Por Utópika
Na interseção entre design e ativismo socioambiental, a Utópika criou o projeto “Somos o Clima que Protegemos”. A instalação está em exibição no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro, e provoca reflexões profundas sobre comunicação, política e clima.
Em um mundo saturado de informações, mas carente de sentido, comunicar o colapso climático virou uma verdadeira batalha cultural. Não basta mais informar: é preciso comover, conectar e inspirar transformações reais.
Este projeto vai além da estética: é um manifesto sensorial que dá protagonismo às mulheres defensoras do meio ambiente. Frequentemente silenciadas, elas são agora centro de uma narrativa potente que convida o público a sentir e agir.
Design é impacto e resistência
“Somos o Clima que Protegemos” foi concebido como uma manifestação sensorial potente, que homenageia mulheres defensoras do meio ambiente. Muitas vezes, essas mulheres são silenciadas e invisibilizadas pela sociedade, especialmente quando se posicionam politicamente.
O ataque recente à ministra Marina Silva, após sua oposição ao “PL da Devastação”, reforça como defender o meio ambiente é um ato político arriscado, sobretudo para mulheres. Esse cenário revela que a luta climática também é uma disputa por direitos humanos e justiça social.
Como criadora, a Utópika tem refletido sobre o esgotamento das narrativas atuais. A crise climática não é só uma crise ecológica — é uma crise de bem-estar humano em um planeta exaurido. E comunicar isso não é apenas informar: é comover, reconectar, reimaginar.
Por isso, a exposição não é apenas uma homenagem, mas também uma denúncia e um chamado. Como afirma Rachel Gepp, diretora criativa da Utópika:
“Nosso papel não é só ilustrar uma causa, mas criar encontros e tensionar percepções. Se design é narrativa, então ele precisa estar do lado certo da história.”
Criatividade que provoca mudanças
O design, quando utilizado com intenção, pode ser uma poderosa ferramenta para mobilizar consciências. A seguir, listamos 4 formas de como ele transforma narrativas socioambientais:
1. Humanizar dados complexos: transformar informações técnicas em experiências sensoriais e emocionais.
2. Dar visibilidade a vozes silenciadas: como as mulheres defensoras de territórios, que ganham protagonismo na instalação.
3. Construir novas narrativas: que expressem medos, desejos e pertencimento, criando empatia e mobilização.
4. Provocar ação: convidando o público a participar de movimentos, como a Marcha pelo Clima, no dia 7 de junho, no Museu do Amanhã.
Esses caminhos mostram que o design não é só decoração — é uma ferramenta de resistência política e imaginação radical. Não basta comunicar: é preciso emocionar e mobilizar, como reforça Júlia Lima, diretora criativa da Utópika:
“Estamos vivendo um momento crítico. O Brasil sediará a COP 30 em 2025, e a luta pelo clima precisa ocupar não só as mesas de negociação, mas também os espaços culturais e as ruas.”



A instalação “Somos o Clima que Protegemos” fica no Museu do Amanhã até junho. Fotos: Albert Andrade/Reprodução
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Fortaleça o movimento
No dia 7 de junho, às 10h, acontecerá a Marcha pelo Clima, com concentração no museu. Sua participação pode inspirar outras pessoas a agir e ampliar a rede de defesa do meio ambiente.
A instalação “Somos o Clima que Protegemos” estará aberta ao público no Museu do Amanhã até o dia 10 de junho. Aproveite para visitar, refletir e ampliar sua percepção sobre o papel do design no enfrentamento da crise climática.
Enquanto pessoas criadoras e inovadoras, precisamos contar as histórias certas: aquelas que não se calam, não se vendem e permanecem. Design também é política! E política é tudo aquilo que ainda pode nos manter vivos e vivas.




