumenta. Estes meses do meio do ano são os com tempo mais aberto e ar mais seco na maior parte do Brasil. Quando junta-se a condição de temperatura mais alta com o período de ar mais seco, os níveis das barragens diminuem. Mantém a população de insetos maior Os insetos são animais de “sangue frio”, o corpo deles muda com a temperatura do ambiente. Eles dependem da temperatura externa para se manterem ativos, ou seja, se alimentarem, se moverem e se reproduzirem. E a proliferação de algumas espécies é um grande problema. O caso mais crítico no Brasil é do aedes aegypti, mosquito transmissor de muitas doenças “de verão”, como a dengue. Quando o frio de verdade não vem, estes insetos têm um índice de reprodução maior. Ar mais poluído Os dias “quentinhos” de céu azul indicam que o ar se move pouco. Com isso, a poluição de partículas fica retida perto das fontes, que podem ser as ruas cheias de carros, as queimadas intencionais ou naturais. Também existe a poluição por ozônio, que combina a química dos combustíveis queimados e o tempo ensolarado. O fogo se espalha mais rapidamente O Inpe já alertou que o aumento das temperaturas aliado ao período de seca eleva o risco de queimadas, principalmente nas regiões Centro-Oeste e Sudeste do país, onde se concentra o Cerrado brasileiro. Ainda há tempo Todos esses acontecimentos são apenas uma pequena amostra do que pode ocorrer em um futuro próximo caso as questões climáticas continuem sendo ignoradas. Essa é uma responsabilidade de todos(as) nós! Vamos acelerar a nossa colaboração para um planeta mais sustentável antes que seja tarde demais.

Moda Circular: saiba como se engajar

Por Marina Lins* Uma vez que a moda tem um impacto cada vez mais negativo ao planeta, medidas para a circularidade buscam frear os efeitos da crise climática que estamos vivendo. Moda circular é uma prática da economia circular, que pensa o desenvolvimento de produtos num ciclo de vida mais durável, regenerativo e sustentável. Segundo o instituto internacional Ellen Macarthur Foundation, referência no assunto, a moda circular passa pela eliminação do desperdício e poluição; a circularidade de produtos e materiais; e a regeneração dos solos. Economia circular na moda Se numa perspectiva linear e tradicional os processos se baseiam em extração, produção, consumo e descarte, a economia circular busca produzir de forma integrada com nossos ecossistemas. Produtos são projetados para serem reciclados e continuar num ciclo de uso, conforme a imagem abaixo. Ainda, é necessário diferenciar a economia circular da reciclagem. Enquanto o processo de reciclar faz gestão dos resíduos no final do processo produtivo, na economia circular isso é pensado desde o princípio. Ou seja, ao desenvolver um produto, é necessário considerar a durabilidade, sua reinserção de volta ao solo ou num novo produto. 5 formas de praticar  1. Pesquise sobre tecidos que façam sentido para sua realidade. Faça compras conscientes e necessárias. Do ponto de vista dos tecidos, dê preferência a materiais de qualidade e peças confortáveis de acordo com o clima da sua cidade. 2. Dê preferência às peças usadas. Sempre que puder, dê uma chance para as peças de brechó. Lá você pode garimpar roupas e acessórios exclusivos e com muito estilo. 3. Prolongue o uso das suas roupas. Afinal, foi um longo caminho para ela chegar até você. Nada de descartar suas roupas sem usá-las ao máximo, certo? 4. Quando uma roupa chegar ao fim da vida útil, busque as marcas para entender quais soluções elas têm. Por exemplo, aqui na Herself, onde temos um programa de logística reversa! 5. Fique atenta à lavagem verde, já que a moda circular exige dados e transparência Mas e os brechós? Os brechós possuem um protagonismo na discussão sobre a moda circular. Segundo o Sebrae, de 2020 para 2021, o mercado de segunda mão cresceu 48,5%. Quando as roupas usadas estão circulando, seu tempo de vida útil é estendido. Da mesma forma, o upcycling também é uma prática mais sustentável. A partir de roupas usadas são feitos novos produtos. Embora essas técnicas estejam se popularizando com marcas de grife, essa inteligência coletiva está presente há anos na periferia brasileira. Como é o caso da “Remexe”, cooperativa de moda sustentável do Centro Cultural Lá da Favelinha, que cria a partir de resíduos têxteis. Dessa forma, as práticas se encaixam não só no design para durabilidade, como também na diversidade, por promover renda a pessoas de diferentes etnias e contextos sociais. Mas, então, todo brechó faz parte da moda circular? Em alguma medida, alguns possuem produtos circulares. No entanto, nem todo o brechó opera nessa lógica. Práticas como upcycling, melhor uso dos tecidos, reciclagem e sustentabilidade social também devem ser levados em consideração. E não se esqueça: a economia circular é complexa. E, o poder público e privado também são responsáveis por essa transformação. Afinal, como consumidores, não está em nossas mãos agir rumo a uma mudança sozinhos. Consumir de quem está comprometido com essas ações pode fazer a diferença! *Diretora de criação na Herself.

5 vantagens do coworking para negócios de impacto

Nos últimos anos, os espaços de coworking ganharam popularidade como uma alternativa moderna e flexível para o ambiente de trabalho tradicional. Só em 2022, a busca por esses espaços foi 90% maior. Esses locais compartilhados oferecem diversas vantagens tanto para profissionais independentes como para empresas. Entenda a importância de fazer parte de uma comunidade de inovação. Veja 5 vantagens que um espaço de coworking pode trazer para os negócios e as organizações de impacto. 1. Networking e colaboração Uma das maiores vantagens do coworking é a oportunidade de se conectar com profissionais de diferentes áreas. Ao compartilhar um espaço com pessoas de diversas especialidades, você tem a chance de expandir sua rede de contatos e colaborar em projetos conjuntos. Essa interação facilita a troca de ideias, conhecimento e experiências, criando um ambiente estimulante e propício para o crescimento profissional. 2. Ambiente inspirador Os espaços de coworking são projetados para promover a criatividade e a produtividade. Com uma atmosfera moderna e dinâmica, esses locais oferecem uma variedade de áreas de trabalho, como salas privativas, estações de trabalho compartilhadas, salas de reuniões e espaços de descanso. Além disso, a decoração geralmente é inspiradora, com elementos e designs inovadores. Essa atmosfera criativa ajuda a estimular a mente e aumenta a motivação das equipes. 3. Flexibilidade e custos reduzidos Uma das principais vantagens do coworking é a flexibilidade. Diferentemente de um escritório tradicional, você pode alugar espaços de trabalho em coworking por horas, dias, semanas ou meses, de acordo com suas necessidades. Isso é particularmente benéfico para profissionais independentes, startups e pequenas empresas, pois elimina a necessidade de contratos de aluguel a longo prazo e o investimento inicial em mobiliário e infraestrutura. Além disso, os custos operacionais são compartilhados entre os membros, tornando o coworking uma opção econômica em comparação a um espaço de escritório tradicional. 4. Infraestrutura e serviços compartilhados Ao trabalhar em coworking, você terá acesso a uma variedade de recursos e serviços compartilhados. Isso pode incluir internet de alta velocidade, salas de reuniões equipadas com tecnologia audiovisual, serviços de recepção e atendimento telefônico, além de áreas de convivência e espaços para eventos. Essa infraestrutura pronta para uso permite que você se concentre em seu trabalho, enquanto os detalhes operacionais são cuidados pela administração do coworking. 5. Ambiente social e bem-estar  O trabalho em um escritório tradicional muitas vezes pode ser solitário e monótono. No entanto, em um espaço de coworking, você encontrará uma comunidade de profissionais com interesses semelhantes, criando um ambiente socialmente estimulante. Além disso, muitos espaços de coworking oferecem programas de bem-estar, eventos para networking e palestras educacionais. Essas atividades contribuem para o equilíbrio entre vida pessoal e profissional, melhorando sua qualidade de vida no trabalho. Colabore para a boa convivência Dividir o espaço com outras pessoas também exige cuidados – e é normal ter dúvida e se sentir inseguro(a) em algumas situações. Nos espaços compartilhados é necessário seguir algumas regras simples para manter uma relação harmônica com todos e todas no dia a dia. A vida em comunidade exige que estejamos atentos(as) às normas de boa convivência. É preciso conhecer seus direitos, cumprir com seus deveres e respeitar o espaço do próximo com a mesma EMPATIA que gostaríamos de ser tratados. Trabalhar em um espaço de coworking oferece vantagens significativas. Se você busca uma alternativa moderna, flexível e estimulante ao escritório tradicional, o coworking do CIVI-CO pode ser a escolha ideal para impulsionar sua carreira ou negócio de impacto socioambiental. Temos um espaço compartilhado no bairro de Pinheiros, em São Paulo, especialmente desenvolvido para atender as necessidades de empreendedores(as) sociais. VENHA PARA O CIVI-CO! Conheça os nossos planos e valores.

Escolas sustentáveis

Por Labor Educacional Podemos nos apropriar do conceito de sustentabilidade, muito utilizado atualmente pela sociedade para caracterizar a capacidade de se gerar resultados no curto, no médio e no longo prazo. Há uma expectativa de que a escola seja crescente em qualidade, como preconiza o artigo 206 da Constituição Federal, usando os recursos financeiros disponíveis de modo que haja uma alocação ótima dos recursos e um posicionamento das pessoas por meio do coletivo escolar. Os segmentos escolares podem elaborar e serem orientados pelo projeto político pedagógico que traça, alinhava e norteia os eixos em torno dos quais deva haver toda a sinergia das coisas, das pessoas e dos conhecimentos disponíveis na escola, ainda considerando o território e a cultura na qual está inserida. Os aspectos econômicos, sociais e ambientais que envolvem a escola devem ser orquestrados por um acordo autônomo dos segmentos escolares que, diante de tamanha complexidade que é educar para a sociedade contemporânea, precisam pactuar de maneira participativa, pois essa tem sido a tendência mais utilizada nas organizações que estão gerando os melhores resultados no mundo atual. A escola se atualiza ao que a sociedade, dinamicamente, vem criando como caminhos para suprir sua evolução e desenvolvimento. Em geral, sem compromissos firmados pelo diálogo e pelos acordos em prol dos resultados coletivos, não se tem visto saídas civilizatórias, deixando-se muitas vezes os canais liberados para o caos, a paralisação ou a violência. Gestão com qualidade só é possível com visão estratégica. Para essa ser mais integral e abrangente, precisamos entender e compartilhar os saberes e a inteligência dos envolvidos. São as partes inteiramente interessadas em que a educação gere resultados com qualidade, com coordenação da inteligência coletiva, que têm gerado soluções criativas e consistentes frente aos desafios postos. Claro que o saber científico e a experiência técnica pedagógica são cruciais, mas numa escola na qual somente isso seja ressaltado, sem uma gestão integrada do pedagógico, os resultados são inferiores aos daquelas que aplicam os preceitos da gestão participativa e compartilhada. Foto: CDC/Unsplash Ressaltamos a autonomia e o desenvolvimento das competências e habilidades de escolher e tomar decisões que cada pessoa precisa consolidar para o alcance da sustentabilidade – um projeto de evolução da espécie humana no planeta em que a qualidade de vida dos nossos filhos e netos possa ser progressivamente melhor ou, ao menos, igual aos que alcançamos nos tempos contemporâneos. O projeto pedagógico da escola, não apenas pelas referências legais e todas as mais importantes obras sobre a gestão escolar, pode e deve ser a carta de navegação da gestão numa escola.  A apropriação desse precioso instrumento e a vivência do mesmo como base do planejamento escolar depende diretamente da mixagem do conhecimento necessário e, do ponto de vista dos relacionamentos, da participação da comunidade escolar. Isso poderia ser um discurso bonito repetido sem ressonância para aqueles que já possuem muitos desafios no dia a dia da escola. A Labor, que procurou levar a fundo a experiência da participação na gestão escolar em “escolas reais” das redes públicas, tem toda a convicção que isso não se trata de um discurso, mas uma certeza operacional, desde que saibamos facilitar os processos de participação. Conheça a Labor

Startups e a Promoção da Diversidade LGBTQIA+

As startups têm se destacado como agentes de mudança em diversos setores, impulsionando a inovação e a transformação digital. Essas empresas possuem um discurso em prol da promoção da diversidade e inclusão, especialmente para a comunidade LGBTQIA+. Porém, na prática, essa ainda é uma realidade distante. No dia 28 de junho é comemorado o Dia do Orgulho LGBTQIA+. Atualmente o tema pauta assuntos da sociedade civil e é explorado por empresas de todos os portes, inclusive pelos negócios e organizações do ecossistema de inovação social. Com a promoção de um discurso pautado em atitudes inovadoras, cultura inclusiva e políticas progressistas, as startups buscam quebrar barreiras e criar uma imagem acolhedora e inclusiva, principalmente para o mercado publicitário e imprensa. Para além da importância social em debater a pauta em ambientes corporativos, as empresas perceberam que isso também agrega valor à marca, mas muitas seguem sem discutir profundamente o tema dentro dos seus próprios núcleos de atuação. A maioria, como os números mostram, seguem sem proporcionar um ambiente de trabalho onde os profissionais  LGBTQIA+ podem expressar sua identidade e orientação sexual livremente, sem medo de discriminação ou preconceito. Além disso, muitas startups não possuem programas de capacitação e sensibilização sobre diversidade, o que contribui para a conscientização e a quebra de estereótipos, promovendo o respeito e a igualdade. O mercado  De acordo com dados da Abstartups (Associação Brasileira de Startups), das mais de 13 mil startups no país, apenas 3,9% possuem fundadores(as) autodeclarados(as) homossexuais, 1,5% bissexuais e 0,1% transgêneros, enquanto 0,2% possui outra orientação sexual. Heterossexuais correspondem a 92,3% dos criadores de negócios com base tecnológica no país. Em termos de empregabilidade, 75,1% das startups brasileiras acreditam que apoiar a diversidade e inclusão em seus negócios é um fator importante, mas na prática, apenas 3,3% dessas entram em ação. Por outro lado, as startups estão liderando o desenvolvimento de produtos e serviços voltados para a comunidade LGBTQIA+. Elas reconhecem as necessidades específicas desse público e buscam soluções inovadoras para atendê-las, como uma oportunidade de mercado. Por exemplo, há startups que criaram aplicativos de relacionamento voltados para pessoas LGBTQIA+, facilitando a conexão e o encontro de parceiros compatíveis. Outras empresas desenvolvem tecnologias que promovem a inclusão, como softwares de tradução e acessibilidade, que ajudam a tornar a internet mais acessível e inclusiva para todas(os). Diversidade é o caminho Mesmo dentro dessa triste realidade, podemos encontrar algumas possíveis soluções. É válido ressaltar que algumas iniciativas têm encontrado caminhos na promoção da diversidade em suas equipes. Elas reconhecem que ter uma equipe diversificada é fundamental para impulsionar a criatividade, a inovação e o crescimento do negócio. As empresas passaram a adotar políticas de contratação inclusivas, buscando ativamente talentos LGBTQIA+ e oferecendo oportunidades de ascensão profissional. Essas empresas entendem que a diversidade de perspectivas e experiências contribui para a construção de soluções mais robustas e adaptadas às necessidades de um mundo cada vez mais diverso. Seja exemplo Por fim, é importante ressaltar que as startups não apenas promovem a diversidade e inclusão dentro de suas próprias estruturas, mas também têm o potencial de influenciar outras empresas, seus stakeholders e a sociedade em geral. Ao demonstrarem que é possível construir negócios bem-sucedidos com base em valores de inclusão, essas empresas emergentes se tornam exemplos a serem seguidos. Assumindo essa postura de aliada, elas inspiram outras organizações a adotarem políticas e práticas mais inclusivas, contribuindo para uma sociedade mais igualitária e respeitosa com a diversidade de orientações sexuais e identidades de gênero. Sua empresa tem alguma política de diversidade voltada para a comunidade LGBTQIA+? Compartilhe com a gente!

Cannabis, carvão e cosméticos

por Camila Viana* Desde a legalização da cannabis no Uruguai em 2013, muitas oportunidades surgiram para empreendedoras que buscavam se aventurar nesse mercado ainda em desenvolvimento. Eu sou uma dessas mulheres. Decidi me mudar para o país em 2018 para aprender sobre o empreendedorismo com a cannabis e desde então, vivo essa planta diariamente. Em 2021, comecei a fazer parte da equipe da Meraki enquanto dava vida à CBeDifferent com outras mulheres. As empresas possuem focos diferentes, mas complementares. A Meraki é uma pequena produtora de insumos de cannabis, e a CBeDifferent produz cosméticos conscientes, idealmente com cannabis em sua composição. No entanto, produzir cosméticos com cannabis no Uruguai não é tão simples quanto parece. A regulamentação fragmentada e a falta de clareza entre os órgãos reguladores tornam a produção de um cosmético de cannabis muito mais difícil do que deveria ser em um país legalizado (o primeiro inclusive). A Meraki já fez sua primeira colheita de cannabis em escala industrial e hoje possui um estoque de material vegetal orgânico pronto para ser transformado em insumos para cosméticos, mas ainda faltam atar algumas pontas para que isso se materialize. Para nós, a saúde do solo é o ponto de partida para a produção de uma cannabis de qualidade. Um solo saudável absorve e retém carbono e por isso apostamos em práticas da agricultura regenerativa, promovendo a vida e a diversidade. Fazemos nossos próprios bioinsumos, como fermentados de microrganismos eficientes e biochar (carvão vegetal), esse último sendo feito com os caules das plantas de cannabis colhidas que geralmente são apenas descartados. O biochar melhora a estrutura do solo, absorve mais água e é o ambiente poroso perfeito para abrigar os microrganismos que queremos promover. Verde na pele Trabalhar com o carvão também deu à equipe da CBeDifferent o insight para utilizá-lo em nossos cosméticos. O primeiro produto testado foi um sabonete com carvão ativado. Apesar da regulamentação brasileira impedir a importação de qualquer “parte da planta”, estamos entusiasmadas com a possibilidade de produzir cosméticos com carvão ativado de cânhamo, insumo que teoricamente enfrentaria menos barreiras regulatórias, além de ser muito poderoso para a saúde da pele e dos cabelos. Para mim, e para outras empreendedoras, as mudanças no setor da cannabis são constantes. Qualquer micro avanço é uma oportunidade de crescer dentro da indústria. Apesar de ainda existirem muitos desafios e barreiras a serem superados, permanecemos firmes e guiadas pela verdade da planta, acreditando que ela pode ajudar na recuperação dos solos, da nossa saúde e ser ferramenta para o empoderamento do empreendedorismo feminino na nossa sociedade. *Geocientista e Diretora de Sustentabilidade na CBeDifferent. Conheça a CBeDifferent

6 instituições para fazer doações no inverno

O frio intenso é uma realidade que atinge a cidade de São Paulo durante os meses de inverno, trazendo desafios e dificuldades para a população. Entre os mais afetados encontram-se cerca de 52 mil moradores em situação de rua, grupo vulnerável que enfrenta diariamente os rigores das baixas temperaturas e a falta de abrigo adequado. A vida nas ruas de São Paulo já é difícil por si só, com privação de direitos básicos, insegurança e falta de acesso a serviços essenciais. No entanto, quando o inverno chega, com temperaturas atingindo os 6º, as adversidades aumentam drasticamente. As pessoas em situação de rua ficam expostas a um dos maiores desafios de sobrevivência: o frio intenso. O contraste entre o calor humano que escapa dos lares aquecidos e o congelante asfalto é cruel e doloroso. As baixas temperaturas têm efeitos severos na saúde dos moradores de rua. O frio extremo agrava problemas respiratórios, aumenta o risco de hipotermia e pode levar ao surgimento de doenças como pneumonia e bronquite. Além disso, o contato direto com superfícies geladas e úmidas, como calçadas e bancos de praça, pode levar a ferimentos e até mesmo amputações. A falta de agasalhos adequados e de acesso a banhos quentes agrava ainda mais essas condições. Tempos difíceis  Um levantamento feito por pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) aponta que 52.226 pessoas viviam nas ruas da capital paulista até fevereiro deste ano. A pesquisa do Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua (POLOS-UFMG), com dados do CadÚnico, indica um aumento de 8,2% em relação a novembro de 2022, quando outro estudo foi feito. Diante desse cenário desolador é fundamental que medidas sejam adotadas para amparar e proteger os moradores de rua durante o inverno. As políticas públicas devem ser voltadas para a criação de abrigos emergenciais, com oferta de camas, cobertores, roupas quentes e alimentação adequada. A prefeitura de SP, além dos abrigos, também está disponibilizando algumas estações de metrô como estadia temporária para os dias mais frios. Além disso, é essencial intensificar o trabalho das equipes de assistência social, que devem percorrer as ruas da cidade, identificar e acolher essas pessoas, oferecendo-lhes abrigo, encaminhamento para serviços de saúde e oportunidades de reinserção na sociedade. Corações quentes contra o frio A atuação da sociedade civil também é fundamental nesse contexto. Doações de agasalhos, cobertores e alimentos são extremamente importantes para suprir as necessidades básicas dos moradores de rua. Além disso, a solidariedade e o respeito são essenciais para quebrar estigmas e preconceitos, lembrando que cada pessoa em situação de rua tem uma história de vida única e merece dignidade e compaixão. No entanto, é crucial destacar que o enfrentamento do problema da população em situação de rua e do frio intenso não se resume apenas a medidas emergenciais. É necessário investir em políticas públicas mais amplas que abordem as causas estruturais da desigualdade social, como a falta de moradia, a precarização do trabalho e a exclusão social. Somente com uma abordagem abrangente e integrada será possível criar condições para que todos os cidadãos tenham uma vida digna e protegida, independentemente das condições climáticas. Em resumo, o frio intenso traz desafios adicionais para os moradores de rua em São Paulo. A situação demanda ação conjunta do poder público, da sociedade civil e de todos os cidadãos conscientes. A necessidade de abrigos emergenciais, doações e assistência social é urgente, mas também é fundamental pensar em soluções de longo prazo para enfrentar as causas subjacentes da desigualdade e da falta de moradia. Somente assim poderemos construir uma cidade mais justa, acolhedora e solidária para todos. Veja algumas instituições para fazer doações na cidade de São Paulo. Se possível, faça sua parte e ajude-as! Solidariedade Vegan A ONG liderada por João Gordo ajuda pessoas em situação de rua no centro de São Paulo e pede doações de cobertores, meias, tênis, agasalhos, toucas e mais peças de frio. Como doar: ponto de coleta na R. Cesário Ramalho, 157, no bairro do Cambuci, das 10h às 18 horas, de segunda a sábado. Ponto de coleta na R. Rego Freitas, 542, Centro, das 08 às 19 horas, todos os dias. Para doações em dinheiro, envie um Pix para o CPF 101.471.468-01. Para transferência bancária, transfira para o Banco Itaú (Agência: 3757 / Conta: 04754-7), em nome de João F. Benedan. Entrega por SP O projeto distribui alimentos, cobertores e meias para a população em situação de rua em São Paulo. Como doar: para doações em dinheiro, envie um Pix para o e-mail [email protected]. Para mais informações, acesse o site do Entrega por SP ou o perfil deles no Instagram. Pastoral do Povo de Rua O padre Júlio Lancellotti recebe e doa agasalhos, cobertores, gorros, toucas e meias para pessoas em situação de rua. Como doar: ponto de coleta na R. Taquari, 1100, na Mooca. Para doações em dinheiro, basta fazer um Pix para o CNPJ: 63.089.825/0097-96. Para transferências bancárias: Banco Bradesco (Agência: 0124 / Conta: 0053148-0), em nome da Paróquia São Miguel (CNPJ: 63.089.825/0001-44). SP Invisível A ONG SP Invisível ajuda a população em situação de rua da capital paulista. A instituição conta a história da população de rua. Como doar: faça um Pix para o e-mail [email protected]. Arsenal da Esperança Instituição criada por lideranças católicas abriga mais de 1 mil homens em situação de rua na Mooca, zona leste de São Paulo. Como doar: para doações em dinheiro, transfira para Sermig (Ass. Assindes Sermig) no Banco Santander (Agência: 0144 / Conta: 13-003147-6). Ou envie um Pix para o CNPJ: 62.459.409/0001-28. Legião da Boa Vontade A LBV e a Pastoral do Povo de Rua estão doando um kit com par de luvas de lã, meias de cano longo de lã e um gorro ou cachecol para a população em situação de rua em São Paulo. Como doar: as doações podem ser feitas pelo site da LBV ou via Pix para o e-mail [email protected]. Para mais informações, acesse o Instagram da instituição.

Indústria da Cannabis é criticada por falta de visão social

Por Valéria França Um acontecimento movimentou os bastidores da Cannabis nessa semana. O epicentro da questão foram as declarações de Bruna Rocha, presidente-executiva da BRCann (Associação Brasileira das Indústrias de Canabinoides). Por conta disso, empreendedores, advogados e até médicos expressaram críticas ferrenhas à entidade. Confira parte da matéria publicada pela jornalista Valéria França, na Coluna Cannabis Inc. da Folha de S.Paulo, que entre outras opiniões, ouviu a cofundadora do CIVI-CO e presidente do Humanitas 360, Patrícia Villela Marino. Confira: A semana começou quente nos bastidores da Cannabis. Entre os afiliados da BRCann (Associação Brasileira das Indústrias de Canabinoides) o clima era de constrangimento contido. Fora deste círculo, empreendedores, advogados e até médicos expressaram críticas ferrenhas à entidade. O desconforto generalizado foi desencadeado pelas declarações de Bruna Rocha, presidente-executiva da BRCann, publicadas no Painel da Folha, no último sábado (10). O assunto era a descriminalização do porte de drogas. “Existem diversas manifestações contrárias à legalização do lado de cá, justamente por conta da implicação que isso pode ter na credibilidade do mercado”, disse ela na referida entrevista, pautada pela expectativa da sociedade do julgamento do STF (Supremo Tribunal Federal) sobre o tema. Vale lembrar que se trata de uma ação sobre um caso específico de condenação por porte de maconha. Depois de uma reunião com os associados, a BRCann elaborou uma nota de esclarecimento, transmitida nesta terça-feira (13) ao blog Cannabis Inc. A entidade escreve que “o termo ‘liberação’ de drogas, empregado no título da matéria, não foi objeto de discussão aprofundada ao longo da conversa entre a entidade e o jornal”. E continua: “A indicação feita e ora reiterada é no sentido de que aguardaremos a decisão do STF para eventual posicionamento, ainda que o tema não seja de nossa competência direta.” Em nenhum momento, no entanto, a entidade nega as declarações da representante da BRCann. Empreendedora do setor e ativista, Patrícia Villela Marino lembra que “oportunismos de mercado não podem se sobrepor a uma causa que defende vidas, bem-estar e reparação histórica com ganhos econômicos sustentáveis e dignos”. Patrícia é fundadora do Humanitas360, entidade que desenvolve projetos, facilita coalizações de organizações sociais, profissionais e gestores públicos focados na diminuição da violência. “Não falamos e nunca se fez alusão em momento algum sobre liberação de drogas até porque já estão liberadas. Cada dia temos notícias de uma nova droga chegando ao país pela mão do crime organizado”, disse ela. Leia a matéria completa Foto: Diego da Silveira *Valéria França é jornalista no Blog Cannabis Inc. e colunista na Folha de S.Paulo.

Afeto e impacto: 5 dicas de presentes

O Dia dos Namorados é uma ocasião especial onde celebramos e compartilhamos a vida e o amor. Aqui na Comunidade CIVI-CO, o compartilhamento é um princípio básico – e entendemos que o afeto também é uma ferramenta potente na transformação socioambiental do planeta. Para combater o consumismo típico dessas datas, mas mantendo a tradição do presente nas datas comemorativas, vamos dar algumas dicas de presentes sustentáveis. Diversas opções para quem quer mimar a pessoa amada e, ao mesmo tempo, proteger a humanidade. Deixamos aqui 5 sugestões de presentes com responsabilidade socioambiental para além do Dia dos Namorados. Confira: Dicas de presentes sustentáveis 1. Refeição consciente Que tal aquele café da manhã romântico no Dia dos Namorados ou no aniversário de casamento? Tudo isso você pode fazer com receitas que utilizem produtos 100% plant based. Uma ótima dica é um café da manhã com produtos da The Question Mark, produzidos com leite vegetal. Uma forma de afeto com muito sabor e pitadas de cuidados com a saúde de quem queremos bem – e do planeta. 2. Roupas e acessórios de brechós e bazares Quer agradar alguém que gosta de moda? Uma boa sugestão é comprar roupas e acessórios de brechó ou bazar. Além de reaproveitar produtos de boa qualidade e com preço justo, você ajuda o meio ambiente. A indústria da moda é uma das que mais polui, exatamente por sempre exigir peças novas e únicas. Se você compra em um bazar ou brechó, quebra esse sistema e ainda garante um ótimo presente. 3. Autocuidado  Já conhece a linha de produtos de cosméticos veganos, livres de plásticos e aromatizantes? Esse produtos naturais e com responsabilidades é uma ótima opção para agradar pessoas que praticam o autocuidado e também reafirmam o compromisso com a responsabilidade socioambiental. Aqui no CIVI-CO temos algumas iniciativas que produzem esses produtos, como a Positiv.a, Makeda e Galáxia Beauty. 4. Faça você mesmo presentes sustentáveis A moda do “faça você mesmo” (DIY) continua em alta. E você pode criar uma série de presentes sem o uso de plástico e com materiais recicláveis. São muitas as opções de presentes criativos e autorais: bolsas, objetos de decoração, bandejas de café da manhã, kit de essências e perfumes e até uma geleia natural caseira. Você pode fazer um presente artesanal e exclusivo para presentear a pessoa que ama! É muito carinho envolvido! 5.  Produtos recicláveis A última dica é para quem não tem muitas habilidades manuais, mas que deseja dar um presente feito de materiais recicláveis. Existem lojas que vendem produtos apenas com esse tipo de material, uma série de possibilidades para você escolher! Tem desde cadernos a quadros e porta-retratos. Todas essas sugestões acima são excelentes opções para agradar as pessoas amadas da sua vida. Com essas dicas de presentes sustentáveis você vai arrasar na próxima data especial. Conheça os membros da Comunidade CIVI-CO e se surpreenda com a diversidade de negócios e soluções que estão aqui.