O Dia da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, comemorado em 25 de julho, reforça a luta histórica das mulheres negras por sobrevivência em uma sociedade estruturalmente racista, misógina e machista e nos faz refletir sobre a vida dessas mulheres.
Este dia também é dedicado a líder quilombola Tereza de Benguela, símbolo de luta e resistência da comunidade negra e indígena, que enfrentou e resistiu a escravidão por mais de 20 anos.
Sabemos que existem muitas iniciativas lideradas por mulheres negras no Brasil, gerando impacto e resistindo às opressões estruturais, mas será que elas têm condições e oportunidades iguais?
O relatório do Sebrae sobre empreendedorismo negro de 2019 aponta que, no Brasil, 9,6 milhões de mulheres estão à frente de um negócio, sendo que as mulheres negras representam metade desse número, ou seja, cerca de 4,7 milhões são mulheres negras.
A sub-representação da mulher negra no mercado de trabalho certamente tem impulsionado esses números. Ainda de acordo a pesquisa, quando falamos de empreendedorismo negro, as mulheres negras empreendedoras têm 1,7 ano a menos de escolaridade que as mulheres brancas, em média.
E as desigualdades não param. Os negócios conduzidos pelas mulheres negras têm porte menor do que o de mulheres brancas: as empreendedoras negras ganham 49% a menos que as brancas.
Apesar disso
Vemos empreendimentos de mulheres negras despontando e ganhando visibilidade em diversos campos, seguindo uma tradição ancestral onde as mulheres africanas eram responsáveis por grande parte do comércio na Costa Ocidental da África, as quais tinham funções e ofícios desenvolvidos para o objetivo do sustento coletivo.
Um exemplo é o da empresária Adriana Barbosa, CEO da Pretahub e criadora da “Feira Preta”. O encontro começou há 20 anos como um brechó e se tornou o maior evento de cultura negra da América Latina, reunindo empreendedores(as) das áreas de moda, música, gastronomia, audiovisual, design, tecnologia, entre outras. Desde 2021, a Feira Preta também é um marketplace e um programa de aceleração.
Afroempreendedorismo com impacto
Aqui no CIVI-CO temos grandes exemplos de afroempreendedoras que criaram negócios focados em gerar impacto socioambiental, inspirando outras pessoas que estão começando a empreender, enquanto transformam a vida de diversas pessoas com seus produtos.
Educação com afeto
A Piraporiando é um negócio de impacto social criado pela educadora Janine Rodrigues, que atua em prol de uma educação antirracista, antibullying, antipreconceito e de promoção da equidade de gênero. Com formações, vivências, monitoramento, diagnóstico e avaliação de impacto alinhados ao cumprimento dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável e aos requisitos de ESG.
Autoestima da mulher negra
A Makeda Cosméticos, empresa das irmãs Shirley e Sheila Makeda, tem como missão incentivar nos cuidados dos cabelos afro de forma saudável e auxiliando na construção de uma identidade positiva. A linha de produtos da Makeda Cosméticos é desenvolvida por profissionais técnicos especializados em cabelos crespos e cacheados.
Referência infantil
Movida pelo desejo de apresentar uma imagem representativa para suas sobrinhas e outras crianças negras, a analista contábil Luciana Santos criou o canal de vídeos “Luttita”, onde ela dá vida a uma personagem que realiza atividades infantis, brincadeiras, cuidados com a estética e também inglês para crianças.
Conheça todas as iniciativas da Comunidade CIVI-CO e não se esqueça de apoiar e consumir produtos de afroempreendedoras.