Femtechs e o Outubro Rosa
Todos os anos a campanha Outubro Rosa alerta para a prevenção do câncer e a saúde da mulher. Porém, nos últimos anos diversos empreendimentos de impacto também estão investindo neste ramo de formas concretas e permanente. Você sabe o que é uma Femtech? Startups já fazem parte do ecossistema empresarial brasileiro. Diversas empresas já utilizam a tecnologia para atender públicos em variados setores de mercado. Em um mês tão representativo para a saúde da mulher, as startups com foco no universo feminino são destaque em todo o país. São as chamadas femtechs, startups de tecnologia que facilitam o acesso à saúde e informação para mulheres. Este nicho de mercado vem ganhando espaço e possui uma perspectiva de movimentar até US$ 50 bilhões no mundo até 2025, segundo a consultoria americana Frost & Sullivan. Inspiradas em exemplos internacionais, essas startups começam a traçar um horizonte de soluções e investimentos no Brasil. As ações são focadas em cuidados específicos, como: fertilidade, contracepção, gestação, menopausa, prevenção ao câncer e outras questões relacionadas ao corpo fminino. Hoje em dia, o uso da tecnologia (seja aplicativos, plataformas ou dispositivos que atendem diferentes demandas) tornou-se aliada na saúde da mulher. Essas ferramentas, quando bem utilizadas, podem auxiliar o acompanhamento médico e proporcionar uma forma mais acessível de saúde feminina. Os serviços, disponibilizados de diversas formas, são focados na resolução de problemas que as mulheres costumam enfrentar no cotidiano e auxiliam na oferta de ferramentas com funcionalidades para tornar a rotina delas mais prática. Para além de tecnologia portátil, como aplicativos de celular e das plataformas móveis, as femtechs podem fazer uso da inteligência artificial para criar algoritmos e, assim, coletar, entregar informações e compartilhar conteúdos pertinentes ao universo feminino. O diferencial desses empreendimentos em relação a outras startups é a forma como direcionam os esforços na qualidade de vida das mulheres, o que pode ser feito até mesmo com o diagnóstico precoce de doenças. Femtech e a Saúde da Mulher Por se tratar de um segmento de mercado novo, existe um campo vasto para ser explorado. Mesmo que já existam algumas femtechs disponibilizando diferentes serviços ao público feminino, ainda existe muito espaço para o surgimento de novas startups com o mercado crescente em todo o mundo. Algumas empresas já são referências mundiais neste tipo de serviço. Entre elas, podemos destacar o Clue, aplicativo de controle do período fértil, desenvolvido pela dinamarquesa Ida Tin. Esta solução simplifica a rotina das mulheres, que não precisam mais anotar de forma manual os dias de ovulação, regulando e administrando o ciclo menstrual. As femtechs se desdobram em diversas áreas de atuação, a exemplo da menotech, um espaço exclusivo destinado às mulheres que estão na menopausa. Para esse público há recursos como telemedicina e acesso a informações pertinentes ao período. Já para atuar nas sequelas e estigmas do câncer de mama, a femtech Rettice Medical desenvolveu um implante através de uma impressora 3D para ajudar na regeneração do tecido. Neste procedimento, após a invasiva cirurgia de remoção completa da mama, colhe-se um pedaço de gordura da região que circunda o seio, que é depositado dentro da bioprótese para que cresça e o preencha. O implante que desaparece em 18 meses, ainda está em fase de testes, mas apresenta resultados animadores. Outro exemplo é a MobileODT, uma startup israelita que desenvolveu um colposcópio, dispositivo de imagem portátil para fotografar o colo do útero em mulheres diagnosticadas com anormalidades no exame preventivo papanicolau. Este sistema de varredura virtual substitui a colposcopia, um procedimento desconfortável, que serve para identificar a existência de câncer. Iniciativas brasileiras Algumas femtechs, no entanto, ampliam o escopo para além da gestação. A Oya Care, fundada em 2020, oferece um relatório de fertilidade para mulheres a partir de um exame de sangue e de uma consulta com uma ginecologista especializada em reprodução humana – o atendimento é remoto, com agendamento online. Outra startup que aposta nesse tipo de cuidado é a Fertilid. Lançada em julho de 2019, a femtech nasceu da experiência de Amanda Sadi com exames de fertilidade oferecidos por clínicas particulares. “Descobri que tinha um teratoma no ovário e desembolsei muito dinheiro quando fui fazer os procedimentos. A capacidade reprodutiva é um dado que as mulheres precisam saber sobre si e quase ninguém conhece isso a fundo”, conta Amanda. Um dos principais nomes do setor no País é a Theia. Criada por Paula Crespi e Flávia Deutsch, a startup oferece atendimento clínico em pré-natal, parto e pós parto, por meio de uma rede de 38 especialistas entre ginecologistas, psicólogos, nutricionistas e pediatras. A femtech já recebeu R$ 7 milhões em investimentos das gestoras Kaszek (dos cofundadores do Mercado Livre) e Maya Capital ( da investidora Lara Lemann, filha do bilionário Jorge Paulo Lemann). Ações no Outubro Rosa Também aqui no Brasil, uma startup chamada PreviNEO utiliza a inteligência artificial para prevenir, diagnosticar e reduzir os riscos de incidência dos principais tipos de câncer no Brasil, através de um programa de oncologia. O método de atuação consiste em três etapas principais: análise de dados, cálculo de risco e orientações. A startup identificou mais de 5 mil casos de pacientes em risco A Fundação Laço Rosa lançou a Contratada, primeira plataforma brasileira de empreendedorismo e emprego para mulheres que passaram pelo câncer de mama. O projeto foi inspirado num caso real de dispensa discriminatória e tem como desafio mudar a legislação brasileira que não garante estabilidade de emprego para pacientes com câncer. “A pessoa em tratamento precisa ser respeitada no ambiente de trabalho, por isso conhecer os seus direitos é o primeiro passo. Além dos muitos casos de dispensa discriminatória que chegam ao conhecimento da Laço Rosa, também sabemos de muitos casos de mulheres que são barradas em processos seletivos de forma velada. Isso é uma forma cruel de violência!”, destaca Marcelle Medeiros, presidente da Fundação Laço Rosa. AUTOEXAME DAS MAMAS Cerca de 80% dos tumores de mama são descobertos pelas próprias mulheres. O ideal é que cada uma