Startups de cannabis devem dobrar em dois anos

por Sechat As oportunidades no segmento milionário de cannabis legal aumentam em progressão geométrica no mundo e incluem medicamentos à base da planta. Atualmente existem mais de 25 mil aplicações industriais de cânhamo e serviços que fazem parte do ecossistema da cadeia produtiva. Em 2024, o setor deve movimentar US$ 824 milhões na América Latina nas mais variadas necessidades patológicas. Essa é a perspectiva do relatório “Cannabis: Pesquisa, Inovação e Tendências de Mercado”, com dados da Prohibition Partners (2021). No Brasil, existem variados empreendimentos em relação à oferta de serviços para o mercado do uso da planta, muitos deles nasceram como startups e estarão presentes no Congresso Brasileiro da Cannabis Medicinal e na Medical Cannabis Fair, dentre elas, a aceleradora The Green Hub, que possui um portfólio com atualmente 19 das marcas, representando parte significativa das startups no país relacionadas ao setor canábico, e pretende dobrar de tamanho em pouco tempo. Quinze dessas marcas são oriundas do processo seletivo e quatro nasceram dentro da própria TGH. “Algumas estão em estágio inicial outras já faturam, nossa meta é subir para 44 nos próximos dois anos”, revela Alex Lucena, sócio e consultor em educação e inovação corporativa da companhia. Feira de Cannabis da América Latina Pelo menos sete delas vão se apresentar na segunda edição da Medical Cannabis Fair e do Congresso Brasileiro da Cannabis Medicinal. Organizados pela Sechat – plataforma de conhecimento e negócios voltada ao uso medicinal e mercadológico da planta – a feira e o congresso acontecerão no Expo Center Norte, São Paulo (SP), em 4 e 5 de maio de 2023, reunindo centenas de profissionais do setor e marcas de negócios voltados para a saúde e para a indústria. A aceleradora, inclusive, acaba de abrir uma nova rodada de captação de recursos com vistas a fomentar o setor de cannabis no Brasil e pretende levantar entre R$ 8 milhões e R$ 10 milhões ainda em 2023. “O evento da Sechat será fundamental para dar mais visibilidades a esses novos negócios”, afirma Lucena. Inscrições para a Feira Inscrições para o Congresso Lucena conta que ao longo de quatro anos mais de 260 startups se inscreveram (108 só em 2022). A maior parte do sudeste do Brasil, mas outras áreas com regiões nordeste e centro-oeste são contempladas. Há também no Uruguai, Canadá e EUA, criadas por brasileiros que foram forçados a operar fora do país devido aos entraves burocráticos existentes para operar em território nacional. Desse total, mais de 25% já recebeu rodada de investimentos. Um exemplo é a Scirama, com o envolvimento do neurocientista Stevens Rehen no empreendimento. Trata-se de uma startup de base biotecnológica para Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação com foco no estudo de substâncias psicodélicas e canabinoides para a saúde mental. Fundada em fevereiro de 2021, a empresa visa tornar realidade os estudos científicos que tragam qualidade de vida e abordagens terapêuticas mais eficientes. A companhia já contou com aportes de mais de R$ 4 milhões e pretende atingir em breve o montante de R$ 25 milhões. Clarice Pires, sócia e CEO da Scirama explica que a o congresso promovido pela Sechat “será fundamental para abrir a rede de investimentos, estabelecer parcerias e seguir novas frentes”. A Sensativa é também uma das startups que marcará presença no evento. A empresa de produtos de bem-estar íntimo estabeleceu-se em Nevada, estado da costa-oeste dos EUA, e lançará seu produto de entrada, um estimulante íntimo feito à base de cannabis e extratos da flora brasileira, ainda neste semestre. A empresa já recebeu investimento-anjo e está em busca de nova rodada de investimento. Pedro Freire, cofundador da empresa, afirma que, embora o mercado norte-americano tenha uma concorrência mais acirrada, ainda é vantajoso, por ser menos burocrático e mais aberto que o brasileiro. Freire, porém, não descarta aportar em território brasileiro. “É um sonho que pretendemos realizar o quanto antes, a depender do sucesso da marca lá fora”, finaliza. Como se sabe, o setor tem desafios regulatórios, mas está se movendo ano a ano, cada vez mais maduro, com empresas cada vez mais prontas, como Scirama e Sensativa, para brilhar tanto dentro quanto fora do país. SERVIÇO Evento: Medical Cannabis Fair 2023 e Congresso Brasileiro da Cannabis Medicinal 2023 Data: 4 e 5 de maio de 2023 – das 9h às 19h Local: Expo Center Norte (R. José Bernardo Pinto, 333 – Vila Guilherme – São Paulo – SP – Brasil) Contato Imprensa: Carolina Rubinato (11) 99670-3507 | [email protected]

Conquista histórica: São Paulo disponibilizará cannabis medicinal pelo SUS

Por Leandro Maia* É Lei a distribuição de remédios à base de canabidiol pelas unidades de saúde pública estadual e privada conveniadas ao Sistema Único de Saúde (SUS) de São Paulo. O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) sancionou nesta terça-feira (31), no Palácio dos Bandeirantes, na capital paulista. A implantação do Projeto de Lei (PL 1.180/2019) é prioridade do governo. A nova lei prevê que um grupo de trabalho para regulamentar o acesso da população seja formado em 30 dias. No entanto, Tarcísio afirma que pretende apresentar a equipe em no máximo 10 dias para acelerar o processo. Os profissionais serão responsáveis pela implementação, atualização e reavaliação da Política Estadual de Medicamentos Formulados à Base de Cannabis. O trabalho será coordenado pela Secretaria de Estado da Saúde. O projeto de autoria do deputado Caio França (PSB) foi aprovado pela Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) no fim de 2022. Após passar pelos deputados, a proposta de lei foi entregue ao governador no dia 13 de janeiro, com o prazo de 15 dias úteis para decidir pela sanção ou veto. Motivado por um caso de doença rara na família, Tarcísio disse que lembrou do sobrinho, diagnosticado com a Síndrome de Dravet, quando decidiu sancionar o PL 1.180. “O que me preocupa, às vezes, é o diagnóstico precoce de doenças raras. Eu citei o caso do meu sobrinho. A gente levou muito tempo para descobrir que ele tinha a Síndrome de Dravet. Se você não descobre (precocemente), você trata da maneira errada. Se você trata da maneira errada, você está perdendo tempo”, explicou. Segundo Tarcísio, o projeto original da lei apresenta alguns artigos em desacordo com a Constituição Federal de 1988. Por esse motivo, o projeto foi sancionado com vetos parciais e será devolvido para Alesp para os ajustes acordados com Caio França. “A gente retirou do projeto questões extremamente técnicas que nós vamos ‘jogar’ para a regulamentação”, concluiu. Texto publicado originalmente no Portal do Sechat *Jornalista do Sechat.

Planta do futuro: conheça as tecnologias do cânhamo

Por Sechat Conhecido como uma espécie da cannabis com apenas 0,3% THC, composto psicoativo da planta, o cânhamo, segundo alguns especialistas, pode contribuir em oito dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) definidos pela ONU, se apresentando como uma alternativa promissora para o futuro. Apesar de ser um gênero de planta milenar e com o uso medicinal liberado em mais de 50 países, entre eles os Estados Unidos, onde já pode ser encontrada nas farmácias de dezenas de estados, no Brasil a Cannabis ainda é cercada de tabus. Encontra entraves para sua regulamentação, principalmente pelos efeitos psicoativos de uma de suas subespécies, popularmente conhecida como maconha. As tecnologias da planta são várias. A nível de comparação, das 17 metas globais de Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) definidas pela ONU, a cannabis pode impactar 15 e a subespécie cânhamo tem propriedades que podem ajudar em 8, com grande impacto no futuro do planeta. Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU (Reprodução) “Ultrapassar as barreiras e tabus que envolvem a planta  e evidenciar o potencial único do cânhamo será uma virada de chave para o planeta, por isso, ela  tem atraído a atenção de muitos empreendedores e investidores”, reforça Luís Quintanilha, CEO da Kanna, a flexible DAO (Organização Autônoma Descentralizada) de impacto social e ambiental, que une a tecnologia blockchain com o mercado promissor da Cannabis. No Objetivo de Desenvolvimento Sustentável “Vida na Água”, o cânhamo contribui por requerer menos água que o algodão e o linho, por exemplo, afinal a semente é muito resistente e cresce em clima de altas temperaturas. Alguns estados do nordeste brasileiro são ideais para o plantio, o que evidencia a importância da preservação dos mares e oceanos, além do uso consciente da água. A planta também atua no objetivo “Vida Terrestre”, com a fitorremediação do solo, por ser capaz de limpar metais pesados , com uso testado e bem-sucedido em Chernobyl, local do maior desastre nuclear da história. Também remove CO2 do meio ambiente, por absorver mais CO2 por hectare do que qualquer outra cultura conhecida, com suas estopas podendo ser usadas na produção de papel, descartando a necessidade de corte de árvores. Esses dois são os principais impactos responsáveis pelo cânhamo ser considerado a planta do futuro. A Kanna, inclusive, é uma empresa que, por meio do cripto ativo KNN, promove impacto ambiental, melhora na economia local e conscientização sobre a planta. O ativo digital KNN baseia-se em uma fração de solo revitalizado pelo cânhamo, CO2 neutralizado e doações para a comunidade. A DAO tem o diferencial de reinvestir todos os lucros em prol desses objetivos, com 15% reinvestido para a comunidade local, via realização de benfeitorias na região. “Nosso objetivo enquanto a primeira DAO com o ESG no centro operação, aliando o impacto ambiental (E) e socioeconômico (S) do cânhamo, com a transparência e Governança da Blockchain (G), é ser também uma alternativa para pessoas que querem atuar para a mudança climática”, explica Quintanilha. O mercado parece ser promissor, uma pesquisa encomendada pelo Observatório do Clima e Greenpeace Brasil apontou que 95% dos brasileiros se preocupam com as mudanças do clima e estão dispostos a pagar mais por produtos sustentáveis. O cânhamo também contribuiria  para programas como a “Fome Zero” e “Agricultura Sustentável”: 100 gramas de cânhamo têm mais proteínas que 100 gramas de ervilha, podendo ser utilizada para combater a desnutrição. O  cultivo de cânhamo, além de restaurar solos contaminados, pode complementar outras culturas menos sustentáveis. No objetivo “Saúde e Bem-Estar”, o cânhamo contribui por ser rico em ômega 3, ácido graxo essencial que atua diretamente no cérebro contribuindo para a manutenção das funções cognitivas e na prevenção  de doenças como a ansiedade, depressão e Alzheimer. Enquanto para a meta de “Indústria, Inovação e Infraestrutura”, os plásticos de cânhamo podem substituir produtos de petróleo, as fibras usadas para produzir roupas, cordas, telas e construir casas, sendo um bom substituto para o metal, carpete, madeira e isolamento. No objetivo de “Consumo e Produção Responsáveis”, o cânhamo proporciona padrões de produção e de consumo sustentáveis, com a possibilidade de ser refinado em biodiesel usado para fazer etanol e metanol,  biodegradáveis, não tóxicos e com menos produção de gases de efeito estufa. “Nossa expectativa é que até o fim de 2026 a Kanna tenha regenerado cerca de 150 hectares de solo e removido milhares de toneladas de CO2 da atmosfera, atuando em regiões vulneráveis com solo degradado e baixo IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), além de ter gerado centenas de empregos e investimentos para essa região”, conclui Quintanilha. Texto publicado originalmente no Portal do Sechat.

Dicionnabis: descomplicando a Cannabis Medicinal

Você sabe a diferença entre CBD e THC? Essa é uma das primeiras dúvidas das pessoas quando começam no universo da cannabis medicinal, mas com certeza ela não é a única. Se você está dando os seus primeiros passos na medicina canábica e quer saber as principais informações sobre a planta, baixe agora o nosso dicionário da cannabis. Nele, você vai encontrar as respostas que tanto procura! Todos os dias são realizadas novas descobertas científicas e atualizações jurídicas sobre o tema. Por isso é muito importante sempre renovar os conhecimentos e estar atento às novidades. Pela democratização do acesso  Foi com esse intuito que nasceu o “Dicionnabis: descomplicando a cannabis medicinal”, um ebook produzido pelo CIVI-CO, em parceria com o The Green Hub e IPSEC, que está disponível gratuitamente para todas as pessoas que se interessam pelo tema. O Dicionnabis é democrático e acessível para todes. Seu conteúdo está repleto de termos e informações práticas e objetivas sobre a cannabis medicinal, com o objetivo de combater a desinformação sobre a planta e “furar bolhas”. Hub Canábico  A história do CIVI-CO está alinhada com a luta pelo acesso da cannabis medicinal no Brasil. Somos o primeiro hub de impacto socioambiental da América Latina, e nossa Comunidade possui diversos membros que atuam diretamente no ecossistema da planta. O The Green Hub, responsável pela curadoria do Dicionnabis, é uma dessas organizações. Eles também coordenam o nosso Hub Cannabis, formado por startups e iniciativas que pensam em inovação e estratégias para difundir os benefícios da planta globalmente. A cofundadora do CIVI-CO, Patrícia Villela Marino, é presidente do Instituto Humanitas360, que propõe o combate às violências, inclusive repensando as leis antidrogas. Esse trabalho rendeu para ela a oportunidade de discursar na sede da ONU, em Nova York, sobre a importância da cannabis nesse contexto de reparação histórica. Aqui também acontece o Cannabis Thinking, um dos maiores eventos de inovação e tecnologia sobre cannabis do Brasil, realizado pelo The Green Hub e suas aceleradas. O encontro é anual e já segue para a sua 5ª edição.

Protagonismo antirracista no 4º Cannabis Thinking

As vozes das pessoas negras foram o legado mais importante da quarta edição do Cannabis Thinking. As mesas e painéis dialogando com a proposta de tornar acessível os impactos socioambientais gerados pela cannabis trouxeram a diversidade necessária para se repensar e questionar a guerra às drogas, que mata e encarcera muitos jovens negros. As falas potentes chamaram a atenção para o caráter racista existente no proibicionismo da cannabis e apontaram, principalmente, para um futuro onde as pessoas pretas sejam incluídas e protagonistas nesse cenário de uma possível legalização, podendo ter acesso aos produtos e também empreender neste segmento. Mesmo existindo uma forte ligação na disseminação da cannabis pelo mundo, as pessoas pretas ainda sofrem com as consequências do proibicionismo. O ecossistema de negócios de cannabis ainda possui poucos negros envolvidos e em posição de liderança, estando fora até mesmo da cadeia de consumo, já que os produtos ainda são muito caros e inacessíveis para a população brasileira. “Temos avançado muito na luta contra o racismo e a desigualdade racial e não podemos deixar que essas injustiças contra jovens negros continuem acontecendo. Acredito que as regulações para o cultivo da cannabis podem gerar emprego e renda para a população negra que sofre com criminalização das periferias”, pontuou José Vicente, Reitor da Universidade Zumbi dos Palmares. A educação também foi um fio condutor destes encontros, pois é necessário repensar e utilizar a ciência e o conhecimento para desmistificar o preconceito e racismo existente em torno da cannabis. Por isso, a presença de educadores foi essencial nesta edição, que contou com nomes como o Reitor José Vicente, a pesquisadora Simone Eduardo e a educadora Janine Rodrigues, fundadora da Piraporiando. Vivência “Quando se fala de acesso no Brasil a gente ainda está falando em privilégios. Temos poucas pessoas com esse privilégio do acesso”, Janine Rodrigues. Membro da nossa Comunidade e coordenadora do Hub de Educação do CIVI-CO, Janine mediou um painel com a presença de Marcelo D2, músico, ativista e empreendedor da cannabis, que compartilhou sua  vivência e sobrevivência em uma sociedade preconceituosa. “Falo como jovem favelado que  sentiu na pele as dores da ilegalidade e  montou uma banda para falar sobre isso  e, na época, não sabia onde eu estava me metendo.  Nunca pensei estar aqui hoje debatendo esse assunto. Mais do que um defensor  ou ativista eu sempre me coloquei no papel de usuário e é muito interessante ver o quanto a gente avançou”, comentou D2. Judiciário O evento também foi um solo fértil para demandas legislativas e judiciais, com a presença de grandes figuras políticas e advogados, mostrando como essa luta da descriminalização da cannabis deve acontecer em múltiplas frentes. “A palavra maconha ainda tem essa carga ideológica, em um país extremamente conservador onde não se abre para  discussão. Nas esferas do poder também há essa limitação. Não vemos no poder legislativo esse debate, não vemos o poder judiciário uma disposição para vencer esse preconceito”, ressaltou o Rogerio Schietti, ministro do Superior Tribunal de Justiça. Função social e acesso  A parceria do Cannabis Thinking com a Universidade Zumbi dos Palmares rendeu duas grandes inovações e ferramentas para o combate ao racismo na nossa sociedade, utilizando o potencial mercado natural para seguir as metas de sustentabilidade corporativa, atualmente representadas pela sigla ESG (Environmental, Social and Governance). A Universidade falou sobre alguns projetos que já estão em prática. O primeiro deles é o programa Racismo Zero, ferramenta de combate do racismo através da educação. O segundo é a plataforma Acolhe, que busca identificar e ajudar as vítimas do racismo, inclusive com um projeto de utilização dos benefícios da cannabis para auxiliar nos traumas de vítimas de preconceito racial. O legado da quarta edição do Cannabis Thinking vai ecoar pela história, pois olhamos para o passado, buscando não repetir os erros e assim construir, juntos, soluções para um futuro transformador, mais inclusivo e com acesso à direitos iguais para todos e todas.

Pelo Direito ao Cultivo e à Saúde

A Cultive – Associação de Cannabis e Saúde realizou a sétima edição do “Curso de Plantio e Extração de Canabinoides para Fins Medicinais” nos dias 3 e 4 de setembro, no teatro Sérgio Cardoso, em São Paulo. O evento teve o objetivo de suprir as carências provocadas pelo proibicionismo acerca da cannabis medicinal, que provoca a privação do direito à saúde dos pacientes. A iniciativa buscou compartilhar conhecimentos e informações sobre a cannabis e o seu uso terapêutico.   O curso reuniu diversos profissionais da área como médicos, farmacêuticos, pesquisadores, neurocientistas, profissionais do setor de ciências sociais, além de advogados, agrônomos e cultivadores, que conversaram e construíram conteúdos com responsabilidade para aqueles que necessitam desta terapia.  Cultivando esperança Nascida em 2016 na luta pelo acesso aos medicamentos à base da planta, a Cultive é formada por pessoas que se uniram solidariamente. A associação realiza atividades educativas e pedagógicas com o objetivo de disseminar os benefícios terapêuticos da cannabis e ampliar o acesso para aqueles que poderiam se beneficiar da planta para o tratamento de suas enfermidades.  A entidade não possui fins lucrativos e tem a missão de favorecer a produção de cannabis por seus integrantes, a fim de assegurar o direito ao acesso pleno à saúde através do autocultivo. Cidinha Carvalho, fundadora da associação, conta que a Cultive foi a primeira instituição em São Paulo a ministrar cursos sobre cannabis para pacientes, familiares e profissionais da saúde:  “Com a UNIFESP (Universidade Federal de São Paulo)  queremos mostrar que é possível ter  a autonomia de produzir nosso próprio remédio, além de construir uma regulamentação justa para todos.”  O evento teve o apoio de diversas organizações e empresas que lutam pelo antiproibicionismo e com o fim da guerra às drogas no Brasil, a exemplo: Instituto Humanitas 360,  Rede Reforma, CIVI-CO, Revivid Brasil e a Flower Made Co.  Cronograma do curso  – Etnobotânica da Cannabis  – Farmacocinética e Farmacodinâmica da Cannabis   – Controle de qualidade dos extratos do óleo de cannabis e extração   – Cuidados em psicologia e práticas de Redução de Danos –  – Transparência, uso dos recursos   – Aplicações terapêuticas   – Cannabis na Dor, prescrição e dosagem  – Apresentação de estudo: Canabinoides para Alzheimer   – História da Política de Drogas  – Regulação e Reparação: novos rumos para a política de drogas   – O Caminho da Justiça Social: cultive seus direitos  – Cannabis, agroecologia e Farmácias Vivas  – Aspectos agronômicos do cultivo da Cannabis  – Cultivo em ambiente externo; doméstico e em pequenos espaços Outros eventos O Cannabis Thinking 2022 acontecerá nos dias 16 e 17 de setembro, no prédio do CIVI-CO, e reúne a maior comunidade de pensadores da cannabis. O evento é promovido pelo The Green Hub, ecossistema de negócios voltados à indústria da cannabis medicinal e industrial e membro da Comunidade CIVI-CO. Veja como foi a edição passada:   A quarta edição do Cannabis Thinking traz o tema “Legado”, abordando os impactos do mercado da cannabis ao redor do mundo. A proposta é dialogar sobre como o mercado da cannabis pode apoiar lideranças e negócios que promovem impacto positivo.  Você poderá acompanhar tudo através da transmissão ao vivo nas redes sociais.  

A brincadeira de criança que resolve problema de gente grande

Por Marcelo De Vita Grecco* Imagine que você tem uma loja. Esse negócio possui produtos inovadores, atrativos e de valor reconhecido por suas funcionalidades. Além disso, o estabelecimento conta com o grande trunfo de ter um público entusiasmado por novidades e ávido por alternativas que proporcionam saúde e bem-estar.  Porém, todas suas vendas precisam ter como única forma de pagamento dinheiro vivo e toda a receita que você gera precisa ser guardada na loja ou em sua posse pessoal, pois você não pode recorrer ao sistema bancário.  O que era sonho virou pesadelo? Parece surreal? Saiba que essa situação é enfrentada por vários lojistas de produtos à base de cannabis em diversos países. Aprendendo com os norte-americanos  Nos Estados Unidos, por exemplo, a falta de regulamentação federal desestimula os bancos a prestar serviços para empreendimentos ligados à cannabis, mesmo com legislação estadual em vigor regulamentando o mercado. Difícil de acreditar, mas é verdade.  Entretanto, alguns caminhos estão surgindo e uma das soluções mais notáveis surgiu no Arizona. O estado norte-americano foi pioneiro na implementação de um sandbox regulatório para fintechs, em 2018, voltadas ao mercado da cannabis. Esse movimento deu resultados já em 2019, quando possibilitou à startup Alta propor uma solução de pagamentos orientada para a indústria da cannabis, com base no uso de uma stablecoin indexada em paridade com o valor do dólar. A criptomoeda explorava o blockchain para oferecer segurança e praticidade a esse mercado.  A fase de operação no sandbox permitiu o teste da plataforma de integração e de remessas dos membros. No final, o objetivo foi permitir que as pessoas paguem por bens e serviços usando o stablecoin no lugar da moeda corrente. Iniciativas de natureza inovadora como essa jamais seriam possíveis sem o sandbox. Mas, afinal, o que é sandbox? Sabe aquela caixa de areia que algumas escolas possuem para as crianças? Elas permitem que os pequenos brinquem, interajam e manifestem sua criatividade, sempre sob a supervisão de um adulto.  O conceito do sandbox no mundo corporativo é exatamente o mesmo, pois permite experimentação e inovação em processo de testagem da operação real, sob a devida observação de órgãos reguladores e de outros elos do mercado. O sistema de sandbox regulatório é muito bem-vindo em mercados inovadores e emergentes. Afinal, em alguns casos, o próprio mercado não possui dinâmica tão acelerada para se adaptar a novos modelos de negócios e esse acompanhamento é ainda mais difícil para os órgãos reguladores. Coloquei o exemplo real da Alta, mas ressalto que o sandbox não funciona somente no âmbito do sistema financeiro. No Canadá, há centro de pesquisas para a cannabis dentro do meio acadêmico que exploram o sandbox em pesquisas colaborativas multidisciplinares, revelando novos potenciais de aplicações e seus impactos econômicos e legais.  Essa estruturação envolve estudos em áreas como medicina, ciências agrárias e ambientais, marcos legais, educação e gestão, além de outras áreas da ciência. A dinâmica desse ciclo virtuoso flui no sentido planta-para-pessoas-para-sociedade. Já chegou no Brasil No Brasil, o mecanismo de sandbox é previsto no Marco Legal das Startups. Quem sabe não resida aí uma grande oportunidade para o País. Contudo, independente disso, o estado de São Paulo pode ser o protagonista de uma iniciativa inédita no Brasil. Há algumas semanas, a Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) foi palco do lançamento da primeira frente parlamentar do Brasil em defesa da cannabis medicinal, composta por 21 deputados de 12 partidos. Incentivo todos a acompanhar os trabalhos dessa frente parlamentar e também a participar, entrando nos diálogos. Uma das ações previstas é a aprovação de uma licença para testar o plantio da cannabis em pequena escala, voltada ao uso medicinal. A atividade seria desenvolvida em um modelo de sandbox regulatório, justamente para testagem de um projeto não contemplado em previsões legais.  Desta forma, teríamos uma experiência controlada de plantio da cannabis para produção de medicamentos, mensurando o impacto na arrecadação de impostos e na comunidade, bem como oferecendo maior segurança jurídica às atividades. Trata-se de uma iniciativa que pode oxigenar o mercado e dar fôlego ao Brasil para entrar de vez na corrida global em torno da nova indústria legal da cannabis. As oportunidades estão aí e o sandbox pode ter papel determinante em diversos projetos.  O conceito tem origem em uma brincadeira de criança, mas o setor é composto por gente grande e que não brinca em serviço para que o ecossistema da cadeia produtiva da cannabis possa decolar. *Marcelo De Vita Grecco é co-fundador e CMO da The Green Hub.

Eventos fomentam o debate sobre cannabis medicinal no Brasil

Se você acompanha as novidades do mundo da cannabis, com certeza ficou sabendo da Medical Cannabis Fair, a maior feira sobre o uso medicinal da cannabis no Brasil. Entre os dias 3 e 6 de maio, o evento reuniu especialistas, empresas e entusiastas do setor canábico brasileiro no  A programação da feira, realizada no Expo Center Norte (em São Paulo), contou também com o Congresso Brasileiro da Cannabis Medicinal. Ambos os eventos foram organizados pelo Sechat, portal de notícias e conteúdos sobre o uso medicinal da planta, incubada do The Green Hub, membro da Comunidade CIVI-CO. Mais de 11 mil pessoas visitaram o local em busca de novidades na área da saúde. Cerca de 250 expositores nacionais e internacionais – 208 da Medical Fair Brasil e 34 da Medical Cannabis Fair – apresentaram seus novos produtos e serviços, além  de compartilharem inovações e tendências do setor. Nós fomos até à Medical Cannabis Fair para acompanhar os debates sobre saúde, legislação e negócios dentro do ecossistema da cannabis. Além da nossa visita, o CIVI-CO também esteve presente com a participação dos membros da nossa comunidade, The Green Hub, Sechat, Instituto CEC e Humanitas360.  Veja o que rolou de mais interessante no evento:  Medicina Canábica para todes  O diretor do Instituto Humanitas360, Higor Cauê, participou de um painel sobre questões legais no Congresso Brasileiro da Cannabis Medicinal. Regulamentação inclusiva, atuação conjunta de quem atua na área e papel da guerra às drogas foram abordados no debate sobre as alternativas de acesso aos produtos derivados da cannabis.  “A forma de mudar a política pública dentro do SUS é através do registro. O registro da anamnese, o registro do médico, o acompanhamento multidisciplinar que o próprio sistema produz. São dados, valores, são fatos, histórias de vida, mas que tem uma completude de acompanhamento do sistema para se reverter em estatísticas, evidências. E o legislador e gestor podem usar da ferramenta pública para o manuseio e ampliação dessa política de acesso à cannabis”, disse Higor.   Informação e inovação   Conversamos também com Camila Evangelisti (@camilaevangelisti), consultora comercial do Sechat (@sechat_oficial), sobre a importância do evento para o cenário canábico brasileiro. E também sobre a importância da Feira para fomentar este ecossistema no país.   “Nós, do Sechat, ficamos muito satisfeitos com os feedbacks positivos que recebemos dos nossos expositores, palestrantes e congressistas, e lisonjeados em poder mostrar a potência desse mercado em um evento que une pessoas que já entendem sobre o uso medicinal da cannabis e outras muitas que não têm ideia de como funciona esse mercado. Cumprimos o objetivo desta feira: furar a bolha do preconceito, apresentar o mercado medicinal da cannabis no Brasil e levar informação de qualidade para todos, tirando a desinformação e o prejulgamento que ainda há sobre este tema”, afirmou Camila Assista à entrevista com a Camila   Acesse o link e baixe o seu gratuitamente agora! Lançado na Medical Cannabis Fair e no Congresso Brasileiro da Cannabis Medicinal, o Guia Sechat trata de saúde, legislação e negócios e chega para ampliar o conhecimento sobre a planta e reforçar a importância do tema para todos os interessados neste ecossistema. Normalização da Cannabis Durante a nossa visita, encontramos com Marcelo Grecco (@greccomarcelo), CMO do The Green HUB (@thegreen.hub) e coordenador do Hub Cannabis do CIVI-CO, que ressaltou a importância da criação de uma comunidade para defender a normalização da cannabis em todos os âmbitos: medicinal, industrial e jurídico.  Assista à entrevista com o Marcelo Salvem na agenda A 4ª edição do Cannabis Thinking está confirmada para acontecer no segundo semestre deste ano. O evento, organizado pelo The Green Hub com o apoio do CIVI-CO, é o maior da área de inovação e cannabis da América Latina. Já estamos ansiosos para ter todos os andares do nosso prédio ocupados por pessoas engajadas na causa da cannabis medicinal e do cânhamo industrial.  Em breve traremos mais novidades para vocês. Aguardem! Veja como foi a edição de 2021

CIVI-CO Mag #1: Sua revista digital de impacto

O que é impacto para você? Já leu alguma notícia hoje que te marcou positivamente e fez você acreditar em um mundo onde as pessoas estão lutando para construir um lugar mais justo, sustentável e inclusivo para todos e todas?    Pensando nisso, nós criamos a CIVI-CO Mag: uma revista digital que reúne as pautas e os assuntos mais relevantes do universo de impacto cívico socioambiental. Todo o conteúdo é produzido de forma colaborativa com a participação de membros e parceiros da Comunidade CIVI-CO. E o melhor: ela é gratuita e está a apenas um clique de você.  Nosso norte são as pessoas e a CIVI-CO Mag se propõe a ser como uma bússola, apontando para as soluções que estão acontecendo no mundo. O objetivo é trazer informação de qualidade para fomentar as transformações positivas na sociedade.  Como sabemos, o ESG é uma forte tendência no ambiente corporativo. Todos os dias são divulgadas diversas notícias, informações e estudos sobre o tema. Mas com esta enxurrada de conteúdo é difícil filtrar informações confiáveis. Na nossa primeira edição, você vai encontrar editorias de impacto: cannabis, cultura, direitos humanos, sustentabilidade, periferia, educação e diversidade. Os conteúdos nasceram da colaboração de Ad Junior (Trace Brasil), Adriana Barbosa (Feira Preta), B_arco, Gilson Rodrigues (G10 Favelas), Instituto Escolhas, Janine Rodrigues (Piraporiando), Patrícia Villela Marinho (Humanitas360), Positiv.a e The Green Hub. Convidamos você a embarcar nesta aventura com a gente. Baixe agora a CIVI-CO Mag #1!

Feira sobre uso medicinal da cannabis é destaque em São Paulo

Por João R. Negromonte* A primeira edição do Medical Cannabis Fair, maior feira sobre o uso medicinal da cannabis do Brasil, reunirá nos dias 3 e 6 de maio deste ano, especialistas e empresas do setor canábico brasileiro. O evento que acontece no Expo Center Norte, em São Paulo, tem entrada gratuita e debaterá temas como saúde, legislação e negócios dentro do ecossistema da planta.   A feira é uma ótima ocasião para aprofundar os conhecimentos e abrir novas oportunidades de negócios através do contato direto com esses especialistas. Além disso, diversas empresas do ramo estarão divulgando seus produtos, serviços e soluções em mais de 30 estandes espalhados pelo local, levando oportunidade para aqueles que desejam ingressar nesse mercado ou mesmo entender um pouco mais sobre os benefícios dessa terapia. Os eventos são promovidos pelo Sechat, portal dedicado à Cannabis Medicinal – Saúde e Negócios, em paralelo com a Medical Fair Brasil, maior feira do setor de equipamentos e soluções para a saúde do mundo, com estrutura organizacional da Messe Dusseldorf e Medica e realização e execução da Emme Brasil. Quem pode participar? A pandemia de Covid-19 inviabilizou que as feiras ocorressem em 2020/2021, mas as expectativas para a edição deste ano são as melhores. O evento é conhecido por reunir milhares de pessoas ao redor do mundo, contando com a participação de profissionais de saúde, empresas do ramo e pessoas interessadas em soluções alternativas. Teremos expositores de diversos países como Brasil, Estados Unidos, Israel, Uruguai, entre outros, que irão apresentar soluções para o uso medicinal da Cannabis para diferentes necessidades patológicas, além de serviços para profissionais da saúde que atuam no setor. Mas a feira é para quem? Para todos os profissionais que estão interessados no mercado da cannabis medicinal.  Os ingressos são gratuitos! Faça já a sua inscrição e garanta o seu lugar na feira clicando na imagem abaixo:  Congresso Brasileiro da Cannabis Medicinal Juntamente com a feira, o Sechat está organizando o Congresso Brasileiro da Cannabis Medicinal, evento que contará com a participação de diversos especialistas do universo da cannabis falando sobre regulamentação, uso medicinal da planta, legislação, negócios, mercado nacional e internacional, dentre outros.  Através de uma curadoria minuciosa, estamos reunindo os maiores especialistas do Brasil e do mundo para compartilharem seus conhecimentos com nosso público. Os debates trarão perspectivas sobre o presente e o futuro da planta, a importância social, econômica, política e sustentável da pauta, além claro da desmistificação de ideias que norteiam o tema.  Para Malu Savieri, CEO da Emme Brasil, representante da Messe Düsseldorf, e diretora da Medical Fair Brasil: “Não se pode olhar para as feiras de negócios apenas com a perspectiva de vendas. Elas representam uma ferramenta eficaz para aprofundar e consolidar relacionamentos comerciais e conquistar a necessária confiança para concretizar mais negócios.” Ficou interessado(a) em participar do Congresso? Então compre o seu ingresso agora mesmo! Para mais informações: www.medicalcannabisfair.com.br *Jornalista do Sechat.