A transformação que vem das favelas

Por Gilson Rodrigues* Há pouco mais de dois anos, tomei a decisão de encarar a chegada da Covid19, tudo parecia incerto, mas não podia deixar de enxergar aqueles dois “Brasis” acontecendo bem debaixo do meu nariz. A divisão na sociedade ficou muito mais acentuada com a chegada do vírus. Enquanto um grupo fazia home office, com total segurança e direitos garantidos, outro, nas favelas, foi deixado à própria sorte, sem água, sem emprego, sem comida, sem dignidade, vivendo aglomerados com famílias numerosas. Diante da situação, um grupo de líderes que forma o G10 Favelas, junto a muitos moradores que se voluntariam para atender famílias em situação de vulnerabilidade, decidiram escrever a própria história. Convocamos um verdadeiro exército do bem, que batizamos por Presidentes de Rua, que atuaram e ainda atuam nas ruas das Favelas, e deram início a uma gigantesca rede de operação, solidariedade e cooperação no Combate à Fome. Do morro para o mundo Ficou estabelecido o “Nós por Nós”, que deu início a uma série de iniciativas humanitárias. Por falta de políticas públicas nas favelas, criamos nossas próprias para não deixar o nosso povo perecer. As ações foram desde a distribuição de cestas básicas e kits de higiene e limpeza, a entrega de marmitas às pessoas em maior vulnerabilidade social, que, por conta do desemprego, recebem as marmitas até hoje. A operação das Marmitas Solidárias entrou para a história de Paraisópolis e funciona, até hoje, com a boa vontade e expertise de duas mulheres empreendedoras donas do negócio de impacto social, “Mãos de Maria”, e conta com a generosidade de amigos, parceiros e patrocinadores. Até agora foram distribuídas mais de 2.265.600 marmitas em todo o Brasil. Na área da saúde, contratamos ambulâncias e idealizamos as casas de acolhimento, que receberam 487 moradores contaminados para a segurança das suas famílias, que não tinham a menor condição de fazer o recomendado distanciamento social em suas casas pequenas e com um número grande de moradores. Outro negócio de impacto criado por mulheres, muito importante nessa luta contra a Covid-19, foi a Costurando Sonhos Brasil, que confeccionou e doou mais de 1.786.669 máscaras desde o início da pandemia. Já o Emprega Comunidades, conhecido como o “LinkedIn das favelas”, garantiu uma renda para as domésticas de Paraisópolis e outras comunidades do país, garantindo um período em casa. Foram assistidas mais de 2.000 (duas mil) mulheres no início da pandemia. Tem dinheiro na favela Com a retomada econômica, as favelas não poderiam ficar de fora. Com todo aprendizado que tivemos nesse período difícil de pandemia construímos novos negócios para atender demandas que foram surgindo. No olho do furacão, criamos a Favela Brasil Xpress, uma startup voltada para logística que, de forma humana, sensível e com muito estudo, liberou os CEPs dos moradores, colocando de vez, as favelas no mapa do e-commerce nacional. Com apenas um ano de funcionamento, já é considerada um possível unicórnio no mercado financeiro. Para fortalecer esses novos negócios e muitos outros que surgirão, criamos a Bolsa de Valores das Favelas, o G10 Hub – Acelerador de negócios e o G10 Bank. Tudo pensado e inaugurado durante a pandemia. Enxergamos no momento de crise, oportunidades para nos reerguer, nós assumimos o protagonismo da situação e mostramos ao mundo que somos agentes da nossa própria transformação. Juntos, nós do G10 Favelas, e todos que nos ajudaram doando e compartilhando nossas ações humanitárias, chegamos a vários estados do país, como São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, Minas Gerais, Pará, Pernambuco, Amazonas, Maranhão, Piauí, Paraná, Rio Grande do Norte, além do Distrito Federal. Abraçamos mais de 350 favelas e vamos levar essas iniciativas para muitos outros lugares. *Empreendedor social e presidente do G10 Favelas.
Mês da Filantropia Negra e a Equidade Racial
O Mês da Filantropia Negra, celebrado anualmente em agosto, é um período dedicado a destacar e valorizar a filantropia dentro da comunidade negra. Esta iniciativa se concentra em reconhecer e ampliar a contribuição significativa que os indivíduos, organizações e grupos afrodescendentes oferecem para o avanço social, econômico e cultural das comunidades locais e globais. Além disso, a campanha serve como uma plataforma para aumentar a visibilidade e conscientização sobre questões específicas que afetam a comunidade negra, enquanto promove a doação, o voluntariado e o ativismo. Origens e história O Mês da Filantropia Negra foi criado para combater o histórico desequilíbrio nas representações e percepções da filantropia, destacando as contribuições muitas vezes esquecidas ou sub-representadas da comunidade negra nesse campo. A filantropia, que envolve doações financeiras, de tempo e recursos para causas nobres, sempre foi uma parte essencial da cultura negra, destinada a fortalecer a comunidade e promover a justiça social. No entanto, a narrativa predominante muitas vezes negligenciam essas contribuições. Transformando narrativas Um dos principais objetivos do Mês da Filantropia Negra é redefinir a narrativa em torno da filantropia, destacando histórias inspiradoras de generosidade, empreendedorismo social e mudança positiva lideradas por indivíduos negros. A campanha também promove a educação financeira e cívica nas comunidades negras, capacitando os indivíduos a tomar decisões informadas sobre doações e investimentos em causas que importam para eles. O mês serve como uma oportunidade para abordar questões críticas, como a desigualdade racial, a justiça criminal e o acesso equitativo à educação e serviços de saúde. Conheça 4 instituições que promovem a Equidade Racial: Fundo Agbara (@fundoagbara) Organização de impacto social que luta por dignidade humana, equidade racial e de gênero, promovendo acesso a direitos econômicos a mulheres negras de todo o Brasil. Fundo Baobá (@fundobaoba) Organização sem fins lucrativos que mobiliza pessoas e recursos, no Brasil e no exterior, para o apoio a projetos e ações pró-equidade racial para a população negra. Fundação Tide Setubal (@fundacaotide) Organização não governamental que fomenta iniciativas que promovam a justiça social e o desenvolvimento sustentável de periferias urbanas. Instituto Identidades do Brasil (@id_br) Organização pioneira no Brasil, comprometida com a aceleração da promoção da igualdade racial, que desenvolve ações para reduzir a desigualdade no mercado de trabalho. Celebração e legado O Mês da Filantropia Negra é importante para reconhecer e celebrar as contribuições significativas da comunidade negra para a filantropia e para a sociedade em geral. Essa celebração vai além do aspecto financeiro, abraçando a generosidade, o ativismo e a ação social como ferramentas poderosas para criar um mundo mais justo e equitativo. Durante o mês de agosto, uma série de eventos, workshops e iniciativas são realizados para envolver as comunidades em diálogos construtivos sobre filantropia e suas implicações. Esses eventos incentivam as doações, tanto monetárias quanto de tempo, para organizações e causas que beneficiam a comunidade negra. A campanha também tem a missão de enaltecer as histórias de indivíduos notáveis, empreendedores(as) sociais e líderes que dedicaram suas vidas a causas nobres e inspiram outros(as) tantos(as) a seguirem seu exemplo. À medida que mais pessoas se envolvem no diálogo e nas atividades do Mês da Filantropia Negra, a esperança é que a conscientização e o impacto positivo continuem a crescer, deixando um legado duradouro de solidariedade e mudança transformadora.
Uma mulher especial e livre
por Patrícia Villela Marino* O dia 7 de fevereiro de 2023 ficará marcado em minha memória e, tenho certeza, na de toda a equipe do Instituto Humanitas360 e da marca Tereza. Naquela terça-feira chuvosa, fomos ao Centro de Progressão Penitenciária Feminino de São Miguel Paulista para abraçar uma mulher especial — e livre. Flávia Maria da Silva esteve presente em todas as fases do ecossistema de cooperativas de mulheres presas e em situação de vulnerabilidade que criamos. Sua inclinação para liderança se mostrou desde a primeira oficina realizada na Penitenciária Feminina II de Tremembé, em 2018. Presa ali em regime fechado desde 2012, Flávia tinha poucas esperanças no futuro. “Passei a pensar em desistir de viver, porque dentro do sistema prisional não existe reintegração social. Sem oportunidade de mudança, somos depositadas à lei da sobrevivência. Perdemos até mesmo nossas identidades, nos tornamos invisíveis”, ela nos contou em um depoimento. Por um erro cometido ainda na juventude, em circunstâncias sociais desfavoráveis, Flávia poderia ter se tornado mais um número na guerra às drogas ou para o encarceramento em massa, políticas sustentadas pelo Estado apesar de sua ineficácia e perniciosidade. Mas bastaram algumas mãos estendidas, aulas de corte e costura, horas de conversa e escuta — e a potência que havia ali desabrochou. Flávia tornou-se presidente da cooperativa formada em Tremembé, onde diversos produtos da marca Tereza nasceram. Na etiqueta deles, é possível ler a história dela e das muitas mulheres cujas vidas ajudou a transformar. É por essa razão que a progressão de pena de Flávia para o regime aberto foi celebrada: na sua trajetória vemos a materialização de que é possível a reintegração social de presas e presos, de egressas e egressos do sistema prisional, sobretudo quando a sociedade civil se faz presente. Recomeços A sua saída marca, antes de tudo, uma entre várias etapas na jornada de reintegração. A orientação jurídica e o suporte psicossocial que recebe da equipe H360 semanalmente foram e são fundamentais, bem como seu engajamento nas cooperativas e na marca Tereza. No ano passado, ela também passou a estudar Direito na Universidade Zumbi dos Palmares, cujas aulas frequentou presencialmente mesmo em regime semiaberto. Ter pessoas que escutam e orientam, oportunidades de realização profissional e geração de renda, a chance de estudar: vejam como, para ser bem-sucedida, a ressocialização precisa ser multifatorial. Tenho orgulho de fazer parte dessa história e de ter presenciado mais esta vitória de Flávia. Com alegria e esperança, lembro de seu depoimento: “Hoje, posso falar de inclusão social e combate à criminalidade com propriedade, porque sou um resultado impactante dentro de uma sociedade ainda com tantos preconceitos. Encontrei pessoas como as da equipe do H360, que me acolheram e me abraçaram como um ser humano, independente do meu erro, me dando a oportunidade de me transformarem em uma mulher empreendedora, na empresária que sou.” *Presidente do Instituto Humanitas360. Conheça o Humanitas360
Cannabis: um caso de justiça ou injustiça?
Desde o voto do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para descriminalizar o porte de maconha para consumo pessoal, na última quarta-feira (2), o tema tomou grande proporção nas mídias e na sociedade, causando entusiasmo e esperança nos apoiadores da planta. Porém, vale ressaltar que o tema nunca saiu da mídia, só que agora estamos vendo sobre uma outra ótica, mais otimista e classista. A chamada “guerra às drogas” e todas as suas consequências sempre estiveram estampadas nas capas dos jornais e das revistas brasileiras, tratada de forma rasa e sensacionalista. LEIA: Cannabis é Saúde: pesquisa sobre o uso medicinal da cannabis Uma questão de cor O preconceito foi – e ainda é – explícito, principalmente porque a grande maioria dos envolvidos, encarcerados ou mortos é a população negra e periférica. No julgamento e na justificativa do voto favorável à descriminalização, o magistrado afirmou que a lei em análise no Supremo aumentou o número de presos por tráfico de drogas. Moraes declarou que dados oficiais mostram que 25% dos presos no Brasil (201 mil) respondem por tráfico de drogas. O ministro do STF, baseado em dados, afirmou que a média apreendida no caso de analfabetos e negros acusados como traficantes é de 32 gramas. Já para o caso de pessoas com curso superior e brancas é de 49 gramas, uma diferença de 52%. LEIA: Plantando saúde e reparação: o uso terapêutico da maconha nas favelas do Rio de Janeiro Uma solução responsável Alexandre de Moraes apresentou um critério para distinguir entre usuários de maconha e traficantes da substância: a posse de uma quantidade que varia de 25 a 60 gramas ou o cultivo de seis plantas fêmeas. Conforme a opinião do juiz, essa faixa é flexível. Na prática, isso significa que os policiais podem efetuar prisões em flagrante de indivíduos que estejam portando quantidades inferiores à estabelecida, “desde que possam fundamentar de maneira sólida a presença de outros indicadores que caracterizem o tráfico de drogas”. O Supremo Tribunal Federal está avaliando a constitucionalidade do Artigo 28 da Lei das Drogas (Lei 11.343/2006). Para discernir entre usuários e traficantes, a norma estipula sanções alternativas, como prestação de serviços comunitários, advertência sobre os efeitos das drogas e participação obrigatória em programas educativos para aqueles que adquirirem, transportarem ou portarem substâncias entorpecentes para uso pessoal. O julgamento O andamento do julgamento foi interrompido após o relator do caso, ministro Gilmar Mendes, solicitar à Presidente do Tribunal, Rosa Weber, o adiamento da continuação do processo. A data para a retomada ainda não foi definida. O Tribunal retomou o julgamento do processo que discute a descriminalização do porte de drogas para consumo pessoal, que estava parado desde 2015, com o voto de Moraes. Agora, quatro votos são a favor de não considerar crime a posse de maconha para uso próprio: além de Moraes, Edson Fachin e Roberto Barroso também votaram nesse sentido em 2015. Gilmar Mendes votou a favor da descriminalização do porte para consumo pessoal, sem especificar tipos de drogas. Você é a favor ou contra a descriminalização do porte de maconha para uso pessoal? Deixe sua opinião aqui nos comentários.
Transformação para além da beleza
por Makeda Cosméticos Sheila Makeda e Shirley Leela são irmãs sócias. Juntas, fundaram a Makeda Cosméticos em 2012, oferecendo uma linha de produtos veganos para pessoas com cabelos crespos, cacheados e ondulados. Inspiradas pela mãe, Sandra, elas queriam desenvolver um produto que garantisse a saúde capilar e a preservação ancestral do cabelo, melhorando a autoestima das mulheres negras. Empreendedoras conscientes, as irmãs Makeda sabiam que o seu produto poderia gerar mais do que receita financeira – ele também promoveria impacto social. Em 2020, criaram o projeto “Makeda Terapeutas”, uma iniciativa que capacita mulheres periféricas, negras e afrodescendentes, tornando-as empreendedoras e “terapeutas da beleza”. A Makeda Terapeuta está alinhada ao Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 5 – Igualdade de Gênero, da Agenda 2030 da ONU. Através de uma plataforma digital, a Makeda oferece cursos online sobre vendas, marketing e métodos de como utilizar os produtos em clientes. Essas aulas visam capacitar as mulheres para o mercado de trabalho, tornando-as profissionais autônomas e independentes. Além de promover a igualdade de gênero e o empoderamento feminino, o Makeda Terapeutas também está alinhado ao ODS 10 – Redução das Desigualdades. A proposta do projeto não é apenas tornar a mulher financeiramente independente, mas combater um problema estrutural: desigualdade de oportunidades. Ser uma mulher empreendedora no Brasil não é fácil, especialmente com as barreiras e desigualdades contemporâneas. Porém, o aspecto socioambiental sempre foi o alicerce da Makeda Cosméticos, porque não tem como construir um futuro próspero sem quebrar as barreiras sociais, econômicas e raciais que ainda privam as pessoas de oportunidades de emprego e educação. Compre os produtos Makeda
Compartilhar faz bem para o planeta
Em um mundo cada vez mais populoso e com recursos naturais limitados, a importância de compartilhar espaços de forma sustentável tornou-se uma necessidade premente para garantir um futuro equilibrado e harmonioso. Adotar práticas sustentáveis nesse contexto é essencial para reduzir o impacto ambiental, promover a cooperação e preservar os recursos naturais. A ideia de compartilhar espaços vai além de apenas dividir o mesmo ambiente físico; trata-se de uma mudança de mentalidade que nos leva a perceber que somos parte de uma comunidade maior e interconectada. A partir dessa perspectiva, abraçamos a ideia de que nossas ações individuais têm um efeito coletivo significativo no meio ambiente. Nesse sentido, o compartilhamento de espaços leva a uma utilização mais eficiente dos recursos, evitando o desperdício e reduzindo a pressão sobre o meio ambiente. A prática de compartilhar áreas comuns, como espaços de trabalho, transporte, jardins e equipamentos, permite que várias pessoas desfrutem dos mesmos benefícios utilizando menos recursos. Existem inúmeros benefícios em utilizar os espaços compartilhados, dentre eles: Economia de tempo, energia e recursos; Socialização; Segurança; Melhora da saúde mental; Bem-estar e qualidade de vida. A economia compartilhada tem ganhado força como uma abordagem sustentável para o consumo. Compartilhar objetos, roupas, carros e até mesmo moradias significa uma menor demanda por novos produtos, reduzindo a produção e o descarte de resíduos. Essa mudança no modelo de consumo não apenas alivia a pressão sobre os recursos naturais, mas também promove uma consciência coletiva de responsabilidade ambiental. As empresas também desempenham um papel vital na promoção do compartilhamento sustentável de espaços. A adoção de práticas empresariais ecoeficientes e a criação de ambientes de trabalho compartilhados reduzem o consumo de energia e materiais, gerando economia e impactos ambientais positivos. Trabalho compartilhado Os espaços de coworking se tornaram uma opção altamente sustentável para as empresas que buscam atuar no mercado de forma a contribuir para a economia colaborativa e com o meio ambiente. Principalmente após a pandemia, onde o formato híbrido de trabalho é a preferência dos colaboradores. É através do coworking que startups, instituições e empresas podem dividir o mesmo ambiente para trabalhar, utilizar salas de reunião e outras áreas de convívio de forma compartilhada, poupando os recursos naturais disponíveis e economizando com os gastos de escritório. Quando pensamos em um coworking voltado ao impacto socioambiental, ressaltamos as estruturas pensadas para otimização do consumo de eletricidade, reuso de água e um programa de reciclagem de todo lixo gerado. Entretanto, a sustentabilidade pode ser considerada um conceito ainda mais amplo nessa área, já que existem vários outros detalhes nos coworkings que contribuem para essa questão. Essa pauta também é muito importante para a descarbonização. Ao procurarem locais de coworking mais próximos de casa, as pessoas também reduzem o uso de transportes emissores de gases prejudiciais e até economizam tempo de deslocamento. Mas nem tudo é trabalho Os benefícios do coworking são muito amplos, seja por vantagens financeiras para as empresas, seja ao gerar um posicionamento sustentável. A colaboração entre empresas e organizações pode resultar em parcerias que impulsionam a inovação em direção a um futuro mais sustentável e promissor. Além disso, o compartilhamento de espaços favorece a construção de comunidades mais conectadas e colaborativas. Ao interagir e compartilhar experiências com outras pessoas, desenvolvemos um senso de pertencimento e responsabilidade em relação ao bem-estar comum. A cooperação é fortalecida e ações coletivas se tornam mais viáveis e eficazes.
O Bem Viver é de onde nós partimos
Por Iara Vicente* De nossas artérias, nossas raízes”, foi uma instalação de arte que vi pintada nas raízes de uma árvore majestosa na Universidade de Brasília há quase dez anos atrás. Essa mensagem segue comigo até hoje, e explica de forma simples a sustentabilidade na minha vida. Meu caminho profissional me levou a outra forma de encarar essa forma de existir perante a natureza, entre mundo humano e o mundo não humano, entre o aye e o orun. Esta forma mais convencional, cheia de dados e gráficos, de desejos científicos para evitar o fim do mundo e as mudanças irreversíveis do clima, para mim é apenas a superfície do que a sustentabilidade realmente significa enquanto modo de vida. Claro, não morrer, enquanto planeta, também é uma luta por um modo de vida – qualquer um que seja, e todos, ao mesmo tempo. Viver pra lutar mais um dia também é vida, mas a opção radical pela existência junto à natureza é bem mais profunda. Fala de outros ritmos de vida, outros pontos de vista e outras noções sobre o que vale a pena se viver e do que se vale cuidar. É, sobretudo, de natureza ancestral das comunidades originárias do Sul Global, de todos os continentes, e no caso do Brasil, especialmente da África e Américas como existiram antes da colonização. O conceito de bem-viver foi popularizado, para além de suas comunidades originais e as redes de debate/ação política que as cercam, principalmente em sua formulação Qéchua. Mas a verdade é que o bem-viver é um conceito que representa questões caras aos diversos povos indígenas, quilombolas, seringueiros, extrativistas, colonos, ribeirinhos, quebradeiras de coco de babaçu e todas as demais populações tradicionais da América Latina. A origem da experiência prática deste conceito, no entanto, sempre está, de forma mais nítida ou mais sutil, ligada a estes reservatórios de saber ancestral e coletivos. Há a tradicionalidade que não exigiu reencontros – a experiência dos povos indígenas brasileiros, latino-americanos e africanos. Há também as tradições que se ocupam por nutrir, retornar, recriar, cultivar, aprender e reaprender valores herdados ou compartilhados por estes legados ancestrais africanos e indígenas. Compreender a herança é algo relativamente intuitivo. Logo se vê que estamos falando de povos da floresta, mangue, caatinga (e outros biomas), que nunca se afastaram completamente destes conhecimentos, da sua relação com o meio ambiente, e com o que se entende por viver bem – bem-viver – do modo tradicional. Povos que conseguiram se aquilombar, todas as nações indígenas, populações ribeirinhas e pescadores artesanais são bons exemplos desta relação com a tradição. São povos que carregam nas suas histórias de resistência a conexão com virtudes compartilhadas por gerações a perder de vista. Porém, o bem-viver ecoa também nas populações que se reconciliaram com a floresta, que encontraram outras formas de viver, ser e sonhar. É o caso dos seringueiros, trabalhadores explorados em situação de escravidão moderna que, não sem conflitos…” Leia o texto completo: https://afrolatinas.com.br/instituto-afrolatinas/publicacoes/ Texto originalmente publicado no site Afrolatinas. Fundadora da Nossa Terra Firme.*
Celebre a sabedoria das empreendedoras negras latino-americanas e caribenhas
Em 25 de julho é celebrado o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, uma data significativa para reconhecer a importância e a luta das mulheres negras dessa região. A comemoração nasceu com o intuito de ampliar as vozes das mulheres afrodescendentes e ressaltar suas contribuições históricas, culturais e sociais. Essa data foi escolhida em homenagem a Tereza de Benguela, líder quilombola do século XVIII que comandou o Quilombo de Quariterê, no estado do Mato Grosso, Brasil. Tereza é símbolo de resistência, liderança e luta pelos direitos de sua comunidade. O dia também é uma oportunidade de refletir sobre a discriminação enfrentada por essas mulheres, que carregam em si o peso da história de escravidão e da marginalização que persistem até os dias de hoje. Elas lutam por espaço, reconhecimento e igualdade em uma sociedade que ainda enfrenta profundos desafios em relação ao racismo e ao machismo. A mulher negra latino-americana, ao longo dos séculos, tem sido a base da construção de suas comunidades e culturas, sendo protagonista de movimentos sociais, políticos e artísticos que ajudaram a moldar a identidade de nossos países. Sua presença é inegável e essencial para a construção de um futuro mais justo e igualitário. Por isso é importante destacar o trabalho de mulheres que produzem grandes transformações na nossa sociedade. Fizemos uma seleção com algumas empreendedoras de impacto socioambiental para te inspirar nessa data tão importante. Conheça: Janine Rodrigues Educadora e fundadora da Piraporiando, desde cedo aprendeu que contar histórias é uma forma valiosa para fazer história. Começou a escrever aos 8 anos de idade, compartilhando seu olhar sobre como o mundo poderia ser melhor se todos tivessem perspectivas e oportunidades equânimes. Autora das obras literárias antirracistas e das metodologias educacionais da Piraporiando, criou a organização com o sonho de ajudar o mundo a ser um lugar cada vez melhor e mais justo. Thais Lopes Engenheira, designer de processos regenerativos e fundadora da Mães Negras do Brasil, startup que conecta e capacita mulheres líderes. Conduz tecnologias sociais para instituições que querem mudar o jeito de fazer negócios para se integrar a um futuro sustentável. Ajuda mulheres a converter o cuidado em economia, potencializando suas habilidades únicas para o benefício social e coletivo. Iara Vicente Especialista em impacto socioambiental com mais de dez anos de experiência em uso da terra, sustentabilidade e inovação no Sul Global. É fundadora da empresa de consultoria ambiental Nossa Terra Firme, que promove impacto social e ambiental por meio de estratégias blockchain. Trabalhou em diversas iniciativas afirmativas e de impacto envolvendo a Amazônia brasileira, ciência do clima, WEB3, comunidades indígenas e locais. Shirley e Sheila Makeda As irmãs Sheila Makeda e Shirley Leela são fundadoras da Makeda Cosméticos, linha de produtos para cabelos crespos, cacheados e ondulados. A empresa tem como missão incentivar nos cuidados do cabelo de forma saudável e auxiliando na construção de uma identidade positiva e com enfoque no empoderamento feminino. Também criaram o “Movimente-se com Makeda”, um programa de capacitação para mulheres negras e afrodescendentes periféricas a se tornarem empreendedoras. Fabiana Aguiar e Aline Odara Fundadoras do Fundo Agbara, primeiro Fundo Filantrópico de Mulheres Negras para Justiça Racial da América Latina, cuja missão é lutar por dignidade humana, equidade racial e de gênero. Juntas, promovem o acesso a direitos econômicos para mulheres negras, de forma individual e coletiva, oferecendo capacitações técnicas e políticas sobre raça, gênero e meio ambiente, além de apoio financeiro. Apesar desses exemplos inspiradores, precisamos reconhecer que as mulheres negras ainda enfrentam inúmeras barreiras, tanto sociais como econômicas. A falta de representatividade, a violência de gênero e o acesso restrito a oportunidades são algumas das questões urgentes que precisam ser enfrentadas. Portanto, o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha é uma oportunidade de celebrar suas conquistas até aqui, mas também de reafirmar o compromisso de combater todas as formas de preconceito e discriminação. É necessário dar voz, ouvidos e espaços para que essas mulheres possam compartilhar suas histórias, perspectivas e anseios, promovendo a valorização de sua cultura e sabedoria ancestral. Nesta data, unamo-nos em solidariedade e reconhecimento honrando a força, a beleza e a resiliência dessas mulheres, que inspiram e nos ensinam diariamente a importância de lutar por uma sociedade igualitária e diversa. Seus passos e vozes ecoam na história abrindo caminhos para um futuro brilhante e esperançoso para todas as gerações.
Cânhamo: novo aliado para um mundo mais sustentável
Por Marcelo Grecco* Os múltiplos usos do cânhamo (cannabis ruderalis, conhecido internacionalmente como hemp), planta que é uma das espécies da cannabis, podem ser muito importantes no caminho em direção a um planeta mais sustentável, atendendo tanto os anseios da sociedade, quanto de empresas com propósito e intuito de somar e não só lucrar. Hoje, é esperado que uma empresa agregue valor à vida dos colaboradores, à população e ao meio ambiente. É por tudo isso que boas práticas ambientais, sociais e de governança estão cada vez mais valorizadas no mundo. E o princípio disso tudo está na preservação do planeta. E como o cânhamo pode contribuir nesse sentido? Os benefícios ambientais são inúmeros. De plásticos a papel, passando por combustível e fitorremediação, a planta oferece boas alternativas para harmonia com o meio ambiente e os ecossistemas que o sustentam. 10 benefícios do cultivo de cânhamo para o planeta 1) Menos pesticidas no cultivo Ao contrário do algodão ou linho, que consomem cerca de 50% de todos os defensivos agrícolas no planeta, o cultivo do cânhamo tem um volume expressivamente menor na cultura. Quando defensivos são pulverizados na terra, podem facilmente se infiltrar nas fontes de água, como um rio, oceano ou lago, prejudicando todos os seres vivos que dependem delas. Além disso, essas substâncias têm sido associadas a câncer, defeitos congênitos, TDAH e doença de Alzheimer. Ou seja, representam riscos tanto para o meio ambiente quanto para a saúde do ser humano. Ao cultivarmos o cânhamo, podemos reduzir significativamente nossa exposição a toxinas e poluentes. 2) Plástico biodegradável Os blocos básicos de construção de plásticos são celulose derivada do petróleo, um elemento altamente tóxico. O cânhamo, por outro lado, é o maior produtor de celulose da terra, com a vantagem de ser biodegradável. 3) Biocombustível renovável Assim como acontece na maioria das fontes vegetais, o óleo de cânhamo pode ser processado e convertido em biocombustível, cuja queima é menos poluente em relação aos combustíveis fósseis. E o aproveitamento é quase total, pois, além da produção de biodiesel a partir do óleo presente nas sementes e no caule da planta, a parte fibrosa também pode ser empregada para obtenção de versões quimicamente semelhantes às da gasolina convencional. 4) Tecidos sem resíduos químicos Grande parte das fibras sintéticas que usamos hoje é fabricada a partir de materiais petroquímicos baseados em polímeros altamente tóxicos. A produção desses materiais requer gasto intenso de energia, queimando grandes quantidades de gás, carvão ou petróleo bruto. No entanto, este problema pode ser evitado com o cânhamo. Suas fibras são facilmente removidas da planta e geram roupas com utilização zero de resíduos químicos. Além disso, o tecido é mais durável e resistente aos raios UV. 5) Redução de carbono na atmosfera O cânhamo tem poder para transformar o meio ambiente reduzindo a poluição industrial. A planta faz isso por meio de um processo conhecido como captura de carbono. Ou seja, quando cultivada a planta ajuda a sequestrar o carbono da atmosfera. Cada tonelada de cânhamo produzida equivale à remoção de 1,63 tonelada de carbono do ar. 6) Queda no desmatamento Meio hectare de cânhamo pode produzir a mesma quantidade de papel que 1,5 a 4 hectares de árvores, em um ciclo de 20 anos. Enquanto árvores demoram entre 20 e 80 anos para estarem aptas à produção de papel, o caule do cânhamo leva apenas 4 meses para ser colhido, desde a semeadura. 7) Práticas agrícolas sustentáveis Os agricultores que praticam as melhores técnicas conhecem a importância da rotação de culturas por temporada. Esse movimento não só mantém o solo rico em nutrientes, mas também aumenta o rendimento. O cânhamo é a planta ideal para a rotação de culturas, pois enriquece o solo, além de remover toxinas. Seu cultivo ajuda a preservar o solo e o ar mais saudáveis nos próximos anos. 8) Construção de casas mais fortes e sustentáveis O uso da planta pode se estender também à construção civil. O hempcrete, concreto à base de cânhamo, é um material atóxico e resistente ao mofo, proporcionando ótima regulação térmica e controle de umidade em pisos, paredes e tetos. Além disso, a combinação de cânhamo e limão resulta em um sistema de isolamento acústico superior ao concreto. 9) Cresce em qualquer ambiente Imagine se houvesse uma cultura que pudesse ser semeada em praticamente qualquer lugar do mundo, com baixo uso de defensivos agrícolas e, de quebra, abrindo possibilidades para 25 mil aplicações industriais. Essa cultura é o cânhamo. Da China aos Estados Unidos, o cânhamo pode crescer em variados tipos de clima, oferecendo alto potencial de produção. 10) Combate à fome no mundo De acordo com o último relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre segurança alimentar, 690 milhões de pessoas globalmente estão subnutridas. E como a planta pode ajudar? As sementes de cânhamo constituem fonte nutricional muito relevante de proteína completa. Possuem ainda todos os nove aminoácidos essenciais, são ricas em fibras, vitaminas e sais minerais. Ou seja, utilizar o cânhamo como cultura básica é uma alternativa para melhorar a vida das pessoas, especialmente considerando o grande número de indivíduos que poderiam ser alimentados e bem nutridos por este superalimento. Preservar o planeta é uma questão fundamental não só para a qualidade de vida do ser humano, mas para a sobrevivência das gerações futuras. O caminho em direção a um mundo mais sustentável é uma equação com múltiplos fatores. O cânhamo é parte indissociável desse processo e pode ter papel polivalente. Todas as condições para explorar os benefícios estão apresentadas e alavancar esta vertente só depende de nós. *Cofundador e CMO da The Green Hub.
5 alimentos com microplásticos que você come
A ingestão de plástico pelos seres humanos é um problema cada vez mais preocupante e que requer atenção urgente. O plástico, com sua durabilidade, tornou-se uma presença constante em nossas vidas e, consequentemente, em nossos organismos. Pesquisas apontam que, por semana, já estamos ingerindo o equivalente a um cartão de crédito. A contaminação por plástico ocorre de várias maneiras. A poluição plástica nos oceanos, por exemplo, leva à fragmentação de grandes peças de plástico em microplásticos, que são partículas minúsculas. Esses microplásticos podem ser ingeridos por peixes e outros animais marinhos, que são posteriormente consumidos pelos seres humanos. Neste mês acontece a campanha “Julho Sem Plástico”, uma época importante para falarmos e nos conscientizarmos sobre o assunto. Somos o que comemos Estudos recentes revelam que a ingestão de plástico pelos seres humanos é generalizada. O material também está presente em produtos alimentícios embalados em recipientes ou envoltos em filmes plásticos, que podem liberar substâncias químicas prejudiciais quando em contato com os alimentos. A poluição por plásticos está tão disseminada no meio ambiente que você pode estar ingerindo cinco gramas por semana – o mesmo que ingerir um cartão de crédito! É o que mostrou um estudo da Universidade de Newcastle, na Austrália, encomendado pelo grupo ativista ambiental WWF International. Partículas de microplástico foram encontradas em amostras de água potável, frutos do mar, sal de cozinha e até mesmo no ar que respiramos. Essas partículas podem conter uma variedade de produtos químicos tóxicos e disruptores endócrinos que representam riscos à saúde humana. Confira alimentos que podem conter microplásticos: Frutos do mar: Alguns estudos indicam que mariscos, peixes e moluscos capturados em áreas contaminadas por plástico podem conter microplásticos. Isso ocorre porque esses organismos filtram a água para se alimentarem e podem acabar ingerindo partículas de plástico presentes no ambiente marinho. Água potável: A água potável também pode conter microplásticos, provenientes de diversas fontes, como a poluição de rios e oceanos. As partículas podem ser encontradas em águas de torneira, garrafas plásticas e até mesmo em águas engarrafadas. Sal marinho: Estudos recentes revelaram a presença de microplásticos em amostras de sal marinho de diversas regiões do mundo. O sal é obtido a partir da evaporação da água do mar e pode conter partículas de plástico que foram dispersas no ambiente marinho. Bebidas engarrafadas: Bebidas embaladas em recipientes plásticos, como garrafas de água e refrigerantes, podem conter microplásticos provenientes das embalagens. Durante o processo de fabricação, o contato do líquido com o plástico pode levar à liberação de partículas microplásticas. Produtos embalados em plástico: Alimentos embalados em plástico, como carnes, laticínios, frutas e legumes pré-embalados, podem estar sujeitos à contaminação por microplásticos. Isso ocorre principalmente quando o plástico entra em contato direto com o alimento ou quando ocorre a deterioração do material plástico. É importante ressaltar que os estudos sobre a presença de microplásticos em alimentos ainda estão em andamento e os métodos de detecção e análise estão sendo aprimorados. No entanto, a conscientização sobre o problema e a adoção de medidas para reduzir a contaminação por plástico são fundamentais para garantir a segurança alimentar. Poluição também está no corpo Os efeitos da ingestão de plástico ainda são objetos de investigação científica, mas já existem evidências preocupantes. Estudos indicam que o plástico pode afetar negativamente o sistema imunológico, o sistema endócrino e a saúde reprodutiva. Também há preocupações com a possível associação entre a ingestão de plástico e o aumento do risco de doenças cardiovasculares, câncer e distúrbios metabólicos. Diante dessa realidade alarmante, medidas precisam ser tomadas para reduzir a ingestão de plástico e proteger a saúde humana. É fundamental promover a conscientização sobre os riscos da poluição plástica e incentivar a adoção de práticas sustentáveis. Isso inclui a redução do uso de plástico descartável, a promoção da reciclagem e o apoio a iniciativas de limpeza de plástico nos oceanos. Além disso, é necessário implementar regulamentações mais rigorosas para controlar a produção e o descarte inadequado de plástico. Os governos devem adotar políticas que incentivem a transição para alternativas mais sustentáveis, como embalagens biodegradáveis e materiais compostáveis. A indústria também deve desempenhar um papel importante na busca por soluções, investindo em pesquisa e desenvolvimento de materiais plásticos mais seguros e biodegradáveis. Salvar o planeta e as nossas vidas A luta contra a ingestão de plástico é uma batalha que deve ser travada em várias frentes. Todos nós, como consumidores, temos a responsabilidade de fazer escolhas conscientes, optando por produtos e embalagens sustentáveis. Ao mesmo tempo, é necessário pressionar por mudanças sistêmicas para que a produção, o uso e o descarte de plástico sejam transformados de maneira significativa. É necessário proteger a saúde humana e o meio ambiente. Somente por meio de esforços conjuntos, envolvendo governos, empresas, cientistas e indivíduos engajados, poderemos combater efetivamente os malefícios do plástico e garantir um futuro mais saudável e sustentável para as gerações futuras.