Cannabis no Brasil: avanços, desafios e reflexões

Após nove anos de muito trabalho, no último dia 26 de junho, o Supremo Tribunal Federal (STF) concluiu o julgamento que descriminaliza o porte de maconha para uso pessoal. Para diferenciar usuários de traficantes, o limite estabelecido é de 40 gramas da substância ou o cultivo de até seis plantas fêmeas de cannabis sativa.  A decisão deverá ser aplicada em todo o país após a publicação da ata do julgamento. O julgamento não legalizou o porte de maconha. Segundo a justiça, o porte para uso pessoal ainda é considerado um comportamento ilícito, porém, as consequências agora são de natureza administrativa e não criminal. As minorias seguem lutando Estudiosos, empreendedores e ativistas da cannabis consideram a determinação do STF um avanço tardio. Desde 2006, a Lei de Drogas tem contribuído significativamente para o encarceramento em massa no Brasil. De acordo com o Anuário de Segurança Pública, divulgado pelo Instituto Humanitas360, a falta de critérios claros para distinguir entre usuário e traficante resultou em 300 mil pessoas presas em 2005. Atualmente, esse número subiu para 832 mil indivíduos atrás das grades. Os grupos mais afetados por essa política “sem regras” continuam sendo pessoas negras, jovens e moradoras de áreas periféricas. Novamente, vemos que as minorias seguem enfrentando problemas por preconceitos da sociedade. “É crucial continuar debatendo com a sociedade, fundamentado em pesquisas e um senso de justiça, especialmente diante do crescente punitivismo penal no Congresso”, defende Patrícia Villela Marino, presidente do Instituto Humanitas360. Entenda porquê a indústria da cannabis é tão criticada Soluções verdes No CIVI-CO, seguimos colaborando e entendemos a importância da cannabis e das suas possibilidades para um futuro mais sustentável. E para entender o potencial deste mercado verde, destacamos algumas iniciativas da nossa Comunidade que atuam diretamente com a planta: CANABINOTE A Canabinote é uma plataforma para a prescrição da cannabis medicinal. Eles têm um trabalho dedicado aos profissionais da saúde. São um convite para uma jornada científica, agregando confiança e segurança na terapia cannábica. CANNACARE A CannaCare é uma plataforma de Saúde e Bem-Estar que oferece e facilita acesso ao tratamento e a produtos de qualidade à base de cannabis. Vem atuando no mercado a anos e mudando a vida de milhares de pessoas. CULTIVE A Cultive é uma associação sem fins lucrativos que tem como missão favorecer a produção de Cannabis por seus integrantes, com o objetivo de assegurar o direito inalienável ao acesso pleno à saúde através do autocultivo. HUMORA A Humora é uma marca brasileira que facilita o tratamento e acesso a produtos à base de cannabis medicinal. Combinando a planta com a mais alta tecnologia, seus produtos ajudam a equilibrar os humores e, consequentemente, melhorar a saúde das pessoas. INSTITUTO FICUS O Instituto Ficus fomenta o conhecimento da sociedade sobre o potencial medicinal e industrial da cannabis. A ONG trabalha pelo avanço das políticas de outros produtos naturais atualmente proibidos no país, com evidente valor terapêutico e econômico, como é o caso dos compostos psicodélicos. REDE REFORMA A Rede Reforma é uma associação que congrega advogados(as) e organizações sensíveis às injustiças provocadas pela atual política de drogas no Brasil. Uma de suas iniciativas é o apoio e consultoria a associações e pacientes que fazem uso terapêutico de cannabis sativa e outras drogas tornadas ilícitas. THE GREEN HUB A The Green Hub é uma plataforma brasileira de cannabis dedicada a desbloquear o potencial dessa indústria no país. Com seis anos de experiência, eles mapearam mais de 200 negócios, aceleraram 20 startups e colaboraram com mais de 30 clientes em setores variados. Fica a reflexão Diante desse panorama é necessário considerar não apenas aspectos legais e jurídicos, mas também os impactos sociais, ambientais, econômicos e de saúde pública de políticas que historicamente se mostraram ineficazes e prejudiciais para muitos segmentos da sociedade. Portanto, a decisão do STF deve ser vista como um convite à reflexão e ao aprofundamento do diálogo público sobre como avançar na construção de uma política de drogas mais justa, humana e eficiente no Brasil. Este é um momento crucial na história do Brasil em relação à sua política de drogas. Vamos seguir acompanhando e participando ativamente deste processo de transformação, pois o CIVI-CO é este espaço que promove debates e soluções inovadoras.

O atraso da economia do Cânhamo no Brasil

O Cânhamo ainda é uma planta proibida no Brasil, mas ganhou notoriedade nos últimos dias após matéria veiculada no “Jornal Nacional” (Rede Globo). Da mesma espécie da maconha, a cannabis sativa tem uma composição química diferente e não possui efeitos entorpecentes, segundo especialistas. Toda essa curiosidade sobre a “prima da maconha” se deu após a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) buscar permissão para estudar o plantio e o comportamento da planta no Brasil. O interesse justifica-se pelo potencial de aproveitamento do cânhamo, o que pode gerar um impacto positivo em várias áreas da economia do nosso país. Entretanto, essa não foi a primeira vez que um grupo tentou uma autorização para estudar e trabalhar com a mesma. Em 2019, alguns produtores de São Paulo e Minas Gerais conseguiram uma autorização judicial para produzir o cânhamo industrial, mas a Anvisa derrubou a liminar pouco tempo depois. Leia o nosso “Dicionário da Cannabis” Lucro e sustentabilidade A espécie, além de ser super sustentável, atrai os olhos de empresários que querem lucrar cada vez mais. Depois que os Estados Unidos regulamentaram o cultivo de cânhamo, outros 60 países começaram a se mobilizar para a prática. Atualmente, na América Latina, apenas Brasil, Bolívia e Venezuela não permitem o cultivo da planta. O agrônomo Lorenzo Rolim, que coordenou todo o processo de regulamentação no Paraguai, que é o maior produtor latino-americano, conta que existe um sistema rígido de controle, por parte do governo, que vai desde a importação da semente até a lavoura. “Nós colocávamos uma geolocalização do terreno. Eles aprovavam esse plano, a gente plantava, os técnicos do Ministério da Agricultura iam lá, olhavam, colocavam plaquinhas lá, esse campo já foi inspecionado pelo Ministério da Agricultura.” O cânhamo é 100% aproveitável. Do caule, se retira a fibra, já as flores se transformam em extratos para cosméticos e óleos medicinais. As sementes são aproveitadas na indústria de alimentos e de ração animal. A planta ainda ajuda na regeneração do solo, o que é super valorizado pela indústria do agronegócio. Nas etiquetas das roupas Que a sustentabilidade está em alta e veio para ficar, isso não é novidade para ninguém. Ditando tendências, a indústria da moda não perdeu tempo e já inseriu as roupas de cânhamo na passarela. O número de empresas da indústria têxtil que informam e certificam a origem e as práticas sustentáveis de fabricação está crescendo a cada dia. Segundo Everton Dechen, coordenador de Desenvolvimento de Produtos da Capricórnio Têxtil, a menos de três meses a produção incorporou as fibras de cânhamo em sua confecção. Com um fio super resistente, combinado ao algodão, hoje os jeans produzidos pela tecelagem no interior de São Paulo têm 23% de cânhamo na sua composição. O jeans produzido com essa composição ainda representa uma parcela bem pequena da produção, isso porque o mercado ainda é novo e o acesso à matéria-prima é restrito.  Porém, como afirma o presidente do Instituto Ficus, Bruno Pegoraro, o futuro do cânhamo é muito promissor. “A gente tem a expectativa que até 2027 esse mercado seja de US$ 18,6 bilhões no mundo todo. É um país com vocação agrícola, e eu acho que a gente não pode ficar de fora do mercado em expansão com grande potencial.” Futuro brasileiro incerto No Brasil, atualmente só é possível fabricar peças com esse tecido se a empresa importar o fio. Esta dificuldade existe, pois a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) lista a cannabis sativa como uma planta que pode originar substâncias entorpecentes e não distingue o que é o cânhamo. A Anvisa informou, em nota, que esse estudo e a regulamentação da planta não se encontram nos temas que compõem a agenda regulatória da Agência para 2024 e 2025.  Com tantos desafios em um país onde esse tema ainda é um tabu, fica difícil acreditar em um futuro promissor. Porém, a Embrapa e outros tantos aliados estão lutando por um futuro mais sustentável no Brasil através da regulamentação da indústria do cânhamo. Fonte: G1 

4 dicas de Captação para empreendedores sociais 

A busca por investimentos é essencial para o crescimento – e impacto – das empresas socioambientais, que buscam equilibrar o sucesso financeiro com a promoção do bem-estar social e sustentabilidade ambiental. Essas empresas desempenham um papel crucial na abordagem de desafios contemporâneos, como a crise climática e a desigualdade social, e a captação de recursos é fundamental para impulsionar suas iniciativas. Por onde começar Neste texto, exploraremos quatro estratégias de captação de investimentos, acompanhadas por exemplos inspiradores. Confira: Investidores e Fundos de Impacto Social Investidores de impacto buscam gerar retornos financeiros, ao mesmo tempo em que promovem mudanças positivas na sociedade e no meio ambiente. Os fundos de impacto social, por exemplo, dedicam-se a investir em empresas cujas atividades alinhem lucro e propósito social. Um exemplo é a Sitawi, instituição financeira que financia projetos sustentáveis em diversas áreas, desde energia renovável até agricultura orgânica. Crowdfunding e Plataformas de Financiamento Coletivo As plataformas de crowdfunding permitem que as empresas socioambientais apresentem suas iniciativas diretamente ao público interessado, que pode investir pequenas quantias de dinheiro para apoiar projetos nos quais acredita. A empresa Amitis, por exemplo, arrecadou fundos através de um financiamento coletivo para desenvolver soluções contra a fome no Brasil. Parcerias com Fundações e ONGs Colaborações estratégicas com fundações e ONGs que compartilham valores semelhantes podem fornecer não apenas financiamento, mas também recursos e conhecimentos adicionais. A Patagonia, uma empresa de roupas e equipamentos ao ar livre, estabeleceu a “Patagonia Action Works“, uma plataforma que conecta organizações de base comunitária com recursos financeiros, humanos e técnicos. Investidores com Visão Sustentável À medida que a conscientização sobre a importância da sustentabilidade cresce, investidores convencionais estão cada vez mais interessados em apoiar empresas que integram práticas sustentáveis em suas operações. O The Green Hub, consultoria de negócios em cannabis medicinal e industrial, conseguiu atrair investidores convencionais ao demonstrar a viabilidade financeira de investir em cannabis no Brasil. Em síntese, a captação de investimentos para empresas socioambientais é uma jornada que requer estratégias adaptáveis e criativas. Investidores de impacto, crowdfunding, parcerias com ONGs e atração de investidores convencionais alinhados com a visão sustentável são apenas algumas das abordagens possíveis. Os exemplos mencionados neste artigo ilustram como as empresas estão utilizando essas estratégias para impulsionar suas iniciativas socioambientais, evidenciando que é possível equilibrar o sucesso financeiro com o impacto positivo na sociedade e no planeta.

Cannabis: um caso de justiça ou injustiça?

Desde o voto do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para descriminalizar o porte de maconha para consumo pessoal, na última quarta-feira (2), o tema tomou grande proporção nas mídias e na sociedade, causando entusiasmo e esperança nos apoiadores da planta. Porém, vale ressaltar que o tema nunca saiu da mídia, só que agora estamos vendo sobre uma outra ótica, mais otimista e classista. A chamada “guerra às drogas” e todas as suas consequências sempre estiveram estampadas nas capas dos jornais e das revistas brasileiras, tratada de forma rasa e sensacionalista. LEIA: Cannabis é Saúde: pesquisa sobre o uso medicinal da cannabis Uma questão de cor O preconceito foi – e ainda é – explícito, principalmente porque a grande maioria dos envolvidos, encarcerados ou mortos é a população negra e periférica. No julgamento e na justificativa do voto favorável à descriminalização, o magistrado afirmou que a lei em análise no Supremo aumentou o número de presos por tráfico de drogas. Moraes declarou que dados oficiais mostram que 25% dos presos no Brasil (201 mil) respondem por tráfico de drogas. O ministro do STF, baseado em dados, afirmou que a média apreendida no caso de analfabetos e negros acusados como traficantes é de 32 gramas. Já para o caso de pessoas com curso superior e brancas é de 49 gramas, uma diferença de 52%. LEIA: Plantando saúde e reparação: o uso terapêutico da maconha nas favelas do Rio de Janeiro Uma solução responsável Alexandre de Moraes apresentou um critério para distinguir entre usuários de maconha e traficantes da substância: a posse de uma quantidade que varia de 25 a 60 gramas ou o cultivo de seis plantas fêmeas. Conforme a opinião do juiz, essa faixa é flexível. Na prática, isso significa que os policiais podem efetuar prisões em flagrante de indivíduos que estejam portando quantidades inferiores à estabelecida, “desde que possam fundamentar de maneira sólida a presença de outros indicadores que caracterizem o tráfico de drogas”. O Supremo Tribunal Federal está avaliando a constitucionalidade do Artigo 28 da Lei das Drogas (Lei 11.343/2006). Para discernir entre usuários e traficantes, a norma estipula sanções alternativas, como prestação de serviços comunitários, advertência sobre os efeitos das drogas e participação obrigatória em programas educativos para aqueles que adquirirem, transportarem ou portarem substâncias entorpecentes para uso pessoal. O julgamento O andamento do julgamento foi interrompido após o relator do caso, ministro Gilmar Mendes, solicitar à Presidente do Tribunal, Rosa Weber, o adiamento da continuação do processo. A data para a retomada ainda não foi definida. O Tribunal retomou o julgamento do processo que discute a descriminalização do porte de drogas para consumo pessoal, que estava parado desde 2015, com o voto de Moraes. Agora, quatro votos são a favor de não considerar crime a posse de maconha para uso próprio: além de Moraes, Edson Fachin e Roberto Barroso também votaram nesse sentido em 2015. Gilmar Mendes votou a favor da descriminalização do porte para consumo pessoal, sem especificar tipos de drogas. Você é a favor ou contra a descriminalização do porte de maconha para uso pessoal? Deixe sua opinião aqui nos comentários.

Cânhamo: novo aliado para um mundo mais sustentável

Por Marcelo Grecco* Os múltiplos usos do cânhamo (cannabis ruderalis, conhecido internacionalmente como hemp), planta que é uma das espécies da cannabis, podem ser muito importantes no caminho em direção a um planeta mais sustentável, atendendo tanto os anseios da sociedade, quanto de empresas com propósito e intuito de somar e não só lucrar. Hoje, é esperado que uma empresa agregue valor à vida dos colaboradores, à população e ao meio ambiente. É por tudo isso que boas práticas ambientais, sociais e de governança estão cada vez mais valorizadas no mundo. E o princípio disso tudo está na preservação do planeta. E como o cânhamo pode contribuir nesse sentido? Os benefícios ambientais são inúmeros. De plásticos a papel, passando por combustível e fitorremediação, a planta oferece boas alternativas para harmonia com o meio ambiente e os ecossistemas que o sustentam. 10 benefícios do cultivo de cânhamo para o planeta 1) Menos pesticidas no cultivo Ao contrário do algodão ou linho, que consomem cerca de 50% de todos os defensivos agrícolas no planeta, o cultivo do cânhamo tem um volume expressivamente menor na cultura. Quando defensivos são pulverizados na terra, podem facilmente se infiltrar nas fontes de água, como um rio, oceano ou lago, prejudicando todos os seres vivos que dependem delas. Além disso, essas substâncias têm sido associadas a câncer, defeitos congênitos, TDAH e doença de Alzheimer. Ou seja, representam riscos tanto para o meio ambiente quanto para a saúde do ser humano. Ao cultivarmos o cânhamo, podemos reduzir significativamente nossa exposição a toxinas e poluentes. 2) Plástico biodegradável Os blocos básicos de construção de plásticos são celulose derivada do petróleo, um elemento altamente tóxico. O cânhamo, por outro lado, é o maior produtor de celulose da terra, com a vantagem de ser biodegradável. 3) Biocombustível renovável Assim como acontece na maioria das fontes vegetais, o óleo de cânhamo pode ser processado e convertido em biocombustível, cuja queima é menos poluente em relação aos combustíveis fósseis. E o aproveitamento é quase total, pois, além da produção de biodiesel a partir do óleo presente nas sementes e no caule da planta, a parte fibrosa também pode ser empregada para obtenção de versões quimicamente semelhantes às da gasolina convencional. 4) Tecidos sem resíduos químicos Grande parte das fibras sintéticas que usamos hoje é fabricada a partir de materiais petroquímicos baseados em polímeros altamente tóxicos. A produção desses materiais requer gasto intenso de energia, queimando grandes quantidades de gás, carvão ou petróleo bruto. No entanto, este problema pode ser evitado com o cânhamo. Suas fibras são facilmente removidas da planta e geram roupas com utilização zero de resíduos químicos. Além disso, o tecido é mais durável e resistente aos raios UV. 5) Redução de carbono na atmosfera O cânhamo tem poder para transformar o meio ambiente reduzindo a poluição industrial. A planta faz isso por meio de um processo conhecido como captura de carbono. Ou seja, quando cultivada a planta ajuda a sequestrar o carbono da atmosfera. Cada tonelada de cânhamo produzida equivale à remoção de 1,63 tonelada de carbono do ar. 6) Queda no desmatamento Meio hectare de cânhamo pode produzir a mesma quantidade de papel que 1,5 a 4 hectares de árvores, em um ciclo de 20 anos. Enquanto árvores demoram entre 20 e 80 anos para estarem aptas à produção de papel, o caule do cânhamo leva apenas 4 meses para ser colhido, desde a semeadura. 7) Práticas agrícolas sustentáveis Os agricultores que praticam as melhores técnicas conhecem a importância da rotação de culturas por temporada. Esse movimento não só mantém o solo rico em nutrientes, mas também aumenta o rendimento. O cânhamo é a planta ideal para a rotação de culturas, pois enriquece o solo, além de remover toxinas. Seu cultivo ajuda a preservar o solo e o ar mais saudáveis nos próximos anos. 8) Construção de casas mais fortes e sustentáveis O uso da planta pode se estender também à construção civil. O hempcrete, concreto à base de cânhamo, é um material atóxico e resistente ao mofo, proporcionando ótima regulação térmica e controle de umidade em pisos, paredes e tetos. Além disso, a combinação de cânhamo e limão resulta em um sistema de isolamento acústico superior ao concreto. 9) Cresce em qualquer ambiente Imagine se houvesse uma cultura que pudesse ser semeada em praticamente qualquer lugar do mundo, com baixo uso de defensivos agrícolas e, de quebra, abrindo possibilidades para 25 mil aplicações industriais. Essa cultura é o cânhamo. Da China aos Estados Unidos, o cânhamo pode crescer em variados tipos de clima, oferecendo alto potencial de produção. 10) Combate à fome no mundo De acordo com o último relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre segurança alimentar, 690 milhões de pessoas globalmente estão subnutridas. E como a planta pode ajudar? As sementes de cânhamo constituem fonte nutricional muito relevante de proteína completa. Possuem ainda todos os nove aminoácidos essenciais, são ricas em fibras, vitaminas e sais minerais. Ou seja, utilizar o cânhamo como cultura básica é uma alternativa para melhorar a vida das pessoas, especialmente considerando o grande número de indivíduos que poderiam ser alimentados e bem nutridos por este superalimento. Preservar o planeta é uma questão fundamental não só para a qualidade de vida do ser humano, mas para a sobrevivência das gerações futuras. O caminho em direção a um mundo mais sustentável é uma equação com múltiplos fatores. O cânhamo é parte indissociável desse processo e pode ter papel polivalente. Todas as condições para explorar os benefícios estão apresentadas e alavancar esta vertente só depende de nós. *Cofundador e CMO da The Green Hub.

Cannabis, carvão e cosméticos

por Camila Viana* Desde a legalização da cannabis no Uruguai em 2013, muitas oportunidades surgiram para empreendedoras que buscavam se aventurar nesse mercado ainda em desenvolvimento. Eu sou uma dessas mulheres. Decidi me mudar para o país em 2018 para aprender sobre o empreendedorismo com a cannabis e desde então, vivo essa planta diariamente. Em 2021, comecei a fazer parte da equipe da Meraki enquanto dava vida à CBeDifferent com outras mulheres. As empresas possuem focos diferentes, mas complementares. A Meraki é uma pequena produtora de insumos de cannabis, e a CBeDifferent produz cosméticos conscientes, idealmente com cannabis em sua composição. No entanto, produzir cosméticos com cannabis no Uruguai não é tão simples quanto parece. A regulamentação fragmentada e a falta de clareza entre os órgãos reguladores tornam a produção de um cosmético de cannabis muito mais difícil do que deveria ser em um país legalizado (o primeiro inclusive). A Meraki já fez sua primeira colheita de cannabis em escala industrial e hoje possui um estoque de material vegetal orgânico pronto para ser transformado em insumos para cosméticos, mas ainda faltam atar algumas pontas para que isso se materialize. Para nós, a saúde do solo é o ponto de partida para a produção de uma cannabis de qualidade. Um solo saudável absorve e retém carbono e por isso apostamos em práticas da agricultura regenerativa, promovendo a vida e a diversidade. Fazemos nossos próprios bioinsumos, como fermentados de microrganismos eficientes e biochar (carvão vegetal), esse último sendo feito com os caules das plantas de cannabis colhidas que geralmente são apenas descartados. O biochar melhora a estrutura do solo, absorve mais água e é o ambiente poroso perfeito para abrigar os microrganismos que queremos promover. Verde na pele Trabalhar com o carvão também deu à equipe da CBeDifferent o insight para utilizá-lo em nossos cosméticos. O primeiro produto testado foi um sabonete com carvão ativado. Apesar da regulamentação brasileira impedir a importação de qualquer “parte da planta”, estamos entusiasmadas com a possibilidade de produzir cosméticos com carvão ativado de cânhamo, insumo que teoricamente enfrentaria menos barreiras regulatórias, além de ser muito poderoso para a saúde da pele e dos cabelos. Para mim, e para outras empreendedoras, as mudanças no setor da cannabis são constantes. Qualquer micro avanço é uma oportunidade de crescer dentro da indústria. Apesar de ainda existirem muitos desafios e barreiras a serem superados, permanecemos firmes e guiadas pela verdade da planta, acreditando que ela pode ajudar na recuperação dos solos, da nossa saúde e ser ferramenta para o empoderamento do empreendedorismo feminino na nossa sociedade. *Geocientista e Diretora de Sustentabilidade na CBeDifferent. Conheça a CBeDifferent

Indústria da Cannabis é criticada por falta de visão social

Por Valéria França Um acontecimento movimentou os bastidores da Cannabis nessa semana. O epicentro da questão foram as declarações de Bruna Rocha, presidente-executiva da BRCann (Associação Brasileira das Indústrias de Canabinoides). Por conta disso, empreendedores, advogados e até médicos expressaram críticas ferrenhas à entidade. Confira parte da matéria publicada pela jornalista Valéria França, na Coluna Cannabis Inc. da Folha de S.Paulo, que entre outras opiniões, ouviu a cofundadora do CIVI-CO e presidente do Humanitas 360, Patrícia Villela Marino. Confira: A semana começou quente nos bastidores da Cannabis. Entre os afiliados da BRCann (Associação Brasileira das Indústrias de Canabinoides) o clima era de constrangimento contido. Fora deste círculo, empreendedores, advogados e até médicos expressaram críticas ferrenhas à entidade. O desconforto generalizado foi desencadeado pelas declarações de Bruna Rocha, presidente-executiva da BRCann, publicadas no Painel da Folha, no último sábado (10). O assunto era a descriminalização do porte de drogas. “Existem diversas manifestações contrárias à legalização do lado de cá, justamente por conta da implicação que isso pode ter na credibilidade do mercado”, disse ela na referida entrevista, pautada pela expectativa da sociedade do julgamento do STF (Supremo Tribunal Federal) sobre o tema. Vale lembrar que se trata de uma ação sobre um caso específico de condenação por porte de maconha. Depois de uma reunião com os associados, a BRCann elaborou uma nota de esclarecimento, transmitida nesta terça-feira (13) ao blog Cannabis Inc. A entidade escreve que “o termo ‘liberação’ de drogas, empregado no título da matéria, não foi objeto de discussão aprofundada ao longo da conversa entre a entidade e o jornal”. E continua: “A indicação feita e ora reiterada é no sentido de que aguardaremos a decisão do STF para eventual posicionamento, ainda que o tema não seja de nossa competência direta.” Em nenhum momento, no entanto, a entidade nega as declarações da representante da BRCann. Empreendedora do setor e ativista, Patrícia Villela Marino lembra que “oportunismos de mercado não podem se sobrepor a uma causa que defende vidas, bem-estar e reparação histórica com ganhos econômicos sustentáveis e dignos”. Patrícia é fundadora do Humanitas360, entidade que desenvolve projetos, facilita coalizações de organizações sociais, profissionais e gestores públicos focados na diminuição da violência. “Não falamos e nunca se fez alusão em momento algum sobre liberação de drogas até porque já estão liberadas. Cada dia temos notícias de uma nova droga chegando ao país pela mão do crime organizado”, disse ela. Leia a matéria completa Foto: Diego da Silveira *Valéria França é jornalista no Blog Cannabis Inc. e colunista na Folha de S.Paulo.

Paraisópolis no centro do debate sobre a cannabis

Enquanto o mercado brasileiro cresce e se prepara para uma abertura seguindo os passos mundiais, a periferia se depara com a desinformação, criminalização e desconhecimento sobre os benefícios da cannabis. Discutir a planta em território periférico, levar conhecimento de qualidade e de forma simples é o foco do Legado Talks, que acontece no dia 24 de junho, na favela de Paraisópolis. Organizado por Renata Alves, líder comunitária e conselheira de saúde, o evento tem a meta de abrir o debate sobre a cannabis deixando de lado preconceitos e vieses tão reconhecidos por quem vive na periferia, como maconha ser sinônimo de crime e encarceramento. “É mais que necessário falar sobre cannabis em territórios periféricos. Muitos moradores escutam a notícia que vai ter remédio de cannabis no SUS e não fazem ideia de como isso pode estar presente em sua vida, já que maconha é droga e ponto final. Além de toda parte medicinal, a planta  tem um potencial enorme de empreendedorismo. São esses nossos objetivos”, afirma Renata. Construindo um legado Esta é a primeira edição do Legado Talks, evento que pretende levar o modelo para outros territórios periféricos, sempre abordando as dúvidas e necessidades de cada comunidade. Já estão confirmados nomes como: Caio França (deputado estadual autor da lei que inclui cannabis medicinal no SUS), Tabata Amaral (deputada federal), Cris Guterres (jornalista), Filipe Sabara (secretário de desenvolvimento social do estado de São Paulo), André Lozano (advogado criminalista), Danilo Biu (historiador e vice-presidente de torcidas Gaviões da Fiel), Tatiane Cruz (empreendedora social), Ticiana Santana (empreendedora), Lih Vitória (cientista periférica) e representantes da CAPS Einstein. Outro ponto importante do evento é a inclusão do empreendedorismo no debate sobre os vários usos da planta. Para falar sobre o tema, a co-idealizadora do evento e fundadora da Galáxia Beauty, Tatiane Cruz, irá liderar um dos painéis ao lado de Ticiana Santana, fundadora da CBeDifferent. Legado Talks é fruto da colaboração dessas duas mulheres empreendedoras, que tem como foco a geração de renda, empreendedorismo feminino e reparação histórica. “A parceria entre Galáxia Beauty e CBeDifferent permitiu levar a discussão do empreendedorismo canábico para dentro de Paraisópolis. A cannabis quebra barreiras com seu  potencial inovador, possibilitando geração de renda e fomentando o empreendedorismo sustentável para locais que sempre sofreram com a criminalização da planta”, afirma Ticiana. “Essa colaboração entre as nossas marcas para promover um evento tão disruptivo é muito potente. Falar sobre desenvolvimento, geração de renda e reparação histórica dentro de uma comunidade tão expressiva como Paraisópolis é ser acessível e promover a inclusão real”, afirma Tatiane. O evento também marca a  inauguração do Legado Hub, primeiro coworking de Paraisópolis. Um ecossistema de membros engajados que atuam em áreas diversas do empreendedorismo social, cultural e ambiental encorajando soluções de desenvolvimento, geração de renda, reparação histórica e legado de impacto positivo em territórios periféricos. SERVIÇO Legado Talks Quando: 24 de junho (sábado) Onde: Legado Hub (R. Melchior Giola 77 – 6º andar – Paraisópolis | SP) Horário: 10h às 15h Imprensa Adriana Cardillo (11) 99364-3373 | [email protected] Parcerias e patrocínio Tatiane Cruz (11) 98865-6656 | [email protected] Ticiana Santana (11) 61 99118-0822 | [email protected]

É necessário descriminalizar já!

Segundo o direito penal, a palavra “descriminalização” é o “ato legal de excluir da criminalização fato abstrato antes considerado crime.” O termo judicial ganhou grande repercussão na última semana, quando o Supremo Tribunal Federal (STF) adiou mais uma vez o julgamento que trata da possível descriminalização do porte de drogas para consumo pessoal. O processo sobre o tema estava na pauta de julgamentos da quarta-feira (24), mas não foi chamado, já que os ministros utilizaram toda a sessão para analisar uma ação penal contra o ex-presidente Fernando Collor. Havia expectativa de que a descriminalização pudesse ser chamada no dia seguinte, mas o recurso foi retirado de pauta. Quer saber mais sobre os termos ligados à cannabis?  Baixe agora o nosso “Dicionário da Cannabis” A discussão em torno da descriminalização das drogas tem ganhado relevância no contexto sociopolítico contemporâneo. Nesse debate é importante considerar não apenas as questões de saúde e segurança pública, mas também o impacto que as políticas de drogas têm sobre as comunidades marginalizadas. O racismo sistêmico está profundamente entrelaçado nas políticas de drogas, resultando em disparidades sociais e raciais significativas. A chamada “guerra às drogas” e seu viés racial: as políticas de drogas têm sido historicamente utilizadas como ferramentas de opressão e controle social das comunidades negras e latinas. Discriminação racial x Impacto da descriminalização das drogas Prisões em massa: a criminalização das drogas tem contribuído para o aumento das prisões em massa, afetando negativamente as minorias étnicas e aprofundando as desigualdades raciais no sistema de justiça criminal. Redução das taxas de encarceramento: a descriminalização das drogas pode reduzir significativamente as taxas de encarceramento, beneficiando principalmente as comunidades racialmente marginalizadas. Enfoque em abordagens de saúde pública: ao invés de tratar os usuários de drogas como criminosos, a descriminalização permite que sejam vistos como pessoas que precisam de assistência médica e suporte social, abrindo espaço para abordagens mais humanitárias e inclusivas. Oportunidades de investimento: a regulamentação e legalização de algumas substâncias podem criar oportunidades econômicas para comunidades historicamente prejudicadas pelo racismo, promovendo a inclusão social e o empoderamento econômico. A realidade escancarada Entidades de defesa dos direitos das pessoas negras argumentam que a atual lei de porte de drogas leva à discriminação e escancara o racismo nas decisões judiciais. A maioria dos presos por tráfico são negros, ainda que boa parte tenha sido flagrada com quantidades menores de droga do que réus brancos enquadrados como usuários. Questionada, a assessoria do Supremo disse apenas que a presidente da Corte, ministra Rosa Weber, é a responsável por administrar a pauta e remarcar uma nova data para o julgamento do caso. Iniciado há oito anos, quando foi interrompido por um pedido de vista, o caso não voltou a ser discutido em plenário desde então. Até o momento, três ministros (Luís Roberto Barroso, Edson Fachin e Gilmar Mendes) votaram a favor de algum tipo de descriminalização da posse de drogas. O recurso sobre o assunto possui repercussão geral e provavelmente servirá de parâmetro para todo o Judiciário brasileiro. Novos caminhos A descriminalização das drogas apresenta-se como uma alternativa viável e necessária para enfrentar o racismo sistêmico presente nas políticas de drogas. Ao desafiar a narrativa punitiva e repressiva, é possível abrir caminho para uma abordagem mais justa, equânime e baseada na saúde pública. É crucial reconhecer que o racismo e a discriminação são intrínsecos às políticas de drogas e que a descriminalização representa um passo importante para a construção de uma sociedade mais igualitária, onde a cor da pele não seja um fator determinante para a criminalização e marginalização.

CIVI-CO na 2ª Medical Cannabis Fair

Como um grande apoiador e fomentador da cannabis medicinal, o CIVI-CO esteve presente em dois dos principais eventos do setor nos dias 4 e 5 de maio, em São Paulo. A segunda edição da Medical Cannabis Fair e do Congresso Brasileiro de Cannabis Medicinal movimentou o ecossistema e apresentou novidades e tecnologias para profissionais da área e agentes do setor. Ambos os eventos são realizados pela plataforma Sechat, com o propósito de proporcionar conhecimento e informação, e reuniram as principais empresas do mercado da cannabis medicinal do Brasil e do mundo, com expositores e participantes de países como: Argentina, Uruguai, Colômbia, Paraguai, Espanha, Israel, Canadá e Estados Unidos. Além da pluralidade de países, a Medical Cannabis Fair apresentou uma ampla gama de áreas e segmentos: Farmacêuticas; Clínicas; Educação; Têxtil; Cosméticos; Tecnologia; Agricultura; Operação Financeira; Veterinária; Dados; Genética; Institutos e Associações. Inovação e Articulação Eventos como esses, que abrangem as diversas utilidades da planta, são iniciativas estratégicas para a criação de uma frente ativa e organizada, porque difundem a pauta e a tornam mais acessível. Assim, fomenta-se o debate em torno da liberação e do acesso desse produto, que pode ser fonte de geração de renda para o país. Atualmente, mais de 95% dos insumos utilizados para a produção de remédios à base de cannabis no Brasil são importados. Ou seja, as empresas precisam trazer de fora a matéria-prima para fabricação das formulações, sendo que o nosso país possui todas as condições de plantio favoráveis. Comunidade Verde O CIVI-CO foi representado no evento através da The Green Hub, a primeira aceleradora de startups ligadas à cannabis medicinal e industrial no Brasil. A plataforma potencializa iniciativas visando o avanço da regulamentação no país através da inovação e tecnologia, pesquisas no setor e resoluções governamentais. A The Green Hub faz parte da Comunidade CIVI-CO e participou ativamente da Medical Cannabis Fair, com presença nos painéis do Congresso e stands da Feira. Eles também tiveram um momento para apresentação de pitches das suas aceleradas e divulgaram o “Dicionnabis”, ebook lançado em parceria com o CIVI-CO e o IPSEC Brasil. Conheça o Dicionnabis A empresa foi pioneira ao relacionar as métricas ESG e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU com a pauta da cannabis, lançando recentemente um relatório de compromissos com as causas socioambientais e promovendo o 4° Cannabis Thinking focado nas questões raciais. “É uma preocupação com o meio ambiente e com o social. Quando a gente faz isso tem que ser propositivo. Não faz sentido uma pessoa estar presa [por causa da cannabis] enquanto outras estão ganhando um monte de dinheiro aqui fora”, pontua Alex Lucena, sócio e Head de Inovação da The Green Hub. Baixe o “Relatório ESG” da The Green HUB